Fim de Namoro ou Como Terminar o Namoro Quando Terminam com Você

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Ontem vi “Azul é a cor mais Quente”. Vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado (2013), o filme conta a história da relação homoafetiva entre Adèle e Emma (esta, a menina de cabelo azul). Nunca vi um filme retratar tão perfeitamente os 3 estágios de um relacionamento: são 3 horas de filme, uma para cada um dos estágios: quando elas se conhecem e se apaixonam; quando ficam juntas e de fato vivem a relação; e o término.

Confesso que o término mexeu comigo. Adèle não parava de chorar, embora continuasse a viver sua vida. Era como se uma tristeza infindável embebesse-lhe os dias, sem escapatória. Alguns anos se passam e Adèle continua a sofrer sileciosamente por anos, até que um dia se dá conta de que tudo terminou mesmo e decide seguir em frente. Mas até lá, durante anos, Adèle não sai mais com ninguém, não leva a vida em frente, enquanto Emma se relaciona com uma nova pessoa e continua a viver novamente, mesmo com as lembranças da ex.

São duas formas distintas de encarar o fim de um namoro, principalmente um cheio de sentimento, cheio de paixão.

Eu me identifico com Adèle. Meus namoros, todos os que envolveram sentimento profundo e entrega, tiveram fins assim.

Meu primeiro namorado ficou comigo por 3 meses. Eu até poderia não considerar isso um namoro, mas uma aventura, porque 3 meses não são nada. Porém, foi tudo tão forte e intenso, infinito enquanto durou, que não há como negar que foi um namoro.

Durou 3 meses. Quando terminamos… ou melhor, quando ele terminou, meu coração não entendeu e continuou conectado a ele por 2 anos. Meu primeiro livro foi escrito para ele sobre esse relacionamento. Quando terminei o livro, entendi que havia terminado. E me libertei para novos amores.

Conheci meu segundo namorado e ficamos juntos quase 3 anos. Quando terminamos, ou melhor, quando ele terminou, levei 7 anos para terminar com ele e me libertar. 7 anos!

Claro que nesse meio tempo conheci outras pessoas, até namorei um outro carinha que era perfeito, ficamos quase um ano juntos, mas eu terminei porque não conseguia me conectar. Ainda estava com o ex.

Sabe? Depois desses 7 anos, entendi que não basta terminar uma relação, cada um dos envolvidos precisa ter isso claro em seus corações. Não basta ELE terminar comigo, mas EU também preciso terminar com ele, em meu coração.

Enquanto não dizemos “basta”, “eu TAMBÉM não quero mais nada com você”, enquanto não dissermos algo assim para nós mesmos e superarmos o fim, ainda estaremos envolvidos, enamorados, em nossos corações. O término precisa vir dos dois lados. Se não, alguém continua o namoro, mesmo saindo com outros, mesmo acreditando que superou… E de repente, volta tudo, o sentimento reaparece e atrapalha novos amores. Atrapalha-nos a vida.

Meu quarto namorado, o mais recente, ficou comigo por pouco mais de 1 ano. Nos separamos porque ele foi para o Ciências sem Fronteiras e, eu, inseguro e infeliz com a vida profissional, não quis continuar morando na cidade onde estava – João Pessoa – e resolvi voltar para São Paulo para fazer engenharia química na USP.

Eu sabia também que ele viveria novas experiências por lá e, possivelmente, não voltaria a mesma pessoa. Nossa relação, mesmo comigo em João Pessoa, poderia não existir depois que ele voltasse.

Por isso, terminamos. Eu me mudei para São Paulo e, ele, para a França. Prometemos nos falar quando ele voltasse e ver se o sentimento ainda existia e, se sim, retomaríamos, mesmo à distância.

Bastou isso para que eu passasse o último ano esperando por ele. Não saí com ninguém, não fiquei com ninguém, nada! Era ele quem eu amava e quem eu queria. Ele saiu com novas pessoas lá na Europa. Eu continuei esperando. Ele mal falava comigo, eu mantinha o contato, puxava papo, iniciava as conversas. Ele terminara comigo, eu não terminara com ele, apesar de termos verbalizado o fim.

Agora, ele voltou. Eu estava para comprar a passagem para João Pessoa, embora ele mal falasse comigo, para revê-lo (e ainda farei isso). Mas a razão – “razão” – falou mais alto e eu perguntei: “volta comigo, mantemos a relação à distância, nos vemos sempre que possível e, um dia, nos mudamos e moramos juntos, quando ambos terminarem as respectivas faculdades.”

Proposta difícil, mas juro que foi sincera. Nunca terminei com ele em meu coração. Ele foi honesto e cuidadoso na resposta, que chegou uns dois dias depois: “Não sei se daria certo pra mim.”

Recebi o não, já esperado. Pois sempre soube da postura dele quanto a relações à distância. Fiquei triste. Se havia alguma esperança, ela não existe mais. Acabou mesmo.

E, assim, talvez eu finalmente entenda que acabou. Assim, agora eu me liberto e termino o namoro com ele. EU termino o namoro. Mesmo que seja só 1 ano depois, isso não significa que amei ele menos ou que ele foi menos importante – muito pelo contrário! Significa tão somente que eu amadureci nesses últimos anos e talvez precise de menos que 7 anos para me libertar.

Talvez a nova paixão não aconteça tão rapidamente. Contudo, agora pelo menos eu me abro para a possibilidade, pois EU terminei o namoro e meu coração está livre para amar. Livre, depois de tanto tempo, apesar das marcas e cicatrizes ainda em carne viva.

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