Essa tristeza que não vai embora

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Os primeiros meses desde ano foram confusos. Estamos quase no final do terceiro mês (março) e tudo parece igual. Ano novo serve pra que mesmo?

Tentei mudar de diversas formas; falhei miseravelmente em quase todas. Até o momento, as únicas mudanças que se confirmaram é que de fato estou lendo mais livros – e livros grandes, o último que concluí, “Vida e Destino”, tinha 900 páginas; considero isso uma conquista pessoal. E também fui na dermatologista e tirei umas verruguinhas e um cisto que estavam me incomodando. E só.

Tentei conhecer um novo amor. Saí e conheci pessoas diferentes. Fiz sexo – sempre com segurança, claro. E nada. Depois de alguns encontros, tudo voltou à constante solidão. Acreditei ter encontrado um novo amor, me apaixonei e não fui correspondido. Na verdade, é ainda pior: ele quase não fala mais comigo, mas finge que está tudo bem, que ele que anda distante do celular. Sei que não é isso. Já vi aquele “online” diversas vezes. É como se ele só não falasse comigo e estivesse esperando que eu tivesse a conversa final. Mas já acabou. E sempre que tento iniciar uma nova conversa com uma nova pessoa, desanimo rápido. Quero só me recolher e sumir e ficar na minha.

Mesma coisa no trabalho. Eu até tinha me animado um pouco ano passado, quando comecei a dar aulas de química. Era algo novo, um desafio, os alunos gostavam de mim. Ou parecia – e ainda parece, pois continuo em contato com os mesmos alunos e eles ainda me dizem que eu deveria ter continuado a dar aulas para eles, pois comigo eles entendiam a matéria. Porém, nada de aulas de química este ano. A escola queria que eu me dedicasse à coordenação do High School – e concordo que eu estava sobrecarregado ano passado, foi bom diminuir um pouco o ritmo. Acontece que, sem isso, eu voltei a desanimar. Odeio esse trabalho, sempre fui infeliz nessa escolha profissional, embora eu agradeça o fato de eu ter um emprego; e é por isso mesmo que estou estudando engenharia química, para mudar de área e tal. Mal vejo a hora. O foda é que, enquanto essa hora não chega, fico eu trabalhando com educação, aturando coisas para as quais nem paciência tenho mais: alunos, pais, professores e um salário de merda que é metade do que o professor ganha por hora – eu ganhava, ano passado, na mesma escola, o dobro por hora pelas aulas de química. Mas coordenação ganha salário de merda; só consigo pagar minhas contas, sobra mais nada: mais um motivo para ser infeliz no trabalho, tem cara de escravidão mesmo.

Tentei mudar a alimentação. Do fim do ano passado até agora eu engordei uns 7kg. No total, estou com 95kg, sendo que há 3 anos eu pesava 73kg. 22kg a mais e parece que falho miseravelmente todo dia. De dia até vai, controlo bem a alimentação. Chega de noite e vem um desespero incontrolável e parece que tenho de comer o que tem em casa e, mesmo assim, não alivia um certo buraco no peito – sim, o buraco é no peito, não no estômago, mal tenho fome. Se eu respeitasse minha fome, acho que raramente comeria ao longo do dia. Hoje iniciei pela milésima vez no ano a alimentação low-carb paleo, a única que descobri nesses últimos tempos que me faz sentir bem enquanto tento emagrecer. Tento, né? Está complicado eu acreditar nisso.

E assim as coisas vão. E assim, há 3 meses já, as coisas caminham. Tenho vontade de ficar em casa, de me desligar do mundo, de não sair mais do quarto, ler meus livros e esperar a morte chegar. Ou ficar estudando. Gosto de estudar e gosto da facu. Essa faculdade me faz bem e, há 3 anos, tem sido minha única razão de existência. Me sinto bem mesmo lá. Só fico triste quando noto que eu deveria estar estudando mais e não tenho tempo. Hoje é segunda-feira e já, já, tenho de ir para o trabalho. Dá vontade chorar. Queria dormir, tenho dormido muito pouco há meses. Ontem dormi a tarde toda, foi uma delícia, fazia tempo que isso não acontecia; mas, em compensação, mal peguei no sono à noite, dormi pouco menos de 5h, pois acordo cedo naturalmente, nem tem o que fazer.

Bom, chega deste post. Ele não tem muita coesão. Eu precisava apenas desabafar. Essa tristeza que bate ali no fundo, que me dá vontade de apagar redes sociais, quebrar meu celular, ficar quieto em casa lendo ou estudando… essa tristeza está aqui faz tempo e só alivia quando me envolvo com as coisas da faculdade. E não sei mudar isso. Não sei como resolver as três questões principais mencionadas neste post: conhecer para amar e com quem o amor seja recíproco; comer direito, até para cuidar da minha saúde e emagrecer; mudar para um trabalho melhor, que pague mais e me faça feliz profissionalmente. Pois, cansei de estar triste. Cansei. Quero viver e sorrir novamente. Anos e anos nessa mesma tristeza está me matando!

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A Importância de ter Foco

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De tanto querer ser tudo, sou nada. Ou pelo menos é assim que me sinto. Fiz tanta coisa, espalhei minha energia por tantos caminhos diferentes, atirei para todos os lados, como dizem, tentando acertar algum alvo. Errei vários, acertei alguns, mas nunca no centro – aliás, bem longe do centro. Talvez eu até tenha me aproximado, algumas vezes, mas nada constante.

É assim que terminei 2016. Pensando em tanta coisa que eu queria fazer, nas infinitas listas de coisas por fazer. E isso não vale somente para atividades profissionais, mas ara hobbies, para a lista de coisas por fazer nas férias, para a quantidade de coisas com que me comprometo no dia a dia, para, inclusive, o amor.

