Essa Vida Que Suga A Gente

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Ontem, no carro a caminho da faculdade, mencionei a um amigo que minh’alma clama por liberdade, que sinto a necessidade de um período sabático das coisas que me incomodam. “Ando tão sufocado desde que voltei a morar em São Paulo, é como se tivesse passado o último ano dando porrada na parede”, pensei, visualizando mãos em puro sangue, doloridas,… e por nada!

Mais tarde, ontem também, um novo conhecido visitou minhas fotos de 7 anos em São Paulo no Facebook, álbum que criei logo que me mudei para João Pessoa. Isso foi motivo para que eu entrasse ali e revisse o álbum. Embalado por esse acontecimento, fiz o mesmo com o álbum dos 2 anos em João Pessoa, criado ano passado quando voltei de lá.

Duas coisas me chamaram a atenção: primeiro, ambos os álbuns são repletos de momentos felizes – e, sim, eu fui muito feliz tanto em São Paulo quanto em João Pessoa; segundo, um forte desejo de me sentir assim de novo. Mas não em São Paulo, não em João Pessoa. Aqui. Agora. Na cidade onde estou morando. No trabalho que tenho. Na nova faculdade que faço.

Chega dessa saudade constante! Chega desse viver no passado! Chega do eterno esperar estar pronto! Chega de desculpas! Chega de mimimis!

Foi então que comecei a juntar as coisas. “Cling!”, a ficha caiu. Tanto as fotos dos 7 anos em São Paulo quanto as fotos dos 2 anos em João Pessoa são claras neste aspecto: os momentos felizes ali retratados eram geralmente desprovidos de passados, de cabeças pensando longe, de sufocamentos. “Não seria isso o tal desejo de liberdade, que mencionara mais cedo ao amigo no carro?”, disse pra mim mesmo.

Sabe quando parece que você anda em círculos? Que tudo na vida são compromissos e correria? Já sentiu falta daquele momento de ócio, de nadismo? Considero meu período em João Pessoa como um dos meus melhores até agora porque, apesar de eu não ser muito feliz profissionalmente – já expus em posts anteriores meus motivos para fazer a nova faculdade de engenharia química -, eu tinha tempo para ir à praia, à academia, para descansar, meditar, namorar. E tive isso de uma forma que nunca tive antes.

Não sinto essa liberdade atualmente. Claro que trabalhar e fazer faculdade – e de engenharia, que é tradicionalmente puxada – foi uma opção minha. E digo mais: nunca antes em minha vida profissional me senti mais feliz que quando estudando engenharia e pensando nas possibilidades. É isso o que quero, sem dúvidas! Gosto dos cálculos, das químicas, sou apaixonado por tudo isso.

Porém, não é a essa falta de liberdade que me refiro. Mesmo em João Pessoa eu tinha uma vida corrida. Acredito que talvez eu esteja em um tipo de prisão psicológica: de um lado, paredes grossas das lembranças do passado e de amores passados; do outro, barras de aço de compromissos, manias e vícios inúteis, que não me acrescentam nada nem na faculdade nem no trabalho e muito menos em possibilidades de relacionamentos.

É chegada a hora de praticar o desapego, coisa em que eu sempre fui muito bom. Listar as coisas inúteis que tenho feito e com que tenho me preocupado, bem como as essenciais. Continuar o estudo e o trabalho com a intensidade a que já tenho me acostumado, mas deixar de perder tempo em excesso – o excesso é o detalhe aqui! – com: Internet, Tinder, whatsapp, Facebook, jornais, canais no Youtube, séries de TV, livros que quero ler só porque todo mundo leu, filmes que quero ver só porque todo mundo viu, etc., etc., etc…. E dedicar mais esse mesmo tempo a: sair com amigos ou possíveis novos amores, passear no clube ou na natureza – afinal, o interior é delicioso por isso, muita natureza, muito caminho gostoso para se fazer a pé ou de bike -, sentar na praça e observar as pessoas ou ler um livro, andar ao léu, sentir o vento gelado de setembro contrastar com o sol de primavera no quintal de casa, dormir mais – e a Deusa sabe o quanto tenho dormido pouco -, meditar, rezar, reconectar-me com minha própria espiritualidade, brincar com minha gata ou com a cachorra aqui de casa.

Sabe? A grande verdade é que, para ter aqueles momentos felizes com os quais tanto sonho, eu só preciso abrir os olhos e olhar em volta. A vida está aí. Tem gente legal interessada em mim – pode dar certo ou não – e eu tenho medo de experimentar. Tem uma vida mais tranquila e com paz de espírito pronta a ser vivida. Só preciso de uma coisa, uma coisinha que aprendi a fazer em definitivo quando morei em João Pessoa: desapegar-me do excesso das inutilidades, deixar de consumir vorazmente a cultura que nos é vendida (filmes, livros), a informação inútil que nos é oferecida e vendida (Internet em geral, ou, mais especificamente, jornais online, canais no Youtube, posts no facebook) e o narcisismo desenfreado que nos é empurrado (redes sociais e internet em geral), parar de me preocupar ou de gastar tempo com pessoas inúteis com que tenho mantido contato recentemente, vampirinhos inconscientes de energia, e, por fim, livrar-me do excesso de “o que eles vão pensar? E se eu estiver no caminho errado? E se?”

É só tomar uma pequena decisão. Fim. Simples assim. “Deixa que digam que pensem que falem”. Eu vou é viver minha vida e ser feliz agora, porque já o sou. Só tem eu e esses vícios ou manias me impedindo. Nada mais.

Por isso, vou aproveitar que a próxima semana é feriado na faculdade (semana da pátria), e me desconectar disso tudo a partir de já. Vou até desativar meu Facebook por uma semaninha, para ajudar no processo de desintoxicação, e considerar desativar redes sociais que não me acrescentam nada, dar um tempo do whatsapp e tudo o mais que listei acima. E começar a fazer as coisas boas que listei acima. Isso, inclusive, aumenta as chances de eu postar algo novo muito em breve aqui neste blog.

Desafio aceito?😉 aye sir!

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Uma resposta para Essa Vida Que Suga A Gente

  1. Bronson Heleno disse:

    Celso, é por aí mesmo. A gente sempre se preocupa com coisas inúteis. Nem tudo que é bom para os outros é bom pra gente. Também preciso dessa coragem. Já deixei de beber álcool e refrigerantes. Agora, quem sabe outras coisas, mas o mais importante é estar de bem comigo e só. Abração. Precisamos nos ver. Inté.

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