Aprendendo a viver sozinho

Apesar de apreciar passar um tempo comigo mesmo, curtindo a música do silêncio, a solidão, nunca me imaginei levando isso a extremos que alcancei nesse semestre morando na Austrália.

Claro, não faz sentido em falar em solidão completa. Moro em alojamento da faculdade, faço as matérias, interajo com todo mundo, tenho meus amigos. Contudo, apesar de eu já ter morado sozinho anteriormente, desta vez foi diferente: eu consegui muitos momentos de solidão completa.

Primeiro porque sou estrangeiro neste país. As pessoas são um pouco mais frias mesmo, por questões culturais, e isso, para um brasileiro, colabora com a sensação de isolamento. Segundo porque há uma boa diferença de idade entre mim e virtualmente todo mundo com quem interajo por aqui. Isso, por exemplo, fez-me evitar sair à noite de balada com eles; afinal, não bebo, nem curto dormir muito tarde, nem sou mesmo fã desse tipo de programa. Prefiro algo com amigos mais próximos… e talvez seja mesmo uma pena, mas nunca vi nos meus colegas de alojamento, embora a maioria deles certamente sejam pessoas maravilhosas, nunca vi amigos próximos. Os assuntos que discutimos na cozinha compartilhada foram sempre triviais na maior parte das vezes. Apenas um dos colegas de classe de fato se tornou um amigo mais próximo. Porém, não era sempre que estávamos juntos.

Por tudo isso, sabe aquela sensação de solidão extrema, que pode aparecer mesmo em meio a uma multidão? Pois é… em alguns momentos, embora não em todos, me senti assim.

Para piorar, tendo a ficar pensando em milhares de razões para que as pessoas não me queiram. E mesmo sendo tudo isso apenas fruto muito fértil da minha imaginação, isso acaba me distanciando das pessoas. Isto é, o puro pensamento de “vou atrapalhar”, “eles me acham estranho”, “por ser mais velho eles devem me ver diferente”, etc.

Assim, novas sensações de isolamento vieram. Foi bom. Faz a gente pensar, refletir. Porém, me fez reconhecer algumas coisas essenciais:

1) eu de fato sou mais velho que o pessoal da faculdade (natural, pois estou fazendo minha segunda graduação depois de 15 anos que me formei na primeira). Portanto, é preciso que eu aceite e assuma isso. Desde o início da faculdade eu tenho tentado esconder quem sou e quantos anos tenho, embora meus amigos mais próximos saibam e os outros nem se importem. Isso, contudo, tem sim me afastado das pessoas, digo, o simples pensamento de “eles não vão gostar de mim porque sou mais velho” tem me afastado. E olha que nunca ninguém disse isso. Pura coisa da minha cabeça. É preciso mudar isso.

2) A sensação de isolamento colabora para o vício na Internet e em redes sociais. E isso me faz um mal danado. Parece que drena minhas energias. Me deixa fraco. Tem muita coisa acontecendo e a maioria é negativa. Deixa a gente com medo do futuro. E sei que algo assim tem potencial inclusive para levar à depressão. É preciso, portanto, sair das redes sociais. Tê-las para uso não frequente no computador, mas as apagar do celular. Aliás, celular mesmo é algo que poderia ser menos usado, evitado mesmo.

3) Apesar de tudo, estou bem sozinho. Não sei se de fato penso em conhecer alguém e namorar. Talvez o que eu precise fazer em 2018, ao voltar para o Brasil, seja ter foco em voltar a morar na Austrália. Eita lugar bão, sô! Haha 🙂

É isso! Finalmente atualizando aqui depois de 6 meses. É aquilo que já mencionei em algum momento: períodos de felicidade não precisam de escrita, por isso acabo ficando longe. Apesar dos detalhes, tenho sido muito feliz aqui, muita pena já estar acabando. Esse período sabático, contudo, tem me feito um bem enorme! Enorme!!! 🙂

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