Quer ver como exagero? Vamos começar pelo dia a dia. Como foi meu dia a dia em 2016? Meus compromissos: dava aula de química três manhãs (sempre acordando cedo, lá pelas 6h, às vezes um pouco antes… e lembre-se que dar aula envolve tempo em casa para preparar as aulas, preparar provas, corrigir provas e trabalhos, tudo tempo extra em casa… e com quase 200 alunos, pense que é bastante coisa, sim!) e já emendava a coordenação do High School na parte da tarde (todas as tardes). O detalhe: moro em uma cidade e estava dando aula em outra e a coordenação era ainda em outra cidade. Então some um deslocamento em torno de 1 hora para ir e 1 hora para voltar, sempre. Nas outras duas manhãs, iniciação científica na faculdade. Aulas na faculdade todas as noites e sábado de manhã. Como faço engenharia na USP, imagine que o curso é extremamente puxado e bastante exigente. Para completar, algumas das matérias mais difíceis do curso foram em 2016. Então, como se manhã, tarde e noite, geralmente sem tempo de parar e respirar ao longo do dia, já estão comprometidos, pense em diversas listas de exercícios, enormes, que me tomavam praticamente todo o fim de semana: sábado tarde e noite, domingo manhã, tarde e noite. Sem respiro, sem pausas. Então, se eu acordava às 6h todos os dias e saía da faculdade às 23h, para conseguir dormir depois da meia noite, às vezes 1h da manhã todo dia, isso dá menos de 6 horas de sono por dia. Feriados, que foram raros ano passado, eram usados para colocar as coisas da faculdade em dia.

Isso só para dar exemplo do dia a dia. Claro, dessa forma, sobra pouco tempo para hobbies e tal. Pois é, mesmo assim, tentei manter um canal no Youtube, escrever um livro – sim, consegui fazer vários vídeos, embora no segundo semestre simplesmente não teve jeito; e, sim, consegui escrever umas 15 páginas de um suposto novo livro – e ainda me cobrava para praticar teclado, voltar a estudar francês – ando esquecendo o que já aprendi -, aprofundar no inglês e começar japonês; ainda ver vídeos no Youtube de canais que acompanho, ler livros, HQs, revistas, ler as notícias de todos os dias, jogar tempo fora no Facebook e em diversas mídias sociais e, claro, fazer exercício físico – coisa que obviamente não fiz direito, embora tenha conseguido malhar por pouco mais de um mês ali no final do primeiro semestre – usando o tempo de bike para leituras da faculdade.

Mas você acha que é só? E tem de cuidar da gata todo dia, do cachorro, eu me cobrando para passear com o cachorro mais vezes; a gata tem de escovar, limpar o olho (é uma persa branca), trocar água, colocar comida, trocar areia.

Porém, espera, acabou não: tem a vida social – que obviamente ficou mais prejudicada ainda – e eu querendo sair com amigos, consegui até ir para Sampa em agosto rever amigos e ver uma peça do Alexandre Nero – ótima, por sinal – e consegui também alguns cafés com a Camila. As festas da facu, as saídas com amigos da facu e tudo, ficaram de lado.

Mesmo assim, ainda tentei conhecer alguém novo no Tinder. Passei o ano conversando com muita gente, mas sair??? Ha! Não vi nenhum deles pessoalmente, ficou tudo nos sonhos. A desculpa, sempre a mesma e com razão: “preciso estudar, estou atrasado com as listas, a prova é esta semana, etc.” Claro que terminei o ano solteiro. Agora, um detalhe interessante: sabe essa coisa de atirar para todo lado e tentar muita coisa ao mesmo tempo? Pois é, igualzinho nesse campo amoroso: imagina com quantas pessoas eu não devia conversar… querendo combinar de sair com todas, para ver qual delas iria “virar” – sim, porque meu interesse é encontrar UMA só pessoa especial, para, então, assumir um compromisso de relacionamento – vulgo namoro.

Quando eu falo do campo profissional, essa falta de foco fica mais do que clara: eu dava aula de química, fazendo faculdade de engenharia química, tendo feito faculdade de Letras, sendo por formação e prática de anos professor de inglês e coordenador dessa área de inglês, tendo estudado cinema na pós e já feito filmes e, ainda hoje, pensar em roteiros e ideias para curtas-metragens – e, sim, em 2016, escrevi um roteiro e iniciei a produção de um curta, mas pulei fora lá pela metade do ano – e, ainda por cima, adoro laboratório químico por ser técnico. Essa área criativa e artística em mim é forte e, por isso, tenho sempre ideias para escrever livros/roteiros para cinema, e até mesmo a parte musical, por arranhar um pouco no teclado, querendo compor e viajando em criar músicas e tal.

E nem falei da parte espiritual… gosto de ter tempo para rezar, meditar, já fui católico, depois wicca, depois voltei para o catolicismo, vou à missa sempre e tal, estou preocupado em cuidar dessa parte espiritual e gostaria de mais tempo e me culpo por não conseguir fazer isso direito. Gostaria de ajudar na Igreja, de repente fazer formação aos sábados, ser catequista e ajudar na missa.

Ufa! E esse post era sobre ter foco em 2017 e passei mais da metade dele falando sobre como eu não tenho foco. Mas sabe o que engana? É que eu faço a maioria dessas coisas com resultados bons. Excelentes? Nem tanto. Na faculdade, passei 2016 como o segundo melhor aluno da minha turma, com uma média geral de 8,5. No trabalho, fiz o que tinha de ser feito, com pouco tempo para enfeitar muito, mas sempre dando conta do básico e cuidando do relacionamento com alunos e pais de alunos, para garantir a satisfação deles. Também no trabalho, nas aulas de química, preparei coisas diferentes, levei experimentos para os alunos fazerem no laboratório, coisa que nem fazia parte da programação, pensei em listas  de exercícios extra e tentei melhorar sempre a aula. O resultado foi OK, mas não fui nenhum professor inesquecível para a maioria. Na iniciação científica, fui selecionado para a fase internacional do SIICUSP, coisa que só 10% das pesquisas da minha unidade da USP foram selecionadas, mas não ganhei a menção honrosa na apresentação final. Entende? Fui bom em tudo, mas nunca excelente em nada.

