Andando em Círculos

 

Já teve a sensação de andar, andar, andar e não sair do lugar? Como se a vida fosse cíclica e que questões outrora consideradas findadas voltassem regularmente, de tempos em tempos, para te assombrar?

Estive conversando com um amigo sobre isso. Falavamos de algumas questões atuais quando, de repente, ele me perguntou: “Você não acha que já passou por isso antes? Não é como se você nunca se resolvesse?” Minha resposta, claro, só poderia ter sido afirmativa. Pois, acho… acho, sim! 

Como é isso para você? Faz algum sentido? Caso não tenha ficado muito claro, permita-me exemplificar com os tais fatos. 

Primeiro: engordei no último ano. Desde o fim de dezembro de 2013, saí de 75kg para 89kg. Uma diferença de 14kg. Deixei de ser o cara que passou mais de dois anos mega saudável, com academia, alimentação correta, etc, para aquele que mal consegue controlar o que come. De uma hora para outra, tudo se foi. E não foi a primeira vez. Nem a segunda. Nem a terceira. Isso me aconteceu antes. Essa é simplesmente a sexta vez que perco o controle e engordo nos últimos 20 anos. A essa altura do campeonato eu sei me alimentar corretamente, sei manter meu peso, sei o que fazer para perder peso com saúde, mas simplesmente não ligo e perco o controle. O que falta? Como mudar isso de uma vez por todas? Como resolver de vez essa questão?

Segundo: há pouco mais de 1,5 ano, terminei meu mais recente namoro. 1,5 ano depois, ainda não consigo ter olhos para outros. Passo os dias lembrando dele – ou da cidade em que morava quando estava com ele. Sinto saudades de tudo. Aí, de repente, me convenço de que quero conhecer um outro alguém. Faço a mesma coisa de sempre: procuro alguém novo na Internet, com o mesmo perfil e faixa etária de sempre, conversamos a mesma conversa de sempre, saímos, se me interessar mesmo, ficamos, beijamos, deixo rolar. Porém, o tempo todo eu já sabia que não combinava, que não daríamos certo. Aliás, a faixa etária de sempre – algo em torno dos 20, the early 20s – já é uma certeza de que não vai durar, de que, se ele quiser um namoro, algo um dia vai frustrar a relação e nos separar. Quando percebo que esse novo alguém nem durou para virar namoro, tenho a mesma reação automática perante a vida. A mesma. Sempre: quero sumir, me isolar, juro celibato, penso se conseguiria me apaixonar por uma mulher e não um homem – com mulher daria certo, já estaria casado, penso. Mas não rola. Nunca escolhi ser gay e preferiria não o ser, mas sou eu e, por mais que tente mudar, isso sou eu. E acabo deprimido, pensando no ex. Até que tomo coragem, procuro novas pessoas, etc, etc. E não é só com esse ex. Era assim com o ex anterior. E com o anterior. E do mesmo jeitinho. Sempre. Já perdi as contas de quantas vezes fiz esse ciclo.

Terceiro: Internet. Desde que ela existe, tenho Internet em casa. Sempre. No trabalho e em casa. Cada vez mais, fui me tornando de certa maneira dependente. Depois que saiu o iPhone, piorou. Com o iPad, então, piorou mais ainda. E desde sempre fui me impondo limites. No começo, nem precisava, havia os limites de horário e de megabytes utilizados. Mas depois que surgiu a banda larga e as redes sociais, o troço ficou feio. Tinha minhas crises, cometi vários orkuticídios, mas sempre voltava e criava um novo. O mesmo vale com fotolog, msn, depois o facebook, canais do Youtube… Apago, volto, crio restrições, volto a perder o controle. Sempre foi assim. Andando em círculos. Sempre uma desculpa, sempre uma explicação nova. Atualmente, quando resolvo apagar ou restringir o uso, alguém comenta: “já vi esse filme.” E viu mesmo. 

Entendeu? Acontece com você também? Eu poderia citar diversos outros exemplos, mas acho que já pude me expressar bem. Será que é só comigo? O que falta para criar a mudança de padrão definitiva? O que fazer? No que estou errando? Vou passar a vida nesse ir e voltar, ir e voltar, como uma mola? Nesse looping? Cadê o crescimento? Ou vivemos, mais que um ciclo, uma espiral? Afinal, o micro imita o macro. É só olhar para a órbita dos planetas. A tal da elipse que os planetas fazem ao orbitar em torno do sol é na verdade uma espiral, pois todo o sistema solar também está em movimento, junto da galaxia e até do universo (Veja este vídeo para entender essa ideia melhor).

Mas… se vivemos em espiral, repetindo o ciclo, apesar de passar por momentos diferentes, cadê nosso crescimento? Ou precisamos ensaiar várias vezes para, quem sabe, um dia, conseguir aquilo que queremos? Ou, então, será que estamos presos a traumas e definições de uma vida jovem sobre a qual temos controle zero ou tendendo a zero? Será que, no fundo, somos incapazes de mudar? Sempre buscando o mesmo, a mesma sensação, o mesmo sofrimento? Ah! Quem sabe o vício em determinado tipo de sofrimento? 

Se for isso, livre arbítrio é só ilusão? Então, pra que esse esforço todo? Pra quê? Se vivemos um vortex eterno de erros que se repetirão para todo o sempre, Sísifos que somos, presos ao trabalho fadado ao fracasso, sempre. E outra vez. E outra. E outra…

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Uma resposta para Andando em Círculos

  1. The Winner disse:

    Sonhamos, imaginamos, desejamos.
    Queremos ser outra pessoa.
    Queremos uma outra vida.
    Mas não temos, o que temos é nós mesmos e nossa vida.

    Com isso temos que mudar algo em nossas vidas e não querer uma nova.
    Aí entra o questionamento, como?

    Como? Você disse, sabemos como mudar. Como chegar lá. Como nos alimentarmos bem e etc.
    Mas não conseguimos. Entrando nessa espiral infinita.

    Por que? Qual o por quê? Como sair dessa?

    https://icametowinthisfight.wordpress.com

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