Depressão nossa de cada dia

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Há algo errado na vida? Talvez, ou muito provavelmente que sim. Porém, só posso falar por mim, vai de você generalizar o que escrevo. O que há de errado? Pois veja bem a listinha:

1- Não viver o presente

Chega! O discurso é lindo, mas como? Se alguém consegue viver só o presente nessa sociedade de merda, me explica como! Eu definitivamente não sei. Não sei e cansei de não saber.

Primeiro me mudo para João Pessoa e passo os dias sonhando com São Paulo, lembrando dos bons anos que passei lá. Anos que nem foram tão perfeitos assim, mas o distanciamento os faz brilhantes. Então, eu mudo para São Paulo e me arrependo amargamente: uma das piores escolhas que já fiz. E mesmo já tendo, depois disso, saído de Sampa e ido para o interior fazer uma nova faculdade, fato é que, mesmo um ano e meio depois de sair da capital paraibana, ainda sonho e sinto saudades de tudo lá.

Sim, eu era feliz lá. Eu namorava, eu mantinha um corpo malhado e em forma, tinha hábitos mais que saudáveis, ia à praia, ganhava o suficiente para pagar minhas contas e guardar dinheiro todo mês. De fato, se comparado com hoje, era o Paraíso. Precisa que eu reforce? Hoje: Vivo sem tempo livre (faculdade e trabalho tomam muito tempo), engordei mais de 15kg e estou me esforçando o máximo para recuperar aquele corpo em forma de 1,5 ano atrás, estou solteiro e parece que não existe pessoa interessante neste lugar, e, por fim, o dinheiro que ganho mal sobra para pensar em passear (me entupi de contas, tipo um carro novo, ganhando bem menos que ganhava até o ano passado… Coisas de interior).

Resultado: vivo os dias entre as saudades do ontem paraibano, do amor, do tempo livre, do conforto financeiro, e o amanhã, preocupações financeiras, preocupações amorosas – será que nunca mais encontrarei alguém que me ame e a quem eu ame e que deseje viver comigo para sempre? – e diversos outros tipos de preocupações, até mesmo se vou conseguir concluir a faculdade e mudar de vida um dia. Vivo entre passado e futuro. E o hoje? Mal sobra tempo para viver.

2- Viver é ser sozinho e sofrer

Viver é triste e dói. Tudo dói. Imagino que seja diferente com todo mundo, mas, para mim, a vida é solitária, quase sem razão, estressante e dolorosa. Sair de casa para o que for requer concentração e força. É preciso respirar fundo e seguir adiante, acreditando que algum dia quem sabe a gente sorri.

É sair na rua, olhar para o céu e pedir forças. Porque o dia dói. E dói uma dor vazia no peito, dói um buraco escuro e fundo no coração ou perto dele. Dói na academia. Dói no trabalho. Dói em casa, sobretudo na hora de dormir, atrasando o sono em algumas horas.

Às vezes me pergunto o que é isso que faz doer tanto? Porque, apesar das imperfeições, tudo na minha vida acontece conforme meu desejo e planos. Minhas escolhas me levaram para isso e não há nada fora do que imaginei: a facu, o trabalho de meio período para que eu possa estudar, etc e tal. Então, no fim, o que é isso que dói tanto?

A resposta é simples: parece que todas essas minhas escolhas são inúteis, todo o meu esforço é inútil. Nada disso vale a pena. Nada disso. No fim, continuo eu, solitário, desinteressante, longe de uma carreira brilhante, longe de um amor verdadeiro, só, até que a morte venha e leve tudo.

3- A Vida não faz sentido algum

Aí a gente se esforça, a gente rala, a gente se dá bem ou não, e a morte vem rir na nossa cara.

Esses dias, sonhei que morria. Foi mais que um sonho, foi uma visão. Foi assustador, mas confortante ao mesmo tempo. Era um vazio negro que engolia tudo e fim. Nada de vida após a morte, nada de luz ou túnel branco, nada de espíritos, fantasmas ou deus. Nada.

Desde então, as coisas perderam ainda mais o pouco sentido que já tinham. Faz um mês isso e esse sonho não me deixa. Comecei a ver filmes de terror – coisa que nunca me atraiu – em busca de histórias de fantasmas e possessões – só filmes “baseados em casos reais”. Mas nada fez sentido. Meu lado religioso morreu: nada de Igreja, nada de Wicca, nada de meditação.

A cada dia, menos sentido há em viver. A cada dia, mais próximo desse buraco negro eu me sinto.

E mesmo assim, apesar disso tudo, viver ainda é bom. A esperança de fato é a última a morrer. Contudo, algo me diz que a vida poderia ser melhor. Com amigos. “Que amigos? Eu mal consigo me relacionar com as pessoas e essa habilidade diminui cada vez mais.” Com um namorado. “Que namorado? Eu mal consigo me interessar por alguém, imagina namorar, coisa que, para acontecer, precisa de alguém se interessar por mim, mais improvável ainda.”

Conclusão

Há algo errado com a vida? Sim! Pelo menos para mim, há. Não sei viver o presente, passo os dias no passado e no futuro. Estou sempre só e, pior ainda, sinto-me cada vez mais sozinho. Soma-se a isso o fato de que a vida não faz sentido e conclui-se a única coisa que se pode concluir:

É inútil. É tudo inútil. Resta viver, no piloto automático, esperando o dia em que tudo isso acabe. E que seja com o mínimo de sofrimento possível. E que seja o mínimo solitário possível. E que, quando começar, acabe logo.

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Uma resposta para Depressão nossa de cada dia

  1. Roberto Diniz disse:

    Essa questão de ligar a vida no automático é super complicada. Sinto o mesmo aqui. Penso a mesma coisa sobre aproveitar o final de semana etc… Infelizmente a minha também tem se limitado a trabalho (pelo menos, a minha responsabilidade está beeeeem menor – disso não me arrependo). Se encontrar alguma resposta para a questão do piloto automático, me avisa, please! rs

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