Me sinto tão sozinho mas quero ficar só


O Paradoxo. Há alguns anos, escrevi um post aqui no blog sobre o como eu queria ficar sozinho: é bom curtir um tempo com a gente mesmo, ver um filme sozinho no cinema, pensar na vida, dirigir sozinho grandes distâncias, passar uma tarde ouvindo música, etc etc e etc… E continuo pensando assim, que é bom ficar sozinho e curtir aquele tempo só com a gente. Contudo, é preciso deixar uma coisa bastante clara: escolher ficar sozinho só existe quando isso é, de fato, uma escolha; quando não é, o que fazer?

Atualmente, embora eu viva cercado de pessoas no trabalho, na faculdade, em casa, tenho me sentido cada vez mais só: sozinho de amigos que de fato demonstrem interesse em jogar conversa fora; sozinho de companhia para atividades relaxantes, dessas que a gente só faz com gente que guardamos em boa estima; sozinho de beijos e abraços de um amor – não conta esses casos sem sal nem sem tempero de Tinderes da vida; e, às vezes, sozinho, por conta da falta de tempo, daquela conversa comigo mesmo e desse tempo gostoso sozinho.

Aliás, um pequeno parêntese, coisa a ser explorada melhor em um post futuro: não somente a correria e o excesso de atividades comprometem esse tempo de qualidade comigo mesmo e com possíveis amigos ou amores, mas quando tal tempo existe, mesmo escasso, ele de fato não existe: é celular, redes sociais, mensagens. Ilusões de uma vida que nunca existiu, de amigos que nunca o foram, de conversas ou curtidas que fingem ser a presença de alguém. E só. Na verdade, a solidão e só ela. E ela cresce. Toma proporções gigantescas e me faz sentir impotente.

Mas, de volta ao assunto: cadê os amigos? Cadê pessoas que se importam, que perguntam da gente, que deixam a gente perguntar delas e são sinceras na resposta?

A ausência de pessoas assim em meus dias já é algo que tem se estendido por alguns anos. Sinto esse vazio imenso, vontade de ter alguém com quem conversar sobre assuntos pessoais, alguém que de fato se importe com isso, alguém que se conecte – é terrível esse silêncio, terrível querer falar de algo importante, de sentimentos ou assuntos que precisam sair e não ter com quem falar sobre isso porque todas as relações que tenho não têm profundidade. Amigos estão distantes, passamos meses sem nos falar e quando nos vemos os assuntos são superficiais. Amores, estes nem existem. Conheço as pessoas, saímos, ficamos, mas em nenhum caso existe conexão, em nenhum caso existe interesse além do sexual. O encontro pode ir bem, o sexo pode ser bom, mas morre aí: acabou a conexão, o interesse era superficial. Em bem verdade, vivo cercado de pessoas, mas meus relacionamentos, sejam com amigos, sejam com amores, não passam de coisas superficiais.

Por isso tudo, tenho preferido estar sozinho, embora, obviamente, isso me faça me sentir muito mais só. É preferível um tempo solitário em que eu consiga me recarregar, se conseguir desligar celular e evitar redes sociais, que gastar tempo com relações superficiais com pessoas que, no fundo, pouco se importam comigo ou qualquer detalhe meu que vá além da superfície.

Dói. Dói porque eu não quero isso. Dói porque eu sinto falta de gastar tempo de qualidade com alguém. Dói porque eu não acredito que isso vá mudar, pois nem sei como fazê-lo mudar. Dói porque perdi as esperanças e não tenho fé nas pessoas. Dói porque sou humano e o ser humano é um ser social. Dói porque dói. Estou me sentindo muito sozinho, mas se for para fingir qualquer relação que de fato não seja honesta e de qualidade, prefiro ficar com a dor.

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O Consumo me Consome


Consumo de bens materiais, consumo de comida não essencial, consumo cultural, consumo nerd, consumo de redes sociais, consumo de pessoas. Sim! Todos são formas de consumo que, muito além de envolverem nosso dinheiro – antes fosse só isso – também consomem nosso tempo, e tempo de vida. E sabe qual o problema? O problema é que acreditamos que haverá um amanhã. E deixamos o que realmente importa para um momento que talvez nunca exista.