Acho que isso de ser bom em praticamente tudo o que a gente faz, mas longe da excelência, é um problema e grave. Isso nos ilude, nos faz pensar que tudo é para a gente. Mas não é. Não dá para fazer tudo isso. Eu não consegui fazer tudo isso. Não terminei o livro. Abandonei o canal. Passei quase o último semestre inteiro sem ir à missa ou rezar direito – salvo orações básicas cotidianas.

No fim do ano, quando parei para pensar, entendi que absolutamente tudo o que fiz foi pela metade. Nunca me dediquei plenamente à faculdade: faço só o básico para garantir uma nota OK; Nunca me joguei no trabalho como poderia: nesse caso, que bom, porque não vale a pena, ainda mais porque é uma atividade que atualmente serve para eu não ficar parado e poder ter meu próprio dinheiro, pois o foco é ou deveria ser a faculdade, uma vez que quero mudar de área profissional; Não tenho cuidado de mim, de conhecer alguém legal, de fazer atividade física e comer direitinho – e o que fiz, foi só o suficiente para controlar o peso e parar de engordar.

Tudo pela metade. Tudo na correria, sem curtir o momento, sem sentir o prazer do agora em todas essas coisas, salvo raros momentos de lucidez.

Por isso, assim como faço uma limpeza no quarto/em casa, nas minhas coisas e tal – doando roupas que não uso mais, que não me servem, arejando as coisas, liberando espaço… Assim como faço sempre no aspecto material, resolvi, este ano, olhar para mim e fazer a mesma limpeza, a mesma organização.

Como funcionou isso? Vi a ideia na Internet e achei interessante. Primeiro a gente faz uma lista de 25 coisas que gostaríamos de fazer. Depois escolhe 5. As outras 20, a gente nem olha mais para elas – não é para fazer quando sobrar tempo, é para esquecer mesmo.

Não vou fazer a lista aqui, pois, de certa forma, já as listei todas acima, explicando como eu quero fazer tudo ao mesmo tempo. Claro que passei das 25 coisas, mas a lógica é a mesma e vai servir bem.

Assim sendo, abaixo, listo as 5 coisas nas quais eu devo focar em 2017. E nelas SOMENTE. Já estou achando coisa de mais, se for pensar bem. São elas:

  1. FACULDADE (sem aulas aos sábados este semestre);
  2. INICIAÇÃO CIENTÍFICA (que termina no primeiro semestre e abre espaço para outra coisa, talvez);
  3. TRABALHO (somente a coordenação do High School, todas as tardes da semana, deixando de dar as aulas ou pegar qualquer coisa além disso – lembrando que isso aqui não é meu foco e que quero mudar de área);
  4. FAZER ATIVIDADE FÍSICA (malhar, bike, o que for… uma vez por dia, sempre);
  5. CUIDAR DO ESPÍRITO (rezar, ir à missa, etc).

Acho coisa demais. E ainda tem os livros que quero ler, as HQs que comprei e acumulei para ler, filmes e séries… tudo coisa que toma tempo, mas não são essenciais. Vou aproveitar as férias na faculdade e o fato de eu estar tranquilo para isso. Não sei se é assim que funciona, mas ler é bom, principalmente antes de dormir – ajuda a relaxar. No lugar de iniciação científica, leituras para relaxar, quando o primeiro semestre terminar, que tal?

Todo o resto: canal no Youtube, livro que eu estava escrevendo, o tal desafio deste blog, as milhares de coisas listadas acima… Tudo isso, esquece! O segundo semestre de 2016 foi difícil no sentido de estresse: eu aguento elevados níveis de estresse e mesmo assim quase que não aguentei, fiquei doente, somatizei muita coisa, deixei de dormir – muitas vezes por não conseguir dormir de tanta ansiedade. E tudo para quê? Para resultados medianos e esquecíveis? Não vale a pena. Quero mesmo ter mais foco na faculdade, de um jeito que eu possa viver e respirar só engenharia química nesses próximos anos e ser bem sucedido nisso de forma a poder fazer isso por toda a vida, deixando de vez essa área de Letras e educação.

Assim sendo, a palavra para 2017 é FOCO!!! Ao escrever isso neste blog, assumo o compromisso de só – e somente mesmo! – me dedicar às 5 coisas acima. Nada a mais. Tudo fora as coisas acima é extra e não cabem mais no meu tempo. E vamos atrás das coisas que interessam. Vamos atrás da excelência! =)

Não faltam mais dias nenhum, acabo de cancelar o tal desafio, como explicado acima =)

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Só posso ser feliz se estiver com alguém?

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Literatura, filmes, quadrinhos, pinturas… toda e qualquer obra de arte só faz sentido se nos faz conectar com aspectos profundos nossos, nos deixa sentir, nos faz pensar. Com isso de ficar mais tempo fora da Internet – embora eu não esteja tanto tempo offline quanto gostaria, ainda – tenho tido a chance de fazer outras coisas, entre elas, ler. Ler bastante. E, por isso, tenho descoberto livros novos e que me fazem conectar com algum aspecto interno meu.

Na semana passada, li “1 + 1 – A Matemática do Amor”, um Y.A. (young adult literature) de Vinicius Grossos e Augusto Alvarenga. E o resultado? Além de me apaixonar pelo livro, passei a semana toda com esse buraco no peito aumentado, amplificado. Por quê? Porque o livro fala sobre dois amigos adolescentes, Lucas e Bernardo, sendo que Bernardo recebe a notícia de que vai mudar com os pais para Portugal e só tem mais um mês ao lado do melhor amigo, Lucas. Nesse mês, eles descobrem que são muito mais que amigos, em meio a muitas questões complicadas e de fato pertinentes para garotos de 16 anos de idade.

Em outras palavras, a história desse livro me lembrou desse buraco eterno no peito que tenho. Por dois motivos: Primeiro, porque ler uma história muito bem escrita de amor entre duas pessoas mexe com a gente; Segundo, porque é uma história que fala de uma separação pré-anunciada de duas pessoas que de fato se amam, exatamente o que vivi no meu último namoro, quando ele anunciou que iria para a França no Ciências Sem Fronteiras e, com isso, eu decidi voltar para São Paulo – eu morava em João Pessoa à época – e fazer uma nova faculdade, a de engenharia química. “Sem o amor”, pensei, “vou cuidar de ser feliz pelo menos profissionalmente”, coisa que eu não era.

