Como largar o emprego e a profissão

Leap of faith

Leap of faith. Difícil traduzir essa expressão: “um salto de fé”? Seja como for, é o que estou fazendo exatamente agora. E não é fácil, nada fácil. Porém, às vezes, necessário. E talvez mais vezes do que de fato reconhecemos.

Acontece comigo agora. Sinto-me o Indiana Jones naquela cena de “A Última Cruzada” em que ele precisa dar seu “passo de fé”. (Clique aqui e veja a cena). Depois de muito adiar a decisão de largar minha profissão atual –  coisa em que venho pensando desde 2009, para recomeçar do zero, fazer a faculdade que eu sempre deveria ter feito e, tudo dando certo, seguir essa profissão depois dos anos de faculdade – depois de muito adiar isso, a vida me “chamou na chincha”, provou por A + B que eu não estava feliz e não seria feliz fazendo o que sempre fiz, além de que isso estava me transformando em uma pessoa amargurada, mal humorada, depressiva e sem fé nenhuma na vida. Resumindo, a vida me chamou e disse:

“Você não está perdendo tempo nessa profissão que não o faz feliz, você está perdendo vida. E para quê? Você até tem um salário razoável, que o mantém, mas não o faz crescer financeiramente. Acabou. Essa carreira e essa profissão param onde você está. É fazer isso o resto da vida, sabendo que você sempre foi infeliz, desde o início, e nem a compensação financeira você tem, embora tenha uma pequena segurança. É fazer isso ou, então, arriscar tudo, largar tudo, voltar a morar com a família, ganhar menos dinheiro por um tempo, começar outra faculdade, que lhe fará feliz e, coincidentemente, lhe trará um retorno financeiro melhor. Pode dar errado? Claro que pode. Pode dar muito errado. Mas também pode dar certo. Pouco certo. Muito certo. Mas certo! E você só vai saber fazendo. Qual sua escolha?”

Levei quase 5 anos para responder. Por medo. Medo de dar errado. Medo de perder o que eu tinha conquistado, mesmo que isso não me fizesse feliz, mesmo que isso me desanimasse. 5 anos. Ou até mais, se considerarmos o tempo em que fui atrás do sonho que implantei em mim – não, não era verdadeiro – de fazer Cinema, já sabendo que não era feliz nessa atual profissão e que não queria continuar. Se considerarmos esse tempo, contemos aí uns 12 anos pelo menos.

Fiz Cinema. Descobri que não queria Cinema em 2008. Mesmo assim, forcei a barra até o fim do ano de 2012, quando tive a certeza de que não era o que queria. 2013, portanto, começou com essa definição… e minha última desculpa para enrolar acabou. Mesmo assim, enrolei. O ano todo. Aceitei um trabalho novo na área que eu já sabia que não queria. Errei feio. Passei um semestre “do cão” – tadinho do cão. Somatizei, em diversos sintomas físicos, o estresse, a falta de vida, a falta de sono, o nada na vida. Odiei quase todos os momentos no trabalho novo. Perdi todo e qualquer estímulo que tinha. Talvez certas características do lugar em que estou tenha contribuído para isso – tenho certeza que sim. Porém, o principal responsável por isso foi eu. Eu mesmo. “O Inferno somos nós”, certo? “Onde quer que eu vá, lá estarei”, certo?

Assim, me restaram duas opções: Continuar como estava ou arriscar, tentar o “salto de fé”. E foi este último que escolhi.

No fim do ano passado, pedi demissão. A única coisa em vista era a possibilidade de passar no vestibular para a faculdade que queria. Além disso, tentei alguns concursos para professor – profissão que estou largando – de forma que eu possa trabalhar meio período e manter algumas coisas mais básicas, como o plano de saúde, enquanto estudo. Dessa forma, são 3 possibilidades de trabalho para este semestre, além da possibilidade da faculdade. Nada certo. Tudo pendente, esperando os resultados, que devem sair no fim de janeiro ou início de fevereiro.

A incerteza é terrível. Traz ansiedade. Tira o sono. Sobra-me a fé, caso eu deseje dormir tranquilamente até o fim do mês. O medo impera, contudo. Não é fácil. Preciso de mais fé. É como a oração que o antigo bispo da minha cidade fazia quando apresentava a Eucaristia na missa: “Senhor, eu creio, mas aumentai a minha fé”.

Sim. Eu creio, Senhor, eu creio. Mas, por favor, aumentai – aumentai – a minha fé.

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2 respostas para Como largar o emprego e a profissão

  1. Antes de falar alguma coisa devo te parabenizar pelo belo texto. É de uma singularidade sentimental e uma tonalidade quase poética! Eis um escritor!
    Agora, amigo, sobre suas ânsias, desilusões e decisões, digo apenas que isso é viver! Há vários caminhos de fato: alguns são atalhos, uns dão em nada e poucos são bem sucedidos. Mas a vida é feita de errar e acertar (às vezes mais errar). Porém, é melhor se arrepender do que se fez do que aquilo que nunca se tentou. O medo é inimigo, congela, mas como você falou de fé, repito o que disse o apóstolo João: “o perfeito amor lança fora o temor”. Tenha amor na sua vida! Amor pelas pequenas coisas, pelas grandes coisas, pelas pessoas que valem à pena – e pelas que também não valem, ame os seus, ame Deus, mas acima de tudo ame a si próprio! Pois no final das contas depende apenas de você!

    Forte abraço, e sempre estarei torcendo pela sua felicidade, esteja onde ela estiver!

  2. Estou muito felzi por você! Largar tudo é muito difícil, vem aquele nada pequeno desespero, principalmente no começo. Mas eu já fiz isso uma vez na vida profissional e não poderia tger feito decisão melhor!😀

    Tudo de bom😉

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