Eu, apesar de um recente episódio de desapego que me fez muito bem – no final do ano passado/na virada do ano – vi-me cada vez mais entregue ao consumo desenfreado. Desde o início deste ano que fui comprando coisas e parcelando no cartão de crédito. De início, precisei mesmo de algumas coisas: bermudas novas porque as velhas estavam apertadas – havia engordado -, tênis novos pois os velhos haviam estragado; mas, então, comecei a ver coisas e comprar por comprar: novas lentes de contato para abandonar os óculos – e que no final usei somente por duas semanas -, camisetas e mais camisetas em lojas nerds da Internet, assinaturas de jornais e similares, até na omeletebox eu caí – coisa mais inútil e consumista que fiz e ainda me peguei postando o unbox no snapchat – e só serviu para isso mesmo, pois todo o conteúdo me foi 100% inútil.

A conta do cartão estava – e ainda está – em 3/4 do meu salário. Valor absurdamente alto e que me obriga a entrar todo mês nas reservas da poupança. E, mesmo assim, mês após mês, continuei comprando e adicionando itens de mais de 200 reais cada no cartão. Todos absolutamente inúteis e/ou não essenciais.

Até que semana retrasada alguém roubou o número do meu cartão (devido a tantas compras na Internet, uma delas deve ter vazado o número do cartão) e me assustei. Algo fez cair a ficha e entender o quanto eu estava consumindo, me expondo, me desgastando. Cancelei as assinaturas, parei de comprar e agora planejo não ativar o novo cartão quando ele chegar (tive de bloquear o antigo, claro).

Porém, a reflexão vai muito além ao dito consumismo padrão. Nossos padrões de consumo são extremamente elevados em todos os aspectos: consumimos não só os bens materiais, mas as séries de TV que me obrigo a assistir (normalmente uma obrigação inconsciente) para “ficar em dia” e poder dar opinião na Internet (e muitas vezes mesmo sem curtir, mas se “todo mundo curte”…); consumimos também os livros do momento, que nos tornam “cool” ou “(pseudo-)intelectual” só porque o leio (muitas vezes sem gostar ou entender, mas não nos atrevemos a discordar do meu grupo de amigos/social); consumimos os filmes populares ou “do Oscar” que temos de ver como uma obrigação – e não mais como diversão; consumimos as redes sociais: os canais no Youtube, as horas de posts inúteis no facebook, os textões, as opiniões que não pedi e nem queria ler – e as que lemos só para achar alguém que concorde conosco, não importa o quão absurdas sejam tais opiniões; consumimos os shows e festas e eventos em que tiramos selfies sorridentes, mas que lá no fundo foram feitas a contragosto; consumismos alimentos mais pelo prazer de anunciar nas redes sociais aquela foto e ostentar até aquele momento que deveria ser nutritivo e muitas vezes nem isso é; consumimos pessoas que nos servem como objetos seja para ostentar a companhia e o convívio delas, seja para suprir carências em um ato de extremo egoísmo, seja por sexo ou para transformar nossa imagem; consumimos e consumimos e consumimos.

E, ao consumir todas essas coisas, a maioria de fato inúteis, absolutamente não essenciais e supérfluas, desaprendemos quem somos, desaprendemos apreciar os sorrisos mais que as roupas, as selfies, o que tal pessoa fez no sábado ou na sexta à noite.

Ao consumir tudo isso, nos consumimos. Consumimos nosso tempo – tempo de trabalho para gerar tanto dinheiro jogado fora, tempo para consumir as coisas e tempo para ostentá-las no mundo presencial e/ou nas redes sociais -, consumimos nossas próprias vidas. E para quê? Se nem ao menos nos divertimos de verdade. E o que realmente importa, as pessoas que realmente importam, a vida lá fora que realmente importa vão  sendo esquecidas, no que nos esquecemos de quem realmente somos.

Então, só ao morrermos, daremo-nos conta de que não vivemos?

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Desisti de procurar namoro


Demorou, mas tomei coragem para decidir: não quero mais saber de crush, de tentativas de conhecer alguém novo, de gente desinteressante, de frustrações. Chega! 

Desde que terminei meu último namoro – vai fazer 3 anos isso, já! – que passei por todas as fases de procura pós-término: 1) primeiro a gente não quer saber de ninguém, 2) depois quer encontrar alguém antes que o ex encontre,3) depois quer encontrar alguém para esquecer o ex, 4)depois quer alguém para não se sentir sozinho; por fim, estamos OK com tudo, inclusive com a solidão amorosa, e só 5) queremos alguém para nos complementar, para dividir os dias, a vida.