Algumas questões me vieram à mente: 1- O que fazer com esse buraco?; 2- Só posso ser feliz se estiver com alguém?. Ora, não dizem que precisamos cultivar o jardim para as borboletas virem? Não dizem que o “certo” é a gente saber viver sozinho para, então, poder conhecer aquela pessoa especial? Seria, então, “errado” sentir esse buraco?

Eu sei viver sozinho, até gosto de estar só algumas vezes, mas esse buraco no peito é enorme, é gigantesco, e está aqui desde que terminei meu último namoro. E foi um término que durou três meses, antes que tanto ele quanto eu nos mudássemos, para quase nunca mais nos vermos ou nos falarmos. É um buraco que vem toda vez que penso que éramos tão próximos, tão amigos… mas que hoje mal nos falamos. E, pior, mal nos falamos porque ele se distanciou, embora eu tenha tentado manter a amizade, embora eu tenha sonhado com um relacionamento à distância temporário.

É… acho que sou romântico demais. Eu de fato acredito em amor, em conexões profundas em completas entre duas almas humanas. E o que eu quero é apenas uma nova chance de amar… uma chance que seja a derradeira… uma chance de ter uma conexão tão profunda com alguém que não saberíamos viver um sem o outro nunca mais. É errado isso? Quem disse? Essa sociedade falida que só fala besteira sobre tudo o que existe? Eu, pessoalmente, acredito que o AMOR seja a única razão para vivermos. Eu seria capaz de esquecer todo o resto se estivesse feliz com alguém que também sinta o mesmo para comigo. Porém, nos dias atuais, parece que isso é cada vez mais improvável. E, assim, o buraco aumenta. Triste.

20 Dias Já Foram. Faltam 345.

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Fracasso ou Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica

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E depois da primeira semana de desafio, sucumbo às tentações e aos vícios. Na alimentação, abro uma única exceção para o açúcar e passo a semana toda comendo errado. Quanto ao uso compulsivo de Internet, precisei usar o Facebook por causa de um trabalho em grupo na faculdade e acabei usando um pouco além do que devia, embora eu tenha aparentemente recuperado o controle este fim de semana.

A analogia à cocaína – até porque há alguns mecanismos semelhantes ativados tanto pelo açúcar quanto pelo vício em Internet – é extremamente válida. Um viciado em cocaína precisa viver um dia sóbrio por vez e não pode nunca abrir uma exceção. É exatamente o mesmo caso aqui. As regras do meu desafio são claras (clique aqui para saber mais) e eu falhei essa semana que passou.

Contudo, uma informação nova a tudo isso. Acidentalmente, vi um vídeo com o depoimento de um cara que sofria de “binge”, que traduzido para o português é “transtorno da compulsão alimentar periódica” (clique aqui para saber mais). O jeito com que tenho feito essas exceções alimentares quando sucumbo ao açúcar é justamente muito parecido com esse TACP – ingerir uma grande quantidade de coisas em um período curto (normalmente à noite), se não todos os dias, quase. Diz aí no link que se isso acontece pelo menos duas vezes na semana já pode ser diagnosticado como TACP. Será, então?

Ou é ainda outra coisa? Ainda seria esse buraco que carrego comigo e comer é uma forma de tentar tapá-lo? De verdade, eu nem sou obeso nem nada, mas estou um pouco acima do peso e, se continuar nisso, além de ficar infeliz comigo mesmo porque eu gostava de mim quando eu era magro até 3 anos atrás (a contagem de anos só aumenta, chega!), corro o risco de ter problemas de saúde e tudo o mais.

Contudo, quando vem a coisa parece que eu perco controle e só vou entender o que aconteceu depois que já me sinto amplamente culpado por ter exagerado na comida. Tem sido assim há 3 anos. 3 anos sem controle! E quando recupero, é por pouco tempo. Confesso que era mais fácil controlar o que eu comia quando morava sozinho, quando eu simplesmente ficava longe das tentações e não tinha como sair da linha, sobretudo à noite, naquela hora em que bate aquela deprê e comer parece a única coisa que faz sentido: comer sem fome alguma, sem vontade fisiológica alguma, só mesmo um tipo de compulsão.

É, parece que meu desafio, então, aumentou de tamanho. Pois, se realmente se trata de uma compulsão alimentar, a dificuldade em vencê-lo de fato aumenta. Nem por isso, contudo, vou desistir. Muito pelo contrário. Saber disso só me dá mais ânimo para vencer. Vamos nessa! Retomamos tudo de acordo com as regras amanhã. =)

14 Dias Já Foram. Faltam 351 Dias.

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Por que Sair do Armário é Importante

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Estava ontem no supermercado e vi um carinha bastante interessante. Olhei de relance, para não deixar transparecer, e percebi que ele estava com a namorada. Casal bonito, aliás. Observei os dois por alguns instantes e notei algumas coisas: Primeiro, que eu de fato sentia inveja do cara. Inveja mesmo. Não porque ele tinha alguém especial e eu estou solteiro atualmente. Não. Senti inveja por ele ser heterossexual. Eu não ligo para bens materiais, não ligo para quase nada, de forma que não sinto inveja das pessoas e, mesmo quando namoro, nem chego a ter ciúmes. Porém, percebi que disso eu tenho mesmo inveja. Eu queria mesmo ser heterossexual. Nunca foi uma opção ou escolha minha ser gay. Apenas é, tenho de lidar com isso. Muitas vezes sinto que não sou metade da pessoa que eu poderia ser por causa disso – e por consequências psicológicas e de auto-estima relacionadas a isso. Talvez, ser hetero fizesse as coisas muito mais simples. Talvez, ser hetero me permitisse ser feliz de verdade, me permitisse ser eu mesmo e não viver me escondendo. E aí cheguei na segunda coisa que notei naquele instante: eu não gosto de ser quem sou e, por isso, não sei ser eu mesmo. Por fim, a terceira coisa que notei foi na verdade uma pergunta: será que eu realmente saí do armário?

