Sonhos Suicidas

Suicidal dreams Frio. Vazio. Vácuo. Escuridão. Tais palavras poderiam facilmente estar relacionadas a uma missão da NASA no espaço. Seria tão mais divertido, se de fato estivessem. Contudo, não! Não estão! O vocabulário acima descreve sentimentos, sensações, experiências de vida… da minha vida.

Tentei ser forte, juro. Desde que o namoro acabou, me segurei, mantive a amizade, arrumei ocupações para o tempo livre, para a mente. Desde aquele triste fim, decidi progredir, resolvi que faria a faculdade que sempre quis, que largaria tudo e seria feliz. Ah, feliz…!

Ainda hoje, depois de tanta coisa, acredito que encher a cabeça é a melhor coisa para sair de uma fase escura. Nunca foi, nunca foi… Desde que descobri que meu, então, namorado passou no Ciências sem Fronteiras e iria morar longe e que nós iríamos morrer, comecei a encher meu tempo, minha mente de tudo o que se pode imaginar. Abri um canal novo no Youtube, coisa que eu já decidira que não queria mais. Preenchi meu tempo da melhor forma possível, criei compromissos, me estressei, deixei sintomas se somatizarem. O tempo voou. E eu fingi a felicidade.

Até que o fim anunciado chegou. Ele se mudou para fora do país. Mudei-me de volta para minha cidade, do outro lado do país. Emprego novo, apartamento novo, amigos antigos, família mais perto, vida nova. Muita ocupação. Tempo preenchido até em excesso. O novo emprego tomou tempo, horas extras. O apartamento novo tomou tempo. Os amigos de verdade demandavam tempo para os reencontros, atualizações de papo, bem como a família.

Tique-taque, tique-taque… O tempo continuou avançando. Eu fingia não notar. O coração doía, inchava. Momentos inevitáveis de solidão. Eu mandava mensagem, nenhum retorno. Quando havia, eram dias depois. Entrava no facebook e tinha alguma foto dele. Decidi sair do facebook, parar de vê-lo, parar de saber que ele entrava online e não me respondia o “oi”. Acabou que conversamos e oficializamos o término do namoro. Pensei que isso bastaria. Ah, a ilusão!

Segui só. Oficialmente solteiro. Tentei conhecer alguém novo. Conversei com algumas pessoas. Cheguei a sair com 3 delas. Pra quê? Eu encontrava e me arrependia de imediato. Claro que não rolava nada. Não eram eles quem eu queria. Era ele. O, agora, ex.

Desisti. Resolvi sair com os amigos, pelo menos eram pessoas que de fato tinham algo em comum. Saí de balada uma vez. Percebi olhares em minha direção. Ignorei todos. Ninguém interessante. Se não fosse ele não seria interessante. Desanimei. Desisti de vez.

Acabei me perdendo nos estudos, sem tempo para nada. Sumi da Internet de vez, cancelei meu canal no Youtube, sumi. Sumi mesmo! Só de vez em quando saía com amigos, para tentar me animar.

Enquanto isso, na rotina, nas coisas do dia a dia, tudo errado. Alimentação errada. Horários errados. Sono tendendo a zero. Somatização na pele, que passou a ficar irritada, de tudo isso descrito nos parágrafos anteriores. A pia da cozinha? Uma desgraça! E continua lá, assim.

Até que a ficha caiu de vez. Eu sinto falta dele. Estou sem chão. Não sei o que fazer da vida. Nem sei quem sou direito. Autoestima é quase zero, negativa, talvez. Não acho que alguém teria interesse em mim. Nem ele, o, agora, ex. Nem ele. Sou chato. Estou ficando velho. Sou feio. Não sou malhadão. E, para piorar, sou introvertido e meio tímido. Mal sei chegar em alguém. As pessoas não costumam gostar desse tipo de pessoa. Nasci e vivo para ser um outsider, um excluído social. Todos me odeiam… inclusive eu.

Que opções me restam, se não o fim? Não, não quero morrer. Não, acho que não tenho coragem de apressar nada. Mas… olhando o horizonte negro, parece ser a única luz no fim do túnel. A única!

 

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Uma resposta para Sonhos Suicidas

  1. A luz no fim do túnel é apenas o trem se aproximando …

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