Em todas essas fases, há problemas. Julgo não ser necessário falar sobre os problemas das fases 2 e 3. É bem óbvio, na verdade, que nesse momento o ideal seria permanecer na fase 1 até poder ir direto para a 4; ou, ainda mais ideal, direto para a 5. A fase 1 é OK! Todo mundo precisa desse tempo e ele é inclusive respeitoso com as pessoas que a gente conheceria só para tapar buraco ou fazer ciúmes. Vai que essa nova pessoa se apaixona por você e, você, na prática, só a está usando? Fases 2 e 3 são garantia absoluta de sofrimento para todos os lados. Todos! Um pouco de razão e auto-controle e a gente consegue se livrar dessas fases ingloriosas. Mas é difícil. Eu, por exemplo, nunca as consegui evitar. No máximo, pude diminuir sua intensidade, mas não soube evitá-las por completo.

A fase 4 é a mais traiçoeira, embora talvez exista uma chance ínfima de sucesso, de aparecer alguém legal e a gente viver juntos e felizes para sempre. Ou, talvez, por isso mesmo que ela é a mais traiçoeira. Essa vã esperança da felicidade acaba nos jogando nos braços de qualquer um. Aqui, o problema é nós nos tornarmos objetos nas mãos de quem apareça com um sorriso bonito e um corpo atraente. Uma piscadela a mais, um olhar a mais e já era: juntamos todas as nossas esperanças nessa pessoa e vamos fundo. Mesmo que por vezes ela pareça nos enrolar depois dos primeiros (ou só do primeiro) encontros. Mesmo que possa ficar claro que a intenção desse alguém fosse só sexo. Investimos, quebramos a cara, até a carência falar mais alto e irmos em busca de um outro, que inevitavelmente terá perfil semelhante. E ao quebrarmos a cara com alguém, lembramos do ex, como ele era perfeito, mas sem querer voltar com ele/ela, que fique claro.

A fase 4 é perigosa. É onde fazemos as maiores merdas se não tivermos a cabeça no lugar. É onde cometemos exceções de comportamento, permitimos coisas que não condizem com quem somos ou o que de fato queremos se não tivermos a razão como nosso guia. Aliás, novamente, a razão seria nossa única esperança contra a fase 4. 

Eu passei por todas essas fases nos últimos quase 3 anos e desde pouco mais de 1 ano que me encontro na fase 5. A 5 é a mais razoável, a mais ideal de se estar, pois nela nos respeitamos, além de respeitar o outro. Mas como o ser humano é bastante complexo, o ideal da fase 5 raramente existe em plenitude. O que acontece na verdade é um misto de fase 5 e fase 4, vem uma, volta uma pontinha da outra. Nesse vai e vem, estou desde o final de 2014. 

Na Páscoa, porém, a fase 5 entrou em um estágio de cansaço: cansei de conhecer pessoas que no fundo nunca chegaram na fase 5 – ao que parece, todas elas. Não querem conhecer alguém, querem pegação e fim. Imagine que recentemente – antes da Páscoa – conheci alguém, aparentemente super legal e fofo, que depois do primeiro encontro reclamou que fiquei conversando demais e faltou ação. Disse que foi massante, mas que tentaria novamente, sugerindo dormirmos juntos e tal. Bem louco, não? Se você nunca chegou nessa fase 5, de estar confortável com a própria solidão e gostar da própria companhia, talvez você não entenda isso. Na fase 5, não queremos mais qualquer um, e embora adoremos um bom sexo, transar com alguém que mal conhecemos e cujos sentimentos para conosco sejam ainda um enigma é algo fora de cogitação.

No meu caso, o problema é que virtualmente todo mundo não tem interesse em ou não sabe conhecer alguém novo. Interessa só os finalmentes, que serão passageiros e ficam assim para sempre, o relacionamento não evolui, não sai disso. Um horror!