Há muitos anos, eu saí do armário para dois amigos próximos e para minha mãe. Parei aí. No caso dos amigos, a amiga entendeu e ainda somos bons amigos até hoje, o amigo precisou de um tempo para digerir a informação, mas logo aceitou – como se alguém precisasse aceitar isso – e veio me dizer que estava de boa, mesmo ele sendo hetero e não entendendo bem. Minha mãe, no caso, que era próxima de mim na época, amiga mesmo para conversas e tal, não entendeu e foi bastante preconceituosa. Criou-se, então, um assunto em que não se fala, fingimos que tudo era como antes da conversa e fica tudo bem assim. Às vezes, porém, esse assunto reaparece: só para mencionar um caso recente, alguns meses atrás tive uma discussão boba e ela falou algo do tipo “você e esses homens de que você fica atrás”, o que foi ofensivo, até porque eu não namoro ou “fico atrás” de ninguém há uns três anos já, mas também porque soou homofóbico e altamente pejorativo.

Depois disso, só amigos gays, que me conheciam como gay já, é que sabiam de mim. Eles e uma amiga para quem contei, quando eu já morava sozinho em São Paulo. E as duas psicólogas com quem fiz terapia nesses anos, desde que me entendi gay. E fim. Sei que muita gente sabe ou desconfia, mas eu não abro a boca sobre o assunto. Não falo “ei, eu sou gay.” Mesmo este blog é anônimo e, embora eu pareça estar falando abertamente sobre o assunto, não estou. Existe o escudo do anonimato e, como o menino da foto que ilustra este post, tampo meu rosto e meu verdadeiro eu das pessoas.

Não, eu nunca saí do armário. Meus atos, minhas escolhas, meu jeito de ser refletem isso. Não falo sobre namoro com absolutamente ninguém. Não falo “meu ex-namorado” ou “Fulano é muito gato.” No máximo, digo “conheci uma pessoa.” E, muitas vezes, dou ênfase para o feminino da palavra “pessoa”, usando “ela” sempre que possível. Ela, a pessoa. Vira e mexe, tento ativar um suposto “lado heterossexual” em mim. Penso “desta vez eu namoro uma mulher”, e muitas vezes até me esforço para ter interesse em alguma delas. Mas não. Não tenho nem vontade de convidá-las para sair. Eu fiz isso antes, mas não mais. Depois de que sempre que chegava a hora de eu beijá-las ou demonstrar interesse sexual, eu não queria e me esquivava. Não quero mentir. A primeira coisa que me vem à mente é que eu estaria fazendo uma pessoa infeliz, mentindo para ela, prometendo um tipo de amor, eros, que eu nunca poderia dar. Mas eu juro que tentei… e que, às vezes, ainda penso em tentar. Até masturbação com vídeo pornô heterossexual já rolou, como uma forma de eu provar para mim mesmo que “ainda tenho esperanças.” Porém, no caso do vídeo, quando a coisa funciona é porque eu me pego interessado no homem que está fazendo sexo com a mulher.

Por que faço isso? Não sou mais adolescente faz mais de uma década e ainda nesse estou conflito. Era para eu ser mais seguro, mais auto-confiante, ter melhor auto-estima, não era? Mas não é assim. O fato é que eu não consigo me aceitar como homossexual. Tem a forma com a qual fui criado, em meio a piadas homofóbicas, em uma família religiosa que abertamente acredita que ser gay é ir para o inferno – para piorar eu também sou bastante católico e vivo nesse conflito, me afastando e me aproximando da Igreja, dependendo de como está minha auto-aceitação, que oscila há anos. (Parênteses: esta semana, vi este vídeo maravilhoso de um cara gay assumido e católico, que finalmente explicou de maneira convincente e com bom embasamento que a Bíblia na verdade não fala nada sobre orientação sexual e amor de pessoas do mesmo sexo; se quiser se surpreender positivamente como foi comigo, veja o vídeo clicando aqui.)

Toda vez que penso em ser mais eu, sempre penso na reação das pessoas, no que elas pensam de mim e como eles me julgam/julgariam. Serve para amigos de faculdade, para o trabalho, para amigos em geral e para minha família. Quando eu morava em João Pessoa, tinha meu namorado e parecia que eu estava mais OK com tudo isso, aconteceu algo interessante: eu tinha esse canal no Youtube sobre livros e filmes e fiz um vídeo falando mal de um filme popular. Claro que vieram milhares de haters me xingar e tal. Um deles escreveu: “nossa, você é muito bicha, cara.” Eu respondi: “não é o que minha namorada acha.” Meu então namorado, hoje ex-namorado, viu eu fazendo isso e me falou: “que desnecessário você escrever isso.” Contudo, mesmo em uma época em que eu parecia tranquilo com minha sexualidade, minha primeira defesa contra um comentário negativo foi dizer que eu não era gay, coisa que sou. Aliás, de todos os comentários idiotas de haters naquele vídeo, aquele foi o único que me incomodou por me atacar no meu ponto fraco, minha sexualidade.

Quer ler  mais um fato curioso?: ano passado, comecei a participar de um desafio da gratidão que consistia em postar uma foto agradecendo por algo todos os dias. Chegou no dia da Parada Gay de São Paulo e postei uma montagem com amigos – alguns hetero, inclusive – em algumas Paradas Gays de Sampa, de quando eu morava lá. Escrevi: “Gratidão por ter tido a chance de ter estado perto da diversidade e saber respeitar a todos.” Ou seja, eu nem falei ou agradeci por ser gay. O pai de um amigo meu compartilhou a foto com esse meu amigo, escrevendo “por essa eu não esperava, quem diria!”, como quem diz, “olha, ele é gay.” Até aí, OK, eu realmente não sou abertamente gay para o mundo. Mas eu fiquei super mal aquele dia e alguns dias posteriores porque “alguém pensava que eu era gay.” Ora bolas, eu SOU gay! Por causa daquilo, eu apaguei meu Facebook e passei mais de 6 meses sem uma conta em redes sociais – e consequentemente pulei fora do tal desafio da gratidão.

