Eu queria… – sobre autossabotagem, autoestima e mais uns autos aí…

vencer limites

 

Oops!… I did it again. – Não, não vou falar da música de Britney Spears, nem do mesmo assunto dessa música. O fato é que eu realmente “fiz isso de novo”. Isso o quê?, você talvez se pergunte. Isto: Me sabotei! Por falta de uma autoestima melhor, por não me crer capaz, por me achar menor e por me preocupar demais com a opinião dos outros.

Ah! Deixa eu explicar direitinho. Comecei este ano meu segundo curso de graduação, em engenharia. Logo eu, um cara que fez Letras e Cinema, que passou uma década mergulhado exclusivamente em “humanas”. Resolvi fazer engenharia e tem sido uma de minhas melhores escolhas desde sempre. A faculdade nova me dá razões para viver, sem exagero. Contudo, nunca tive tanta certeza de que poderia.

Primeiro, achei que não passaria no vestibular. Passei. Na primeira chamada. E na Fuvest. E sem ter feito cursinho ou me matado de estudar. “Sorte”, pensei. Desde o início, tinha medo das disciplinas mais “exatas”, isto é, Cálculo I e família. Estudei muito, fiz a primeira prova e quase tirei a nota máxima, acima de 9,0. Coisa rara na faculdade. Depois, outra nota super alta em geometria analítica. “Nossa, eu sou bom nisso”, pensei. E continuei a estudar, a fazer todos os exercícios. Sempre gostei de Cálculo e qualquer coisa relativa à Matemática. Adoro a sensação de encontrar a solução para algo, aprender algo novo.

A segunda prova, de peso maior e de encerramento do semestre foi chegando… chegando… Eu fui ficando cada vez mais tenso, mais nervoso. Comecei a perceber que, apesar de ter feito todos os exercícios, tinha achado muita coisa mais difícil nessa segunda parte. “Eu preciso de 3,0”, pensei, “Com 3,0 eu passo, não é possível que eu não consiga 3,0”. Ontem, antes da prova, eu já não acreditava no 3,0. “Só falta eu ficar de exame.” E, preciso confessar, um lado meu tilintava: “O que os outros vão pensar se eu ficar de exame?” – aí aparecia a voz do Chavez: “Que burro, dá zero pra ele.”

A prova chegou. A primeira parte da prova foi extremamente difícil. A segunda, menos, mas o fator “tempo” não ajudou muito. Não fui bem. Longe do 9,1 da primeira prova. Se o professor for bonzinho na correção e eu tiver acertado o que acho que acertei, talvez eu chegue nos 5,0-6,0. Porém, o mais provável é que, se eu acertei o que penso ter acertado, eu faço os 3,0 de que preciso e olhe lá. Risco iminente de recuperação.

Mas isso nem é o que mais incomoda. O que mata mesmo são duas coisas: 1- Eu me MATEI de estudar Cálculo. Sério! Desde fevereiro que passo 12h horas todo sábado e domingo e algumas segundas estudando, fazendo todos os exercícios das listas – e indo bem nisso! Estou muito cansado e preciso de férias; 2- Eu provavelmente errei pelo menos uma questão (que valia 1,5) porque errei conta no final.

Essa questão de errar a conta – ou copiar um número errado do enunciado – já tinha acontecido na semana passada na prova de Química Geral. Imagina, uma prova em que eu sabia tudo, tudo, TUDO! E perder 2,5 pontos porque copiei um número errado do enunciado. Pior mesmo seria não passar direto em Cálculo – ter o tão merecido descanso agora em julho – porque errei uma conta (um sinal!)

Sinceramente, não é a primeira vez que isso acontece em provas. Pior: quanto mais estudo, quanto mais percebo que as pessoas acreditam que eu sou “inteligente”, que “sei muito”, blablablá, mais me cobro, mais fico tenso em provas e mais chances tenho de errar alguma bobagem. E parece que está tudo ali: eu sabia e meu inconsciente, como se quisesse me passar uma mensagem, vai e me faz errar um algo idiota, extremamente idiota! Pior: comprometendo todo o esforço de um semestre inteiro. Além das possibilidades que uma iniciação científica legal (que exigiria uma média geral na faculdade maior que 7 e nenhuma reprovação), entre outras coisas.

Seria isso autossabotagem? Pior: que medo é esse que tenho de falhar? Não acredito em mim mesmo e em minhas capacidades? OK, eu não sou o gênio da matemática. Não sou mesmo. A prova de ontem “provou” isso. E eu queria ser, juro. Gosto de Cálculo e gosto de entender essa nova forma de pensar, tão rica e que expande os pensamentos, exercita o cérebro.

Ainda me falta um pouco mais de autoestima quando falo dos estudos. Nunca acreditei, por exemplo, que poderia tirar qualquer 10,0 em alguma prova da faculdade – e aí acabo errando uma bobagenzinha que eu sabia e – voilà! – bye bye 10,0. Profecia autorrealizadora (mais um dos “autos” aqui). Outra profecia que tenho medo de eu ter realizado é a recuperação em Cálculo. Julho era meu mês de descansar de tantos fins de semana enfiado em casa estudando, longe de amigos, de possibilidades de amores. Oh well, não vou ficar me lamentando, né!

Porém, pior mesmo, é perceber que essas ações de “mim contra mim” têm acontecido de forma regular ao longo deste semestre. Apesar de estar feliz com a faculdade e com a nova vida, tenho me autossabotado desde o finzinho do ano passado: acabei engordando uns 15kg neste semestre, não tenho ido à academia – apesar de continuar pagando regularmente a mensalidade -, tenho saído e interagido pouco com amigos, tenho negado ser eu mesmo em diversos aspectos. A faculdade, atualmente, é literalmente a ÚNICA coisa que tenho que me motiva a viver, a vislumbrar novas possibilidades. É como se eu vivesse em um limbo, esperando tais possibilidades se concretizarem.

Isso está errado. Claramente, isso tudo está errado. Hora de parar e repensar a vida. Repensar tudo. A engenharia é a única certeza. Todo o resto precisa ser repassado. Tenho certeza de que enquanto eu não parar de tentar ser essa outra pessoa que tenho tentado ser, de me preocupar com opiniões alheias, de ter medo de me assumir em todos os aspectos, talvez essa autoestima baixa e essa autossabotagem permaneçam me atrapalhando… em tudo. E vou continuar sentindo que queria que tudo fosse diferente. Ah, queria! E ainda quero…

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2 respostas para Eu queria… – sobre autossabotagem, autoestima e mais uns autos aí…

  1. camilapigato disse:

    Depois responderei melhor. Natural que esta mudança te faça refletir. Tire suas merecidas férias e deixe que o tempo lhe traga algumas respostas!😀

  2. Carla Morais disse:

    Oi lembra de mim? Nos “conhecemos” em 2011, quando descobri o seu blog. Trocamos alguns e-mails, mas vc deixou de me escrever. Espero que desta vez, vc me responda, mesmo que seja para pedir que não lhe escreva mais. Não devemos nunca deixar alguém sem resposta! Então vc voltou para SP? Se ainda esteve na PB, eu iria te visitar…. E que tal conhecer o Caminho de Santiago, vamos? Quando vc puder, olha lá no meu blog a postagem que escrevi para vc, na época, a foto da postagem é uma máscara italiana. Acho que tem a ver como o que vc escreveu aqui e quando ativar o Face, me procura. Aguardo seu retorno. Um beijo no seu coração, Carla…. http://carlamoraiss.blogspot.com

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