Eu prefiro ficar sozinho a me desgastar, a jogar minhas energias fora com paixões desse naipe. Na Páscoa eu já havia decidido: chega de ir atrás de gente nova. Isso nunca deu certo para mim. Que a vida se encarregue de trazer a pessoa certa, caso esse seja o desejo dela. É o meu, mas me conformo com esse mundo em que as pessoas não sabem mais se relacionar umas com as outras fora de um aplicativo de celular e vou cuidar das outras áreas da minha vida. Afinal, se é como dizem, azar no amor, sorte em todo o resto, vamos aproveitar. 🙂

PS: Só para reforçar, impossível eu sair novamente com qualquer um que eu saiba ter achado “massante” sair comigo no primeiro encontro. Fiquemos mesmo só na amizade, se é que isso é possível. 😉

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Para onde foram os amigos?

  
Para que tanta correria? Por que tanta cobrança? Por que tanta coisa? E por que quem mais exige de nós mesmos somos nós, não outras pessoas? Pertenço a esse grupo de pessoas que vivem correndo, mal dormem, cuidam pouco de si mesmas e vivem preocupadas com tudo que leem “por aí”. Isto é, pertenço à grande maioria da população mundial que tem acesso à Internet e já saiu da adolescência – porque esse perfil aí é desse tipo de pessoa adulta.

Mas vamos para os detalhes pessoais dentro desse assunto. O que me incomoda tanto? O que tem me segurado desde que saí de João Pesssoa, há quase três anos? “Ah, de novo esse assunto?” Sim, de novo esse assunto, pois ainda não encontrei resposta.

Quando decidi sair de João Pessoa e voltar para São Paulo, o motivo foi que meu então namorado iria para o Ciências Sem Fronteiras e eu não queria ficar sozinho lá. Voltei para onde eu tinha família e amigos de longa data. Contudo, desde então, sinto-me sozinho, talvez ainda mais do que me sentiria lá, lugar (e pessoas e estilo de vida) de que tanto sinto falta. 

Qual a solução? Me ocupar, claro. Ao extremo! Os amigos ficaram longe, aqueles que eu achava que tinha no interior são distantes, sem tempo ou vontade (os os dois) de sair, de fazer algo junto. Namoros, não mais. Por mais que eu conheça e goste de alguém, o papo vai esvaziando, se tornando distante. Conversamos no whatsapp, mas pessoalmente quase não nos vemos e, quando saímos, é tão pouco tempo que se tenta aproveitar a presença física para beijos e abraços e tudo o mais que o lugar permitir, mas falta conversa, falta criar vínculo. Consequência disso: o papo online começa a morrer, diminuem os bons dias, os ois, a frequência de contato e eu desanimo.

Sabe? Com tanto compromisso, confesso que é difícil namorar, mas tenho tentado e me esforçado para cultivar um romance, uma paixão. Todas, porém, caem na descrição acima. E não me satisfazem. Continuo sozinho, sem poder me abrir, sem ter alguém que confie em mim para igualmente se abrir comigo e, assim, passar o sentimento de confiança e de que sou importante a ponto de alguém confiar assuntos íntimos.

Sabe? Em última análise, não é de um namorado que preciso, é de um amigo. Que me chame para sair no fim de semana, que faça questão da minha presença, que tenha conexão comigo, que queira sair para conversar, mas também para ver um filme, para caminhar, para deitar na grama em um parque e ficar ali em silêncio, daqueles silêncios que rendem mais e transmitem mais sentimento que longas conversas íntimas.

Não tenho essa pessoa. E o que dói é a lembrança de que eu já tive bons amigos assim (alguns eram também namorados, outros somente amigos) e saber que é possível. Mas o que houve? Fiquei chato? Me tornei uma pessoa insuportável? Ou só distante com as mudanças de cidades e de vida? E por que quase três anos depois (dois anos só aqui no interior), essas pessoas ainda não reapareceram? Onde foi que eu errei? Onde é que estou errando?

A vontade é desistir disso, me isolar e assumir a solidão, me dedicar aos afezeres e coisas que me deixam sempre ocupado, cuidar de mim e concentrar energias nessas coisas. Mas não é o que quero. Porém, o que quero ainda será possível?.

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Perdi a capacidade de me conectar, me apaixonar e amar

  
Já se olhou no espelho ou em uma foto e não conseguiu se reconhecer? Já se sentiu uma sombra daquela pessoa que você já foi um dia? Eu já! E tenho me sentido assim constantemente nos dias atuais. 