Chega de exemplos, acho que você já entendeu como a coisa funciona aqui. Falei no post anterior sobre um livro que estava lendo – e que terminei de ler hoje: “Apenas um Garoto”, de Bill Konigsberg. Esse livro me fez pensar muito sobre essa questão de sair do armário. Claramente, eu não saí dele ainda. Nos meus 30 anos, já tendo vivido alguns namoros duradouros com homens e tendo sido muito feliz com eles, eu ainda não saí do armário. E por sair do armário não quero dizer que preciso postar no meu Facebook para todo mundo um “Sou Gay”. Por sair do armário quero dizer que eu não tenho coragem nem de compartilhar ou curtir algo relacionado a homossexualidade no Facebook, com medo do que vão pensar se virem. Por sair do armário quero dizer que tenho vergonha de sair com algumas pessoas (gays) às vezes e ser visto por conhecidos. Por sair do armário quero dizer que passo meus dias me policiando, gastando energia medindo minhas palavras e qualquer ideia que eu possa transmitir sobre o fato de eu ser homossexual. Por sair do armário quero dizer que muitas vezes eu mesmo não me aceito assim, a ponto de olhar um cara bonito com a namorada no supermercado e sentir inveja de ele ser heterossexual.

Estou me reprimindo. Estou me contendo. Como se eu tivesse acorrentado na kryptonita meu Superman e vivesse a vida com os óculos e disfarce de Clark Kent. Os diversos posts sobre solidão, sobre não ter com quem para falar de sentimentos e pensamentos mais íntimos estão diretamente relacionados ao fato de eu não conseguir falar sobre quem eu sou, sobre minha orientação sexual, que tanto me incomoda. Tenho certeza que isso me limita em muitas coisas na vida. Tenho certeza que eu não me sinto livre por causa disso. Tenho certeza absoluta que eu não consigo me relacionar direito com minha família por causa disso – e por saber que eles não me aceitam de verdade. Tenho certeza que é difícil mesmo ter amigos íntimos se eu estou sempre me contendo, sempre escondendo um aspecto meu quando estou próximo das pessoas. Muita gente já me chamou de misterioso, dizem que não conseguem me ler, que eu sei esconder bem as emoções, o que penso, como me sinto. E é verdade. Após tantos anos me escondendo, provavelmente essa é a coisa que faço melhor na vida. E para ser feliz de verdade, para ter a chance de resolver diversas questões pessoais, para deixar uma pseudo-tristeza constante de lado, para afastar de vez o pensamento de que só com a morte eu ficarei em paz, minha única chance é me aceitar e sair do armário de verdade: para mim mesmo. Por isso é tão importante sair do armário. Será que descubro como fazer isso?

7 Dias Já Foram. Faltam 358 Dias.

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Quando nos apaixonamos por quem nos dá atenção

meu amigo hetero

Sabe quando parece que ao menor sinal de atenção a gente se apaixona? Pois é, parece que isso está acontecendo comigo.

Eu de fato entrei no novo desafio deste blog: desliguei celular, passei esses cinco dias iniciais experimentando uma sensação de liberdade extrema: consegui dormir mais cedo, apesar da mudança para o horário de verão desta semana, consegui ler quase um livro inteiro, consegui estudar um pouco e consegui interagir com novas pessoas e entrar um pouco mais em contato comigo mesmo.

Mas vamos por partes: Primeiro, o livro que estou lendo. Chama-se “Apenas um Garoto” e conta a história de Rafe, que se assumiu gay aos 13 anos e aos 17 decide se mudar de Estado e estudar em um colégio interno só para garotos de forma que ele não se sentisse mais “o garoto gay” do colégio. Funciona. Ele entra para o grupo de atletas, faz vários amigos heterossexuais e não revela a ninguém sobre ser gay. Ele não quer ser rotulado. Porém, ele acaba se apaixonando por seu novo “melhor amigo”, que é hetero.

Alguém parece que escreveu uma história sobre mim. Meu Deus! Como Rafe é parecido comigo!!! Claro, minha história é bem diferente, mas desde que me mudei para o interior e fui cursar engenharia, sinto-me de volta ao armário. Não que eu tenha saído completamente dele algum dia, mas minha vida prévia em João Pessoa era muito mais aberta nesse sentido: namorado que passava os fins de semana em casa, pessoas no trabalho que sabiam de mim, embora não falássemos sobre isso porque eu não abria intimidade para tanto, amigos gays, barzinho gay, essas coisas. Mas aqui no interior, morando com a família, eu me sinto reprimido, principalmente em casa, mas também na faculdade ou no trabalho, onde ninguém sabe nada sobre mim, onde falo pouco ou, na maioria dos casos, nada sobre minha sexualidade.

Não é exatamente estar no armário, mas vejamos: dos meus amigos mais próximos, apenas uma amiga sabe abertamente que sou gay; um outro amigo sabe, mas nunca falei com ele sobre isso, eu só sei que ele sabe. Na faculdade, tenho amigos gays, pois faço parte de um grupo LGBT secreto no Facebook com homens e mulheres gays ou bi que lá estudam. Porém, é um relacionamento mais virtual e com poucos – ou nenhum – amigo real. Meus amigos mais próximos na faculdade sabem que sou gay, porque eu nunca fiz questão de esconder. Então em alguns momentos eu já mencionei “o carinha que eu namorava” ou “o cara com quem estou saindo”, mas nada além disso. Contudo, acho que o que mais pega é em casa. Minha mãe sabe e nunca aceitou. Minha avó não sabe e é do tipo que reprovaria. Meus irmãos sabem e não aceitam. O namorado da minha mãe não sabe e faz questão de transparecer uma certa homofobia. Em casa é o lugar em que menos posso ser eu. Porém, até a faculdade terminar, eu não posso sair daqui, até por uma questão financeira e prática: preciso de tempo para estudar.

