Iluminando as Sombras – Projeção

Jung diz que a sombra nos induz a ignorar nossas próprias fraquezas e projetá-las nos outros. Se sinto raiva e considero isso uma fraqueza, projeto sob outra forma em outras pessoas, por exemplo. “Se o problema está na projeção, então é ‘só’ parar de fazer isso, né?”, você diria. Será assim tão simples, decido parar e pronto?

Na verdade, não acho que seja tão simples, mas podemos nos educar para reconhecer facilmente os sinais da projeção e começar, a partir daí, um processo de reflexão e cura. É como Deepak Chopra afirma: “desfazer a sombra é sempre um processo. Para interromper a projeção, você precisa enxergar o que está fazendo, entrar em contato com o sentimento oculto sob a superfície e fazer as pazes com esse sentimento.” E ele continua: “É fácil reconhecer quando se está projetando? Uma dica é a negatividade (…) Ela se manifesta como uma energia negativa porque o que está sendo camuflado é negativo.” (CHOPRA, Deepak. A Sombra Coletiva. In: O Efeito Sombra. São Paulo: Lua de Papel, 2010: 49-51)

Apesar de ser mais fácil investigar as projeções quando elas acontecem, comecei a pensar em possíveis casos em que eu estava projetando algum sentimento negativo, de que tinha vergonha. Inevitavelmente, pensei em algumas questões que vinham me incomodando e sobre as quais eu já estava em processo reflexivo.

Um exemplo do que estou falando é a maneira como tratei (com certo tom de superioridade e arrogância) um dos meus recentes relacionamentos após terminar, o que era sempre acompanhado por forte tom de negatividade. Teria eu projetado uma sensação de fracasso (no relacionamento), mostrando-me melhor e superior? Ou a sensação de culpa, por não ter sido “bom o suficiente” (perceba as aspas)? Oi, ainda, uma certa raiva, que, por sua vez, esconderia uma dor profundamente arraigada? Ou, ainda, tudo isso junto? Questões, questões, questões… e este é só um exemplo.

Projetar é bem mais comum do que se pensa. É preferível pensar que estamos bem e são as outras pessoas que não estão, ou estão erradas, a assumir o que sentimos. Tenho aprendido a identificar tais momentos de projeção em mim e venho me surpreendendo com as descobertas que tenho feito sobre mim mesmo. O estranho é que, quando mais eu me aproximo da sombra, sinto-me vivo, humano. Começo a entender como crenças antigas possuem tons de manipulação social e as questiono. Aos poucos, aprendo que um sentimento ruim ou levemente tabu não é um pecado e precisa ser vivido. Uma vez vivido, ele se desfaz, sem gerar efeitos negativos. Raiva não gera violência, por exemplo. Não se for aceita, não se fizermos as pazes com ela.

Tudo é um processo, que somos extremamente capazes de trilhar e aprender. E sou extrememante grato por estar obtendo sucesso nessa trilha.

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