Logo agora! Nos últimos meses de 2015 eu havia encontrado a motivação para me reinventar, cuidar melhor de mim, ressurgir das cinzas. Cinzas, essas, em que me enterro desde a segunda metade de 2013. Em verdade, desde quando meu ex viajou no Ciências sem Fronteiras e nossa história acabou.

Apesar da coragem para algumas mudanças – necessárias -, um lado meu se entregou e vem tentando reproduzir o contexto desse relacionamento desde então: sinto saudades da cidade onde morava, sinto saudades da vida que levava lá, do corpo bem cuidado e regado a caminhada na praia, skate e academia, saudades de morar sozinho e, principalmente, de ter alguém especial com quem eu podia dividir tudo isso, com quem eu podia conversar diariamente, em quem eu podia confiar e quem podia confiar em mim também.

Assim, tenho me tornado cada vez mais uma sombra da pessoa que fui. Contudo, incapaz de reproduzir a mim mesmo, viro caricatura, cubro-me de armaduras – a armadura da gordura, como um auto-castigo. 

Como se isso não bastasse, nesses quase três anos, além de me autossabotar e me destruir, tentei e tentei encontrar um novo amor, mas sempre buscando o ex, sempre procurando pelo menos uma característica daquele que eu amava. Saí com diversas pessoas, sempre encontrando defeitos e desistindo, sempre buscando alguém que meu inconsciente já reconhece como uma falha. Saí pra conhecer, beijei, fiz sexo. Raramente gostei, em nenhum momento quis me relacionar.

Recentemente, duas pessoas com quem saí – uma no fim do ano passado e, outra, este ano – fizeram um comentário muito parecido: “você me parece tão frio e distante” e “você age como não se importasse com nada.” 

Isso me assustou, pois, enxergo a verdade em tais palavras. Depois de meu ex, me retraí e passei a olhar o mundo com a desconfiança de quem tem a certeza do fim, da morte, do abandono. Não consigo mais me entregar e viver nenhum tipo de relacionamento: seja com amigos, com a família ou com talvez futuros namorados. A certeza da perda me congela. Mal consigo respirar. Veja alguns exemplos:

Minha mãe e minha avó: tenho medo do dia em que elas deixem esta realidade – e sei que vou sofrer muito esse dia. Medo a ponto de não conseguir mais me conectar com elas e de passar noites em claro pensando nisso. Meus amigos: medo de terem perdido o interesse na nossa amizade. Na verdade, é uma certeza que me fez distanciar de boa parte deles. Mal nos vemos ou nos falamos. Eu sofro quieto, às vezes pensando como agora ao escrever este post, às vezes sentindo-me o pior dos seres, de quem ninguém gosta e que todos certamente acham terrivelmente chato. Novos amores: medo de me apaixonar e não ser correspondido ou de ser abandonado. E isso, de fato, se deu em absolutamente todas as vezes desde que terminei o namoro.

Estou numa boca de sinuca, onde desejo juntar energia e vontade para ser eu mesmo hoje, sem as sombras do passado que tanto me incomodam, mas acabo me vendo desesperado e preso em grossas correntes. Não tenho ânimo para mudar, não acredito em mudanças. Mantenho-me vivo me ocupando ao extremo. Do contrário, já teria me entregado a alguma depressão profunda. Desconecto-me a cada dia mais e mais do mundo e das pessoas ao meu redor, consciente desse processo e inapto a qualquer reação ou resistência. Cada vez mais blasé, despeço-me lentamente  do mundo e das pessoas queridas ao abraçar um autismo que nunca esteve aqui. Sofro em desespero nos finais de semana quando imagino que terei de sair da solidão gostosa do meu quarto na segunda-feira e forçar um sorriso e fingir que me a importo.

No fundo, ainda me importo, mas cada vez menos. E, assim, a vida passa enquanto desejo que a Senhora da Foice apareça e me leve, antes que seja tarde demais, antes que eu perca mais alguém amado e, com isso, deixe de sentir e viva uma morte em vida. (Suspiro blasé).

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Confissões sobre 2015 ou O Ano em que me Recolhi

Sozinho na chuva

Mais um ano. Ou seria um ano a menos? 2015 finalmente chega ao fim. Ou chega? Novamente, um ano que não supera 2012 em seu esplendor e apelo pessoal. Quem sabe 2016? 2015 foi um ano puxado, cansativo, cheio de poréns, cheio de medos; mas houve também coisas boas, sorrisos e vitórias.