Agora, o segundo assunto, ligado ao primeiro diretamente: com esse tempo melhor aproveitado, tenho conseguido sentir e tentar entender o que estou sentindo. Como fica claro nos diversos posts anteriores, sinto-me muito só. Em parte porque não tenho podido ser eu. Em parte porque não tenho tempo para amigos e tal. E como Rafe, no livro que estou lendo, esta semana deixei ser levado pela situação em que eu estava e fiz o primeiro contato de novas amizades.

No primeiro caso, tive um trabalho em grupo na faculdade em uma matéria optativa em uma sala com pessoas novas. Tive, então, a chance de conhecer as pessoas do grupo ao trabalhar com elas por várias horas esta semana. Achei eles muito divertidos, com uma leveza inerente, fazendo piadas honestas e rindo muito, mesmo quando o desejo de todo mundo era terminar o trabalho logo e ir para casa. É como se tivesse me misturado com um grupo de perfil diferente daquele com que me relaciono sempre, diferente do nerd padrão e meio esquisito – sim, tenho esse problema ao me misturar com as pessoas. Então, foi um instante de normalidade, de pessoas de bem com a vida, foi gostoso mesmo. Me fez pensar se eu não tenho me misturado às pessoas erradas, que no fim nem sei se são amigas mesmo ou não.

No segundo caso, fui apresentar um trabalho ontem em São Paulo junto do pessoal da faculdade, fomos de van e tudo. Novamente, um grupo de pessoas que eu não conhecia. No início, achei que eu não ia me misturar, que iam me deixar de lado. Mas assim que saí da primeira apresentação, no coffee break, tomei a iniciativa e me aproximei de dois dos caras e perguntei, de maneira retórica, se eles eram da mesma cidade que eu. De cara me aproximei mais de um, pois fomos juntos ver de colocar nossos pôsteres no expositor. Quando voltamos para a sala da palestra seguinte, ele foi junto e se sentou comigo, conversando enquanto a palestra não terminava. Após a palestra, fomos apresentar nossos pôsteres e o outro carinha com quem eu tinha falado antes também estava próximo. No início, falamos com os avaliadores e apresentamos. Quando estávamos só esperando, comecei a puxar papo com esse segundo carinha e acabamos descobrindo um monte de coisas em comum, embora ele também tenha todo um posicionamento com relação à vida diferente também.

Em ambos os casos, foi um primeiro aproximar-se de novas amizades. Em todos eles senti que as pessoas, fossem as do grupo do trabalho da facu, fossem as da apresentação em Sampa, senti que todos eles me deram atenção. E especialmente ontem, no caso dos carinhas, eu diria que me derreti todo para os dois, como se os dois fossem meu tipo – e são mesmo, bonitos e inteligentes e tudo -, como se só porque obtive certa atenção um lado meu já acreditasse que eles teriam algum interesse romântico para comigo, o que não é verdade, até porque estamos falando de pessoas claramente heterossexuais.

Aí, depois da euforia e alegria de um dia assim, em que parece que tenho amigos – ou o início de algo que poderia ser classificado como amizade -, vem uma certa tristeza. Tristeza por saber que talvez a gente nem se veja de novo. Tristeza por entender que um possível interesse romântico não se concretizaria. Aí, então, lembro que estou praticamente de volta ao armário e que não tenho certeza se algum dia novamente poderei expressar minha sexualidade. Ah! Como eu queria conhecer alguém para namorar dessa forma: como um primeiro contato ao vivo, sem estar correndo atrás em aplicativos de encontro e essas coisas que não faço mais até por conta deste novo desafio aqui no blog.

Quem sabe um dia… Quem sabe eu deva tentar investir nessas novas amizades, quem sabe a gente faça alguma matéria junto ou dê para combinar de sair ou qualquer coisa assim. Quem sabe. O fato é que, como Rafe, eu também não quero ser classificado ou sair exclusivamente com amigos gays – coisa que nem tenho atualmente. Talvez viver uma vida com amigos heteros, fazendo coisas legais juntos… talvez isso possa ajudar a diminuir essa carência, essa carência que faz a gente ver interesses românticos em qualquer demonstração de atenção. Afinal, não dá para se iludir, e o que procuro, primordialmente, são amigos, muito mais que um namorado – que seria muito bem vindo, se for sobretudo amigo.

Faltam 360 dias.

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Novo Desafio – Vícios, Solidão e Crescimento Pessoal

Sozinho com o café

Somos responsáveis por nossas vidas. Não há culpados por nossas mazelas a não ser nós mesmos. O único alguém com que podemos contar a vida toda é sempre nós mesmos.

Sabendo disso e olhando os posts mais recentes – na verdade, me refiro aos últimos dois ou três anos de postagens aqui no blog – entendi o quão mono-tom tenho sido: em termos de questões fundamentais, tenho vivido um looping do qual não saio há pelo menos três anos.

Claro, houve melhorias, crescimento, a maioria, contudo, antes desses três últimos anos. Por exemplo? Houve uma época em que meu drama essencial era a carreira e a vida profissional. Demorou, mas tomei coragem para recomeçar, fazer uma nova faculdade e, desde então, tenho me encontrado mais feliz nesse aspecto. Mesmo continuando na área da educação, por enquanto, comecei a dar aulas de Química e devo dizer que amo cada segundo disso. E tenho planos, muitos planos para essa nova-velha área em que me encontro.

Porém, entre no histórico deste blog e veja os posts de meados de 2013 até agora. Todos, absolutamente todos, se resumem a: solidão (foi logo depois de eu terminar meu último namoro e me mudar de cidade), problemas com comida (engordei, emagreci um pouco, mas não voltei a ser quem eu era antes e talvez a solução seja buscar um novo Eu nesse aspecto) e excesso de Internet (ao ponto de vício mesmo).

Ora, três anos nessa mesma ladainha, três anos no mesmo tom, na mesma monotonia… Isso cansa! E como cansa!

