Confissões sobre 2015 ou O Ano em que me Recolhi

Sozinho na chuva

Mais um ano. Ou seria um ano a menos? 2015 finalmente chega ao fim. Ou chega? Novamente, um ano que não supera 2012 em seu esplendor e apelo pessoal. Quem sabe 2016? 2015 foi um ano puxado, cansativo, cheio de poréns, cheio de medos; mas houve também coisas boas, sorrisos e vitórias.

Começou bem, cheio de promessas. Eu havia passado no concurso da Petrobras para técnico em química e acreditei que poderia deixar de vez a carreira em escolas e me voltar totalmente para a química. Começou bem também com uma nova pessoa, que parecia promissora e com quem eu estava me dando bem. Um novo namorado? Tudo indicava que sim.

Mas foi logo o ano começar para a ilusão se esvair. Logo nos primeiros dias do ano, o carinha com quem eu estava saindo se revela HIV positivo e eu surto. Mesmo não tendo feito nada que poderia me levar a também ter o vírus, surtei. Noites em claro, medo de um futuro que talvez não estivesse mais lá. Só consegui dormir um bom tempo depois, após esperar o tempo mínimo para fazer o exame e confirmar que eu continuava HIV negativo. Diante da informação, também deixei ele de lado e passei boa parte do ano me culpando pela forma como o tratei. Tratei? Eu simplesmente desapareci. E mesmo um ano depois, ainda me culpo por ter sido tão babaca com ele. Péssimo ser humano que fui. (Só tive um certo alívio na culpa ao descobrir, depois de um tempo, que ele já entrara em outro relacionamento menos de duas semanas depois de eu sumir e, ao que tudo indica, hoje está feliz com tal pessoa, morando junto e tudo. Ufa! Menos mal!).

A notícia da Petrobras foi mais negativa que positiva. Vivi o primeiro semestre inteiro apreensivo, sem iniciar muitos projetos novos ou fazer planos: a Petrobras poderia me chamar a qualquer instante. Não chamou. E, no segundo semestre, entendi que eles só chamariam em janeiro de 2016. Contudo, não chamariam todos aqueles cujos nomes saíram no Diário Oficial: somente o primeiro colocado, que era a vaga original prometida no edital. Todo o cadastro reserva não seria chamado. É a crise. E a Petrobras está em seu pior momento em anos. Que sorte a minha passar em concorrido concurso justo quando eles não chamarão todos os nomes. E olha, passei bem colocado, nem precisariam chamar todo o cadastro reserva.

Essa apreensão do “chama ou não chama” limitou minhas ações o ano todo. Fiz meu mínimo em boa parte do tempo: no trabalho, na faculdade, na iniciação científica. Eu costumo ser tão mais, me dedicar tanto mais a tudo. Auto decepção. Nem  tanto na faculdade ou na iniciação, o pior mesmo foi no trabalho: dias e dias querendo sair, odiando o que eu fazia, odiando ter de lidar com certas situações.

Para piorar, um professor que coordeno levou para o lado pessoal toda minha ajuda para melhorar seus péssimos resultados: os alunos não gostavam e não estavam aprendendo com suas aulas, mas o professor se julgava a última bolacha do pacote e não queria ouvir, misturou questões pessoais com o trabalho, falou o que não devia para alunos e, no último trimestre do ano, me acusou de estar ajudando alunos a passarem nas provas – o que era uma mentira absurda. Rolou até comissão de inquérito no trabalho e, com provas e testemunhas, ficou claro que eu não fizera nada e demitiram o professor no fim do ano.

Na faculdade, errei por bobagem exercícios em provas e diminuí minha média ponderada, vulgo CR, de 8,4 para 8,3. Deixei de estudar tudo o que gostaria para estudar o mínimo que precisava. Falta de tempo dominou o semestre que passou. E cansaço. Muito cansaço. Cansaço do tipo que não sentia há muito, muito tempo. Nem parecia que tive férias. E não tive, na prática.

Isto é, tirei férias no mês de julho, eu não tirava férias desde janeiro de 2013, mas continuei resolvendo coisas do trabalho e da faculdade. Para piorar, inventei de criar um novo canal no Youtube e gastei energia e tempo alimentando o canal e redes sociais. Tudo em vão. Julho terminou e eu estava mais cansado que no início do mês.

Em agosto, na semana do meu aniversário, fui fazer check-up e descobri-me hipertenso. Sério! Pressão alta! Eu que sempre estive na faixa dos 11/7, de repente estava com 14/10. Motivo? Engordei muito! Cheguei no meu recorde pessoal de peso: 96kg. Nunca dantes na história dessa pessoa a balança havia apontado peso tão alto: 96kg! Absurdo! Por anos eu nunca havia deixado a barreira do 79kg. Depois, a barreira do 89kg. Emagreci, voltei para 73-75kg. Fiquei anos assim. Até que nos últimos dois anos, cheguei a 89kg. Em 2014, cheguei a 92kg, mas logo emagreci e comecei 2015 com 87kg. Tudo indicava que eu continuaria emagrecendo e voltaria para meu peso original, em torno de 70kg. De repente, 96kg em julho, em agosto… E pressão alta!