Começou bem, cheio de promessas. Eu havia passado no concurso da Petrobras para técnico em química e acreditei que poderia deixar de vez a carreira em escolas e me voltar totalmente para a química. Começou bem também com uma nova pessoa, que parecia promissora e com quem eu estava me dando bem. Um novo namorado? Tudo indicava que sim.

Mas foi logo o ano começar para a ilusão se esvair. Logo nos primeiros dias do ano, o carinha com quem eu estava saindo se revela HIV positivo e eu surto. Mesmo não tendo feito nada que poderia me levar a também ter o vírus, surtei. Noites em claro, medo de um futuro que talvez não estivesse mais lá. Só consegui dormir um bom tempo depois, após esperar o tempo mínimo para fazer o exame e confirmar que eu continuava HIV negativo. Diante da informação, também deixei ele de lado e passei boa parte do ano me culpando pela forma como o tratei. Tratei? Eu simplesmente desapareci. E mesmo um ano depois, ainda me culpo por ter sido tão babaca com ele. Péssimo ser humano que fui. (Só tive um certo alívio na culpa ao descobrir, depois de um tempo, que ele já entrara em outro relacionamento menos de duas semanas depois de eu sumir e, ao que tudo indica, hoje está feliz com tal pessoa, morando junto e tudo. Ufa! Menos mal!).

A notícia da Petrobras foi mais negativa que positiva. Vivi o primeiro semestre inteiro apreensivo, sem iniciar muitos projetos novos ou fazer planos: a Petrobras poderia me chamar a qualquer instante. Não chamou. E, no segundo semestre, entendi que eles só chamariam em janeiro de 2016. Contudo, não chamariam todos aqueles cujos nomes saíram no Diário Oficial: somente o primeiro colocado, que era a vaga original prometida no edital. Todo o cadastro reserva não seria chamado. É a crise. E a Petrobras está em seu pior momento em anos. Que sorte a minha passar em concorrido concurso justo quando eles não chamarão todos os nomes. E olha, passei bem colocado, nem precisariam chamar todo o cadastro reserva.

Essa apreensão do “chama ou não chama” limitou minhas ações o ano todo. Fiz meu mínimo em boa parte do tempo: no trabalho, na faculdade, na iniciação científica. Eu costumo ser tão mais, me dedicar tanto mais a tudo. Auto decepção. Nem  tanto na faculdade ou na iniciação, o pior mesmo foi no trabalho: dias e dias querendo sair, odiando o que eu fazia, odiando ter de lidar com certas situações.

Para piorar, um professor que coordeno levou para o lado pessoal toda minha ajuda para melhorar seus péssimos resultados: os alunos não gostavam e não estavam aprendendo com suas aulas, mas o professor se julgava a última bolacha do pacote e não queria ouvir, misturou questões pessoais com o trabalho, falou o que não devia para alunos e, no último trimestre do ano, me acusou de estar ajudando alunos a passarem nas provas – o que era uma mentira absurda. Rolou até comissão de inquérito no trabalho e, com provas e testemunhas, ficou claro que eu não fizera nada e demitiram o professor no fim do ano.

Na faculdade, errei por bobagem exercícios em provas e diminuí minha média ponderada, vulgo CR, de 8,4 para 8,3. Deixei de estudar tudo o que gostaria para estudar o mínimo que precisava. Falta de tempo dominou o semestre que passou. E cansaço. Muito cansaço. Cansaço do tipo que não sentia há muito, muito tempo. Nem parecia que tive férias. E não tive, na prática.

Isto é, tirei férias no mês de julho, eu não tirava férias desde janeiro de 2013, mas continuei resolvendo coisas do trabalho e da faculdade. Para piorar, inventei de criar um novo canal no Youtube e gastei energia e tempo alimentando o canal e redes sociais. Tudo em vão. Julho terminou e eu estava mais cansado que no início do mês.