Ao mesmo tempo em que caio nos mesmos erros, com momentos altos e baixos – sendo os posts exclusivamente dos momentos baixos – deixo de fazer coisas com as quais sempre me identifiquei: em parte por falta de tempo, mas na maioria das vezes por falta de foco e por estar na famosa “bad”.

Aliás, estou na “bad”? Faz tempo. A correria deixa a gente esquecer. A ilusão de muitos aspectos da vida cotidiana nos confunde e vamos vivendo, como cantou Cazuza, “sem pódio de chegada ou beijo da namorada.”

Por isso, quero atualizar o desafio deste blog, que na verdade não vê um desafio decente desde o desafio original, que muito me rendeu e muito me ajudou a me transformar em um alguém melhor.

Qual o desafio?

UM ANO, a contar da data de hoje, de reflexões e descoberta constantes – tenho evitado muito pensar em mim mesmo nos últimos anos; UM ANO enfrentando as três grandes questões que me afligem desde 2013: Solidão, Hábitos alimentares e excesso de Internet; UM ANO relatando neste blog, com posts semanais, todo esse processo. Mas não pára por aí, gostaria de detalhar o que pretendo fazer dentro desses três principais assuntos:

1) SOLIDÃO: Como escrevi no post anterior (clique aqui e leia o post anterior), e em diversos posts nos últimos três anos, a solidão tem sido algo que me incomoda horrivelmente; a ponto de eu viver momentos de desespero e ansiedade. Não quero ficar com chororô, mimimi e chatice no melhor estilo “ai, estou sozinho, tadinho de mim.” Sem auto-piedade aqui, por favor.

DESAFIO: Me conhecer melhor. Entender os motivos desse sentimento. Remediar essa sensação vivendo mais, saindo mais, interagindo mais na vida real, conhecendo novas pessoas e criando novos vínculos de amizade, se possível, sempre dentro da honestidade de ser eu mesmo, sempre.

2) ALIMENTAÇÃO: Embora eu tenha me controlado mais e já tenha emagrecido uns 6kg desde o início do ano, a alimentação ainda anda instável e sei que ela está vinculada quase que 100% à questão da Solidão (e ansiedade gerada por tal sentimento). O melhor remédio é mesmo o desafio 1, mas há mais uma coisa: como boa parte das pessoas, sou viciado em açúcar. E é vício mesmo, dependência, com os mesmos sintomas de abstinência. E se há algo que eu não posso fazer nesse caso é abrir a tal exceção: afinal, um viciado em cocaína não pode abrir uma exceção de vez em quando, ou o mundo desaba – e é justamente o que tem acontecido comigo.

DESAFIO: Comer corretamente, dentro do que existe de melhor na literatura científica a respeito de nutrição: vamos comer só comida de verdade, sem açúcar processado/refinado e evitando farinhas e qualquer outra coisa refinada: só coisa “de verdade” (nada industrial e etc). Se a consequência disso for mesmo a retomada de um peso melhor, ótimo.

3) INTERNET: Este é o mais difícil; e também está 100% ligado à questão 1, da solidão. Também vem da ansiedade por estar sozinho e querer interagir e conhecer alguém especial. E também é um vício. V-Í-C-I-O!!! Mesmo. Que tira o sono, que reduz meu desempenho cotidiano, que me faz deixar de estudar, que me deixa irritado, que me faz mal. É preciso parar e resolver isso de uma vez por todas.

DESAFIO: Este deve ser difícil: como viver sem Internet hoje em dia? Como deixar o vício de algo com que precisamos lidar sempre, até por motivos de trabalho? Vai ser difícil e não sei se consigo, mas daqui UM ANO quero ver no que deu. E QUAL O DESAFIO exatamente? O desafio é passar UM ANO sem INTERNET, a contar a partir de hoje – só de escrever isso já sinto calafrios por não poder alimentar aquele vício, sinto coisas comuns de serem relatadas em experiências de abstinência.

Algumas regras valem aqui e vou deixar tudo mais difícil por isso:

1- DEIXAR DE USAR SMARTPHONE PESSOAL a partir de hoje. Desligo meu iPhone para só religar daqui um ano (ou quem sabe para nunca mais religar);

2- Portanto, SEM WHATSAPP PESSOAL, SEM REDES SOCIAIS DE TODO TIPO, com algumas exceções (especificadas a seguir);

3- POSSO USAR INTERNET exclusivamente para o TRABALHO e para a FACULDADE. Nesse caso, uso de vez em quando o whatsapp do trabalho (sim, desde julho tenho um número de whatsapp para atendimento a pais e alunos e assuntos do trabalho). Obviamente, Internet de trabalho só no horário do trabalho e no local de trabalho. Para a faculdade, de vez em quando é preciso usar o Facebook: alguns professores postam coisas lá (desde avisos até provas) e alguns grupos são criados no Facebook. Nesse caso, eu tenho de acessar o Facebook, mas nas seguintes condições: a) APENAS quando for de necessidade imediata da faculdade e para resolver esses assuntos; b) NÃO ficar navegando e lendo posts de amigos e muito menos fazer meus próprios posts; c) acesso ao FB exclusivamente do computador, nada de celular. Por isso, claro, NÃO PRETENDO APAGAR o Facebook ou NENHUMA REDE SOCIAL que tenho – o desafio é maior e acredito que, no mundo de hoje, a gente precisa aprender a viver de forma equilibrada com essas coisas.

4- EMAILS pessoais, ATUALIZAR ESTE BLOG e coisas do gênero: sempre a partir do computador e sempre em um horário longe da hora de dormir. Preferir fazer isso apenas uma vez por semana, mas isso pode variar conforme a necessidade.

5- NETFLIX está liberado, porque está mais para assistir a filmes/ver TV que para acessar a Internet.

 

 

 

Então é isso. Desafio iniciado. Hoje é 16 de outubro de 2016. Termina no dia 15 de outubro de 2017. A cada semana atualizo o blog com assuntos relacionados ao desafio. E vamos ver se consigo passar UM ANO cumprindo tudo isso e, ao conseguir, como isso tudo vai me mudar.

(FALTAM 365 DIAS)

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