A Importância de ter Foco

2016-dez-1642

De tanto querer ser tudo, sou nada. Ou pelo menos é assim que me sinto. Fiz tanta coisa, espalhei minha energia por tantos caminhos diferentes, atirei para todos os lados, como dizem, tentando acertar algum alvo. Errei vários, acertei alguns, mas nunca no centro – aliás, bem longe do centro. Talvez eu até tenha me aproximado, algumas vezes, mas nada constante.

É assim que terminei 2016. Pensando em tanta coisa que eu queria fazer, nas infinitas listas de coisas por fazer. E isso não vale somente para atividades profissionais, mas ara hobbies, para a lista de coisas por fazer nas férias, para a quantidade de coisas com que me comprometo no dia a dia, para, inclusive, o amor.

Quer ver como exagero? Vamos começar pelo dia a dia. Como foi meu dia a dia em 2016? Meus compromissos: dava aula de química três manhãs (sempre acordando cedo, lá pelas 6h, às vezes um pouco antes… e lembre-se que dar aula envolve tempo em casa para preparar as aulas, preparar provas, corrigir provas e trabalhos, tudo tempo extra em casa… e com quase 200 alunos, pense que é bastante coisa, sim!) e já emendava a coordenação do High School na parte da tarde (todas as tardes). O detalhe: moro em uma cidade e estava dando aula em outra e a coordenação era ainda em outra cidade. Então some um deslocamento em torno de 1 hora para ir e 1 hora para voltar, sempre. Nas outras duas manhãs, iniciação científica na faculdade. Aulas na faculdade todas as noites e sábado de manhã. Como faço engenharia na USP, imagine que o curso é extremamente puxado e bastante exigente. Para completar, algumas das matérias mais difíceis do curso foram em 2016. Então, como se manhã, tarde e noite, geralmente sem tempo de parar e respirar ao longo do dia, já estão comprometidos, pense em diversas listas de exercícios, enormes, que me tomavam praticamente todo o fim de semana: sábado tarde e noite, domingo manhã, tarde e noite. Sem respiro, sem pausas. Então, se eu acordava às 6h todos os dias e saía da faculdade às 23h, para conseguir dormir depois da meia noite, às vezes 1h da manhã todo dia, isso dá menos de 6 horas de sono por dia. Feriados, que foram raros ano passado, eram usados para colocar as coisas da faculdade em dia.

Isso só para dar exemplo do dia a dia. Claro, dessa forma, sobra pouco tempo para hobbies e tal. Pois é, mesmo assim, tentei manter um canal no Youtube, escrever um livro – sim, consegui fazer vários vídeos, embora no segundo semestre simplesmente não teve jeito; e, sim, consegui escrever umas 15 páginas de um suposto novo livro – e ainda me cobrava para praticar teclado, voltar a estudar francês – ando esquecendo o que já aprendi -, aprofundar no inglês e começar japonês; ainda ver vídeos no Youtube de canais que acompanho, ler livros, HQs, revistas, ler as notícias de todos os dias, jogar tempo fora no Facebook e em diversas mídias sociais e, claro, fazer exercício físico – coisa que obviamente não fiz direito, embora tenha conseguido malhar por pouco mais de um mês ali no final do primeiro semestre – usando o tempo de bike para leituras da faculdade.

Mas você acha que é só? E tem de cuidar da gata todo dia, do cachorro, eu me cobrando para passear com o cachorro mais vezes; a gata tem de escovar, limpar o olho (é uma persa branca), trocar água, colocar comida, trocar areia.

Porém, espera, acabou não: tem a vida social – que obviamente ficou mais prejudicada ainda – e eu querendo sair com amigos, consegui até ir para Sampa em agosto rever amigos e ver uma peça do Alexandre Nero – ótima, por sinal – e consegui também alguns cafés com a Camila. As festas da facu, as saídas com amigos da facu e tudo, ficaram de lado.

Mesmo assim, ainda tentei conhecer alguém novo no Tinder. Passei o ano conversando com muita gente, mas sair??? Ha! Não vi nenhum deles pessoalmente, ficou tudo nos sonhos. A desculpa, sempre a mesma e com razão: “preciso estudar, estou atrasado com as listas, a prova é esta semana, etc.” Claro que terminei o ano solteiro. Agora, um detalhe interessante: sabe essa coisa de atirar para todo lado e tentar muita coisa ao mesmo tempo? Pois é, igualzinho nesse campo amoroso: imagina com quantas pessoas eu não devia conversar… querendo combinar de sair com todas, para ver qual delas iria “virar” – sim, porque meu interesse é encontrar UMA só pessoa especial, para, então, assumir um compromisso de relacionamento – vulgo namoro.

Quando eu falo do campo profissional, essa falta de foco fica mais do que clara: eu dava aula de química, fazendo faculdade de engenharia química, tendo feito faculdade de Letras, sendo por formação e prática de anos professor de inglês e coordenador dessa área de inglês, tendo estudado cinema na pós e já feito filmes e, ainda hoje, pensar em roteiros e ideias para curtas-metragens – e, sim, em 2016, escrevi um roteiro e iniciei a produção de um curta, mas pulei fora lá pela metade do ano – e, ainda por cima, adoro laboratório químico por ser técnico. Essa área criativa e artística em mim é forte e, por isso, tenho sempre ideias para escrever livros/roteiros para cinema, e até mesmo a parte musical, por arranhar um pouco no teclado, querendo compor e viajando em criar músicas e tal.

E nem falei da parte espiritual… gosto de ter tempo para rezar, meditar, já fui católico, depois wicca, depois voltei para o catolicismo, vou à missa sempre e tal, estou preocupado em cuidar dessa parte espiritual e gostaria de mais tempo e me culpo por não conseguir fazer isso direito. Gostaria de ajudar na Igreja, de repente fazer formação aos sábados, ser catequista e ajudar na missa.