Em agosto, na semana do meu aniversário, fui fazer check-up e descobri-me hipertenso. Sério! Pressão alta! Eu que sempre estive na faixa dos 11/7, de repente estava com 14/10. Motivo? Engordei muito! Cheguei no meu recorde pessoal de peso: 96kg. Nunca dantes na história dessa pessoa a balança havia apontado peso tão alto: 96kg! Absurdo! Por anos eu nunca havia deixado a barreira do 79kg. Depois, a barreira do 89kg. Emagreci, voltei para 73-75kg. Fiquei anos assim. Até que nos últimos dois anos, cheguei a 89kg. Em 2014, cheguei a 92kg, mas logo emagreci e comecei 2015 com 87kg. Tudo indicava que eu continuaria emagrecendo e voltaria para meu peso original, em torno de 70kg. De repente, 96kg em julho, em agosto… E pressão alta!

Comecei a tomar remédio para pressão. O pensamento de que eu também era mortal começou a tomar conta. O medo de que eu morreria antes de realizar tudo com que sonhava começou a controlar minhas ações. Medo, não, pânico! Escrevi um post aqui sobre isso. Época estranha. Nada estava bom.

Aliás, eu havia, em julho, me dado outra chance de conhecer novas pessoas. Conheci. Saí com três delas. Beijei duas. E sumi e deixei sumir. Não éramos mais, nunca havíamos sido. Quando a tal consciência da morte em agosto/setembro apareceu, eu parei de sair, desapareci, inventei desculpas, achei que nenhum deles nunca mais falaria comigo. E eles também inventaram desculpas, deixaram de sair comigo. Tudo muito estranho.

Nessa altura do campeonato, eu já havia decidido sumir do Facebook: apaguei de vez minha conta. Lá para o fim de setembro ou início de outubro, foi a vez das outras redes sociais: instagram, twitter, Snapchat, linkedin, beme… tudo! Havia decidido deixar de usar celular, ia dar o meu iPhone para minha mãe (o meu é um modelo mais novo que o dela) e sumir de vez… Mas não consegui. Faltou o WhatsApp, que usava – e uso – para faculdade, para trabalho, para tudo. Péssimo, isso!

Como se as coisas já não estivessem bem ruinzinhas, eu havia comprado um medidor de pressão para acompanhar minha hipertensão e descobri que o remédio que eu estava tomando não fazia efeito: a pressão continuava nas alturas, todos os dias, mesmo tomando o remédio direitinho. Resolvi, por conta própria, arriscar e fazer um teste: deixaria de usar o remédio para ver se as coisas piorariam ainda mais; não pioraram. Por semanas a pressão continuou alta, mas igual ao que era, com ou sem o remédio.

Foi então que olhei aquela pessoa irreconhecível no espelho: Quem é você? Por que quer me matar? Comecei a comer direito, coisa que simplesmente passei os últimos dois anos tentando, sem sucesso algum. Voltei a me exercitar. O peso começou a diminuir (hoje estou com 88kg, 8kg a menos) e a pressão diminuiu com o peso (hoje minha pressão mediu 12/7, maravilha, sem remédio nem nada, só alimentação correta e exercícios).

As coisas, os dramas, parecem que começaram a se resolver todos de outubro para o fim do ano: peso sendo controlado, pressão controlada, consegui passar em todas as matérias da faculdade, dei andamento à pesquisa da iniciação científica, paguei meu carro, resolvi as questões do trabalho e até estou animado para continuar nessa área por um tempo, meu quarto eu pintei e fiz uma reorganização que aumentou o espaço e me fez me livrar de muita coisa guardada, que acumulava energias e roubava espaço e tranquilidade, e até estou conversando novamente com um daqueles carinhas com quem saí em julho/agosto… quem sabe não é ele a pessoa que eu procuro? (e se não for, deste ano não passa, prometi a mim mesmo não ficar gastando energia com gente que não está realmente a fim de amizade ou namoro comigo).