Comecei a tomar remédio para pressão. O pensamento de que eu também era mortal começou a tomar conta. O medo de que eu morreria antes de realizar tudo com que sonhava começou a controlar minhas ações. Medo, não, pânico! Escrevi um post aqui sobre isso. Época estranha. Nada estava bom.

Aliás, eu havia, em julho, me dado outra chance de conhecer novas pessoas. Conheci. Saí com três delas. Beijei duas. E sumi e deixei sumir. Não éramos mais, nunca havíamos sido. Quando a tal consciência da morte em agosto/setembro apareceu, eu parei de sair, desapareci, inventei desculpas, achei que nenhum deles nunca mais falaria comigo. E eles também inventaram desculpas, deixaram de sair comigo. Tudo muito estranho.

Nessa altura do campeonato, eu já havia decidido sumir do Facebook: apaguei de vez minha conta. Lá para o fim de setembro ou início de outubro, foi a vez das outras redes sociais: instagram, twitter, Snapchat, linkedin, beme… tudo! Havia decidido deixar de usar celular, ia dar o meu iPhone para minha mãe (o meu é um modelo mais novo que o dela) e sumir de vez… Mas não consegui. Faltou o WhatsApp, que usava – e uso – para faculdade, para trabalho, para tudo. Péssimo, isso!

Como se as coisas já não estivessem bem ruinzinhas, eu havia comprado um medidor de pressão para acompanhar minha hipertensão e descobri que o remédio que eu estava tomando não fazia efeito: a pressão continuava nas alturas, todos os dias, mesmo tomando o remédio direitinho. Resolvi, por conta própria, arriscar e fazer um teste: deixaria de usar o remédio para ver se as coisas piorariam ainda mais; não pioraram. Por semanas a pressão continuou alta, mas igual ao que era, com ou sem o remédio.

Foi então que olhei aquela pessoa irreconhecível no espelho: Quem é você? Por que quer me matar? Comecei a comer direito, coisa que simplesmente passei os últimos dois anos tentando, sem sucesso algum. Voltei a me exercitar. O peso começou a diminuir (hoje estou com 88kg, 8kg a menos) e a pressão diminuiu com o peso (hoje minha pressão mediu 12/7, maravilha, sem remédio nem nada, só alimentação correta e exercícios).

As coisas, os dramas, parecem que começaram a se resolver todos de outubro para o fim do ano: peso sendo controlado, pressão controlada, consegui passar em todas as matérias da faculdade, dei andamento à pesquisa da iniciação científica, paguei meu carro, resolvi as questões do trabalho e até estou animado para continuar nessa área por um tempo, meu quarto eu pintei e fiz uma reorganização que aumentou o espaço e me fez me livrar de muita coisa guardada, que acumulava energias e roubava espaço e tranquilidade, e até estou conversando novamente com um daqueles carinhas com quem saí em julho/agosto… quem sabe não é ele a pessoa que eu procuro? (e se não for, deste ano não passa, prometi a mim mesmo não ficar gastando energia com gente que não está realmente a fim de amizade ou namoro comigo).

Ou seja, o ano termina bem, apesar de toda a turbulência. Estou até conseguindo descansar um pouco, tendo tirado 11 dias de folga nesse fim de ano. Foi um ano ruim? Bom, certamente eu não queria ter passado por muitas das coisas por que passei. Porém, agora as coisas estando encaminhadas positivamente, a impressão é que valeu a pena o aprendizado. Espero. Nada está 100% resolvido. Nada está concluído. Algumas coisas, talvez. 2015, com certeza. Porém, ainda preciso continuar comendo direitinho e fazendo exercícios e controlar essa pressão e o peso de perto. Ainda tenho de resolver muita coisa no trabalho. Ainda preciso concluir a iniciação científica. Ainda tem quatro anos de faculdade pela frente. Ainda não defini se vai ser namoro, amizade ou “block”. Ainda não deixei de usar celular como pretendia. Ainda falta deixar mais tempo para leitura. Ainda há contas a pagar. As coisas continuam, mas algo importante aconteceu: Eu mudei. Algo mudou lá dentro, que ainda não sei o que é. Retomo o controle, mas não retomo a mesma pessoa. Não sou a mesma pessoa de antes, nem de 2012, nem do início de 2015. Me recolhi. Sumi. Cortei contatos, ou melhor, deixei que pessoas não mais presentes sumissem. Parei de gastar energia com quase tudo. Me desprendi. Diminuí minhas posses, ampliei meu espaço, deixei ex-namorados sumirem de vez, amigos que não eram mais amigos desaparecerem. Doei meus livros, vários dos meus pertences que não mais utilizava. Afinal, só precisamos de uma sandália e da roupa do corpo. O resto vem com a caminhada. Deixe estar!

O ano vira, a vida continua. Porém, novas energias, esperanças renovadas. Um bom re-start. Feliz Ano Novo!

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Uma resposta para Confissões sobre 2015 ou O Ano em que me Recolhi

  1. camilapigato disse:

    Amei! Precisamos fazer um balanço e adorei a mensagem do texto!!!!!!😀

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