Ufa! E esse post era sobre ter foco em 2017 e passei mais da metade dele falando sobre como eu não tenho foco. Mas sabe o que engana? É que eu faço a maioria dessas coisas com resultados bons. Excelentes? Nem tanto. Na faculdade, passei 2016 como o segundo melhor aluno da minha turma, com uma média geral de 8,5. No trabalho, fiz o que tinha de ser feito, com pouco tempo para enfeitar muito, mas sempre dando conta do básico e cuidando do relacionamento com alunos e pais de alunos, para garantir a satisfação deles. Também no trabalho, nas aulas de química, preparei coisas diferentes, levei experimentos para os alunos fazerem no laboratório, coisa que nem fazia parte da programação, pensei em listas  de exercícios extra e tentei melhorar sempre a aula. O resultado foi OK, mas não fui nenhum professor inesquecível para a maioria. Na iniciação científica, fui selecionado para a fase internacional do SIICUSP, coisa que só 10% das pesquisas da minha unidade da USP foram selecionadas, mas não ganhei a menção honrosa na apresentação final. Entende? Fui bom em tudo, mas nunca excelente em nada.

Acho que isso de ser bom em praticamente tudo o que a gente faz, mas longe da excelência, é um problema e grave. Isso nos ilude, nos faz pensar que tudo é para a gente. Mas não é. Não dá para fazer tudo isso. Eu não consegui fazer tudo isso. Não terminei o livro. Abandonei o canal. Passei quase o último semestre inteiro sem ir à missa ou rezar direito – salvo orações básicas cotidianas.

No fim do ano, quando parei para pensar, entendi que absolutamente tudo o que fiz foi pela metade. Nunca me dediquei plenamente à faculdade: faço só o básico para garantir uma nota OK; Nunca me joguei no trabalho como poderia: nesse caso, que bom, porque não vale a pena, ainda mais porque é uma atividade que atualmente serve para eu não ficar parado e poder ter meu próprio dinheiro, pois o foco é ou deveria ser a faculdade, uma vez que quero mudar de área profissional; Não tenho cuidado de mim, de conhecer alguém legal, de fazer atividade física e comer direitinho – e o que fiz, foi só o suficiente para controlar o peso e parar de engordar.

Tudo pela metade. Tudo na correria, sem curtir o momento, sem sentir o prazer do agora em todas essas coisas, salvo raros momentos de lucidez.

Por isso, assim como faço uma limpeza no quarto/em casa, nas minhas coisas e tal – doando roupas que não uso mais, que não me servem, arejando as coisas, liberando espaço… Assim como faço sempre no aspecto material, resolvi, este ano, olhar para mim e fazer a mesma limpeza, a mesma organização.

Como funcionou isso? Vi a ideia na Internet e achei interessante. Primeiro a gente faz uma lista de 25 coisas que gostaríamos de fazer. Depois escolhe 5. As outras 20, a gente nem olha mais para elas – não é para fazer quando sobrar tempo, é para esquecer mesmo.

Não vou fazer a lista aqui, pois, de certa forma, já as listei todas acima, explicando como eu quero fazer tudo ao mesmo tempo. Claro que passei das 25 coisas, mas a lógica é a mesma e vai servir bem.

Assim sendo, abaixo, listo as 5 coisas nas quais eu devo focar em 2017. E nelas SOMENTE. Já estou achando coisa de mais, se for pensar bem. São elas:

  1. FACULDADE (sem aulas aos sábados este semestre);
  2. INICIAÇÃO CIENTÍFICA (que termina no primeiro semestre e abre espaço para outra coisa, talvez);
  3. TRABALHO (somente a coordenação do High School, todas as tardes da semana, deixando de dar as aulas ou pegar qualquer coisa além disso – lembrando que isso aqui não é meu foco e que quero mudar de área);
  4. FAZER ATIVIDADE FÍSICA (malhar, bike, o que for… uma vez por dia, sempre);
  5. CUIDAR DO ESPÍRITO (rezar, ir à missa, etc).

Acho coisa demais. E ainda tem os livros que quero ler, as HQs que comprei e acumulei para ler, filmes e séries… tudo coisa que toma tempo, mas não são essenciais. Vou aproveitar as férias na faculdade e o fato de eu estar tranquilo para isso. Não sei se é assim que funciona, mas ler é bom, principalmente antes de dormir – ajuda a relaxar. No lugar de iniciação científica, leituras para relaxar, quando o primeiro semestre terminar, que tal?

Todo o resto: canal no Youtube, livro que eu estava escrevendo, o tal desafio deste blog, as milhares de coisas listadas acima… Tudo isso, esquece! O segundo semestre de 2016 foi difícil no sentido de estresse: eu aguento elevados níveis de estresse e mesmo assim quase que não aguentei, fiquei doente, somatizei muita coisa, deixei de dormir – muitas vezes por não conseguir dormir de tanta ansiedade. E tudo para quê? Para resultados medianos e esquecíveis? Não vale a pena. Quero mesmo ter mais foco na faculdade, de um jeito que eu possa viver e respirar só engenharia química nesses próximos anos e ser bem sucedido nisso de forma a poder fazer isso por toda a vida, deixando de vez essa área de Letras e educação.

Assim sendo, a palavra para 2017 é FOCO!!! Ao escrever isso neste blog, assumo o compromisso de só – e somente mesmo! – me dedicar às 5 coisas acima. Nada a mais. Tudo fora as coisas acima é extra e não cabem mais no meu tempo. E vamos atrás das coisas que interessam. Vamos atrás da excelência! =)

Não faltam mais dias nenhum, acabo de cancelar o tal desafio, como explicado acima =)

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