Ou seja, o ano termina bem, apesar de toda a turbulência. Estou até conseguindo descansar um pouco, tendo tirado 11 dias de folga nesse fim de ano. Foi um ano ruim? Bom, certamente eu não queria ter passado por muitas das coisas por que passei. Porém, agora as coisas estando encaminhadas positivamente, a impressão é que valeu a pena o aprendizado. Espero. Nada está 100% resolvido. Nada está concluído. Algumas coisas, talvez. 2015, com certeza. Porém, ainda preciso continuar comendo direitinho e fazendo exercícios e controlar essa pressão e o peso de perto. Ainda tenho de resolver muita coisa no trabalho. Ainda preciso concluir a iniciação científica. Ainda tem quatro anos de faculdade pela frente. Ainda não defini se vai ser namoro, amizade ou “block”. Ainda não deixei de usar celular como pretendia. Ainda falta deixar mais tempo para leitura. Ainda há contas a pagar. As coisas continuam, mas algo importante aconteceu: Eu mudei. Algo mudou lá dentro, que ainda não sei o que é. Retomo o controle, mas não retomo a mesma pessoa. Não sou a mesma pessoa de antes, nem de 2012, nem do início de 2015. Me recolhi. Sumi. Cortei contatos, ou melhor, deixei que pessoas não mais presentes sumissem. Parei de gastar energia com quase tudo. Me desprendi. Diminuí minhas posses, ampliei meu espaço, deixei ex-namorados sumirem de vez, amigos que não eram mais amigos desaparecerem. Doei meus livros, vários dos meus pertences que não mais utilizava. Afinal, só precisamos de uma sandália e da roupa do corpo. O resto vem com a caminhada. Deixe estar!

O ano vira, a vida continua. Porém, novas energias, esperanças renovadas. Um bom re-start. Feliz Ano Novo!

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O que fazer com essa Bad

  
Olho no espelho e não me vejo. Quem é esse? Onde estão meus amigos? Por que as pessoas me chamam para tudo o que é profissional ou acadêmico, mas para sair, comer algo, beber algo, nem me convidam? Que tipo de pessoa desinteressante eu sou?

Apaguei meu Facebook e Twitter há três meses. Agora apaguei o Instagram e o Beme. Falta só o whatsapp. Por quê? Porque não me acho interessante. Porque tenho vergonha de existir, de que vejam minhas fotos, leiam meus pensamentos. Na verdade, minto! Eu até me acho interessante, sim, e gostaria de encontrar alguém assim como eu. Porém, não acho que alguém mais acredite nisso. A prova está aí, não é baixa auto-estima, são evidências: pessoas que gostam de você e o querem por perto convidam para sair, buscam conversar, lembram que você existe. Mas isso não acontece. E eu cansei. Cansei de correr atrás, de perguntar se podemos sair pra tomar um café, conversar, etc etc. Esse interesse não existe nas pessoas que conheço, nem no povo da facu, nem em amigos de muito tempo, salvo raríssimas exceções de baixíssima frequência.

Apagar Facebook, Instagram, etc, além de evitar o vício nessas redes sociais, é medida de segurança. Assim, eu deixo de ver e saber que virtualmente todo mundo que conheço sai e se diverte e nem um convite mínimo aparece. Ou tenho os amigos errados ou sou muito, muito, MUITO chato! Ou as duas coisas.

Sim, já está óbvio que estou na Bad hoje. Ontem vi uns amigos da facu, lá pelas onze da noite, se encontrando pra balada. Nem sabia que iriam sair. O mesmo pessoal que sempre pega carona comigo, que pede ajuda nas matérias da facu. E nem um convite. A mensagem é bem clara. E esse foi só um exemplo, tem mais. Tem amigo de infância que nunca tem tempo para colocar o papo em dia, mas sai, posta as fotos do churrasco, das cervejas entre amigos… E ainda tem os tais pretendentes amorosos, mas melhor nem entrar nesse assunto.

Não, pode até parecer, mas isso não é ciúme. É a constatação da exclusão, de ser um náufrago social. E não entendo o motivo, só sei que um dia foi diferente, bem diferente.

E, como resultado, vêm aqueles sentimentos negativos, aquela vontade de esquecer o mundo e viver em isolamento, aquele desânimo, a vontade de desistir de tudo, da vida. Em suma, vem a Bad. E ela está aqui já tem um tempo, desde que voltei de João Pessoa, há dois anos já: hoje, tenho me encontrado profissionalmente na engenharia química, mas desde João Pessoa que não sou mais feliz na vida pessoal e amorosa.

E não sei mais o que fazer, só desistir e ir vivendo na minha, isolado, esquecendo do mundo. A Bad está aí e ela ataca feio quando tenho o mínimo de tempo livre. O que fazer com essa Bad? Talvez me ocupar e fingir que alguém se importa. Mas não se importa. Triste, mas é a verdade. E isso só me faz querer me isolar mais e mais e me importar cada vez menos com as pessoas. Uma prisão por eu ser quem sou.

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