Para onde foram os amigos?

  
Para que tanta correria? Por que tanta cobrança? Por que tanta coisa? E por que quem mais exige de nós mesmos somos nós, não outras pessoas? Pertenço a esse grupo de pessoas que vivem correndo, mal dormem, cuidam pouco de si mesmas e vivem preocupadas com tudo que leem “por aí”. Isto é, pertenço à grande maioria da população mundial que tem acesso à Internet e já saiu da adolescência – porque esse perfil aí é desse tipo de pessoa adulta.

Mas vamos para os detalhes pessoais dentro desse assunto. O que me incomoda tanto? O que tem me segurado desde que saí de João Pesssoa, há quase três anos? “Ah, de novo esse assunto?” Sim, de novo esse assunto, pois ainda não encontrei resposta.

Quando decidi sair de João Pessoa e voltar para São Paulo, o motivo foi que meu então namorado iria para o Ciências Sem Fronteiras e eu não queria ficar sozinho lá. Voltei para onde eu tinha família e amigos de longa data. Contudo, desde então, sinto-me sozinho, talvez ainda mais do que me sentiria lá, lugar (e pessoas e estilo de vida) de que tanto sinto falta. 

Qual a solução? Me ocupar, claro. Ao extremo! Os amigos ficaram longe, aqueles que eu achava que tinha no interior são distantes, sem tempo ou vontade (os os dois) de sair, de fazer algo junto. Namoros, não mais. Por mais que eu conheça e goste de alguém, o papo vai esvaziando, se tornando distante. Conversamos no whatsapp, mas pessoalmente quase não nos vemos e, quando saímos, é tão pouco tempo que se tenta aproveitar a presença física para beijos e abraços e tudo o mais que o lugar permitir, mas falta conversa, falta criar vínculo. Consequência disso: o papo online começa a morrer, diminuem os bons dias, os ois, a frequência de contato e eu desanimo.

Sabe? Com tanto compromisso, confesso que é difícil namorar, mas tenho tentado e me esforçado para cultivar um romance, uma paixão. Todas, porém, caem na descrição acima. E não me satisfazem. Continuo sozinho, sem poder me abrir, sem ter alguém que confie em mim para igualmente se abrir comigo e, assim, passar o sentimento de confiança e de que sou importante a ponto de alguém confiar assuntos íntimos.

Sabe? Em última análise, não é de um namorado que preciso, é de um amigo. Que me chame para sair no fim de semana, que faça questão da minha presença, que tenha conexão comigo, que queira sair para conversar, mas também para ver um filme, para caminhar, para deitar na grama em um parque e ficar ali em silêncio, daqueles silêncios que rendem mais e transmitem mais sentimento que longas conversas íntimas.

Não tenho essa pessoa. E o que dói é a lembrança de que eu já tive bons amigos assim (alguns eram também namorados, outros somente amigos) e saber que é possível. Mas o que houve? Fiquei chato? Me tornei uma pessoa insuportável? Ou só distante com as mudanças de cidades e de vida? E por que quase três anos depois (dois anos só aqui no interior), essas pessoas ainda não reapareceram? Onde foi que eu errei? Onde é que estou errando?

A vontade é desistir disso, me isolar e assumir a solidão, me dedicar aos afezeres e coisas que me deixam sempre ocupado, cuidar de mim e concentrar energias nessas coisas. Mas não é o que quero. Porém, o que quero ainda será possível?.

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2 respostas para Para onde foram os amigos?

  1. Paty disse:

    Sei…e como sei.

  2. Paty disse:

    Ei, faz um tempo que você não posta nada. Não sei nem se verá esse comentário, mas sou de SP e seria legal ter alguém pra deitar na grama de um parque e ficar em silêncio.🙂

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