Perdi a capacidade de me conectar, me apaixonar e amar

  
Já se olhou no espelho ou em uma foto e não conseguiu se reconhecer? Já se sentiu uma sombra daquela pessoa que você já foi um dia? Eu já! E tenho me sentido assim constantemente nos dias atuais. 

Logo agora! Nos últimos meses de 2015 eu havia encontrado a motivação para me reinventar, cuidar melhor de mim, ressurgir das cinzas. Cinzas, essas, em que me enterro desde a segunda metade de 2013. Em verdade, desde quando meu ex viajou no Ciências sem Fronteiras e nossa história acabou.

Apesar da coragem para algumas mudanças – necessárias -, um lado meu se entregou e vem tentando reproduzir o contexto desse relacionamento desde então: sinto saudades da cidade onde morava, sinto saudades da vida que levava lá, do corpo bem cuidado e regado a caminhada na praia, skate e academia, saudades de morar sozinho e, principalmente, de ter alguém especial com quem eu podia dividir tudo isso, com quem eu podia conversar diariamente, em quem eu podia confiar e quem podia confiar em mim também.

Assim, tenho me tornado cada vez mais uma sombra da pessoa que fui. Contudo, incapaz de reproduzir a mim mesmo, viro caricatura, cubro-me de armaduras – a armadura da gordura, como um auto-castigo. 

Como se isso não bastasse, nesses quase três anos, além de me autossabotar e me destruir, tentei e tentei encontrar um novo amor, mas sempre buscando o ex, sempre procurando pelo menos uma característica daquele que eu amava. Saí com diversas pessoas, sempre encontrando defeitos e desistindo, sempre buscando alguém que meu inconsciente já reconhece como uma falha. Saí pra conhecer, beijei, fiz sexo. Raramente gostei, em nenhum momento quis me relacionar.

Recentemente, duas pessoas com quem saí – uma no fim do ano passado e, outra, este ano – fizeram um comentário muito parecido: “você me parece tão frio e distante” e “você age como não se importasse com nada.” 

Isso me assustou, pois, enxergo a verdade em tais palavras. Depois de meu ex, me retraí e passei a olhar o mundo com a desconfiança de quem tem a certeza do fim, da morte, do abandono. Não consigo mais me entregar e viver nenhum tipo de relacionamento: seja com amigos, com a família ou com talvez futuros namorados. A certeza da perda me congela. Mal consigo respirar. Veja alguns exemplos:

Minha mãe e minha avó: tenho medo do dia em que elas deixem esta realidade – e sei que vou sofrer muito esse dia. Medo a ponto de não conseguir mais me conectar com elas e de passar noites em claro pensando nisso. Meus amigos: medo de terem perdido o interesse na nossa amizade. Na verdade, é uma certeza que me fez distanciar de boa parte deles. Mal nos vemos ou nos falamos. Eu sofro quieto, às vezes pensando como agora ao escrever este post, às vezes sentindo-me o pior dos seres, de quem ninguém gosta e que todos certamente acham terrivelmente chato. Novos amores: medo de me apaixonar e não ser correspondido ou de ser abandonado. E isso, de fato, se deu em absolutamente todas as vezes desde que terminei o namoro.

Estou numa boca de sinuca, onde desejo juntar energia e vontade para ser eu mesmo hoje, sem as sombras do passado que tanto me incomodam, mas acabo me vendo desesperado e preso em grossas correntes. Não tenho ânimo para mudar, não acredito em mudanças. Mantenho-me vivo me ocupando ao extremo. Do contrário, já teria me entregado a alguma depressão profunda. Desconecto-me a cada dia mais e mais do mundo e das pessoas ao meu redor, consciente desse processo e inapto a qualquer reação ou resistência. Cada vez mais blasé, despeço-me lentamente  do mundo e das pessoas queridas ao abraçar um autismo que nunca esteve aqui. Sofro em desespero nos finais de semana quando imagino que terei de sair da solidão gostosa do meu quarto na segunda-feira e forçar um sorriso e fingir que me a importo.

No fundo, ainda me importo, mas cada vez menos. E, assim, a vida passa enquanto desejo que a Senhora da Foice apareça e me leve, antes que seja tarde demais, antes que eu perca mais alguém amado e, com isso, deixe de sentir e viva uma morte em vida. (Suspiro blasé).

Esse post foi publicado em Dia a Dia, Relacionamentos, Sentimentos e marcado , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Perdi a capacidade de me conectar, me apaixonar e amar

  1. AnnaNova disse:

    Seu post me emocionou de uma forma, que não sei porquê, aliás, eu sei…me deu vontade de orar por sua vida…Não sei se vc acredita, mas, existe uma só pessoa neste mundo inteiro…que se importa com seus sentimentos e com sua vida…e que por amor preencheria esse vazio que sua alma sente…esse alguém é Jesus…Conte para ele em secreto no escuro do seu quarto tudo o que vc está sentindo e chore, chore muito, pra libertar seu coração dessa amargura que vc está sentindo..Tenho certeza absoluta que se sentirá muito melhor…Ele se importa com vc….se precisar pode contar comigo…Abraços…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s