Sozinho mesmo acompanhado

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Abro o whatsapp e reviro as conversas. Eu não as apago, estão todas lá em seu estado mais completo, desde sempre. Amigos, familiares, candidatos a novo amor… Todos ali. Busco um “oi”, um papo novo, uma forma de amenizar a solidão. Mas, não. Não há uma alma ali que aplaque esse sentimento. Nem uma.

Parto para o facebook. Mesmo ritual. Vejo posts, penso em alguém para quem enviaria um “oi” e de quem obteria resposta sincera, papo fluido e querido. Ninguém.

Retomo o whatsapp e vejo a lista infindável de pessoas. Um amigo querido que, naquele instante, sei que não responderia. Uma amiga amada que, mesmo diante do “oi”, possivelmente não me responderia. Um ex-amor que, só por ser ex, me evitaria. Deslizo o dedo mais um pouco e vejo a enorme lista de pessoas que, em algum momento no tempo, deixou de me responder, de se importar, de ser algo. Penso em deletá-las e deixar apenas aqueles que se importam. Desisto logo disso pois sei que esvaziaria a lista ou a deixaria apenas com contatos de trabalho e faculdade, não necessariamente amigos.

Lembro, então, que é assim e assim tem sido. A vida como a conheço se justifica pelo trabalho e pelo estudo; os papos raramente vão além disso. Por anos tive uma terapeuta que me escutava e me ajudava a aliviar essa sensação de estar só. Ótima terapeuta, mas, não mais, pelo menos por enquanto. Ah, meus namorados sempre foram além disso, a gente falava de tudo. Talvez por isso eles sempre atingiam status elevado tão cedo.

Ah, sim, claro que há amigos, há exceções, mas deslizo o dedo no whatsapp e mesmo assim não os chamo, mesmo assim acredito no silêncio. Nossos encontros esporádicos, sempre excelentes do meu ponto de vista, talvez sejam algo como obrigação ou um momento a ver evitado. A vida é tão corrida mesmo, né?

Então, aos poucos, me descubro só. Entendo que sou um visitante dentro das amizades constantes destes que considero meus melhores amigos. Entendo que a verdade é clara e, sem dúvidas, consequência de quem sou e de como sempre agi: estou só, intrinsicamente só. Rodeado de contatos virtuais, de gente que falaria comigo de vez em quando para reafirmar o quanto sente saudades e o quanto um dia precisamos nos ver. Retórica, claro, não passa disso.

Questiono, então, quem sou e o que fiz: minhas mudanças de cidades, de vida; minha falta de raízes; minhas indefinições em termos de absolutamente tudo: profissão, religião, sexualidade, até gostos musicais. Sou tudo e sou nada. Tenho todos e tenho ninguém. Sou daqui e nunca fui de lugar algum. Nem sotaque característico de uma cidade ou região tenho direito. Sempre foi assim e, tudo leva a crer, sempre será.

Desligo o celular. Saio da Internet. E vou dormir, suspirando: “c’est la vie.” O buraco negro cresce mais um pouquinho. O inevitável pisca e se aproxima, roubando o que ainda resta de luz.

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