Mudanças inesperadas

mudançasQuando começamos a nos acomodar, quando a bunda começa a esquentar a cadeira, vem algo e – slap! – nos dá aquele tapa na cara. Esta semana foi semana de mudanças. Tivemos um novo Papa, com um novo nome e que promete mudar muita coisa na Igreja católica. Tivemos o dia 13 de março de 2013 (13/03/2013 = 1+3+0+3+2+0+1+3 = 13), dia do arcano 13 do tarot, A Morte, cujo significado é mudanças profundas. E, eu, tive a notícia de que uma das pessoas que mais amei nesta vida vai se mudar para outro país – mesmo que só durante um tempo.

Fiquei triste, embora feliz ao mesmo tempo, por ele. Mas foi estranho. Primeiro a ficha não caiu. Depois, caiu e quase não consegui ir trabalhar no dia seguinte de tanto que eu chorava. Chorei ao acordar, chorei no chuveiro, chorei tentando tomar café. O chororô só parou quando entendi que não, eu não o havia perdido: ainda temos alguns meses para aproveitarmos ao máximo! E é o que pretendo fazer.

Porém, ficou a questão. E depois? Será que vamos esperar um ao outro? Ou será que a vida, com o tempo e a distância vai fazer tudo se apagar? Ou simplesmente mudar? Afinal, as pessoas mudam, isso é extremamente natural. E, ao mudarmos, mudam também nossas opiniões, nossos gostos, tudo. Quando ele voltar, ainda nos amaremos? Ou seremos somente amigos? Não sei. A única certeza é de que levarei comigo uma parte dele, para sempre. Assim como o contrário também será verdadeiro. E esse pensamento me deixa tranquilo, em paz.

Sabe, estou em paz. Estou absurdamente em paz. Minha alma plana tranquila, como fumaça que sobe sem interferência do vento. A vida muda. Nós mudamos. E isso pode ser bom, depende de nós. Com essa mudança anunciada, também comecei a pensar em mim. Pensei nessa quase “estagnação” – eu planejava milhares de coisas para este ano, mas ainda não saí direito do lugar. Por quê? Porque está bom assim, para que me dar o trabalho? É… quem nunca pensou assim? E olha que muitas vezes esse pensamento é inconsciente. Ô! Se é!

E, de repente, o tapa na cara: Acorda! A vida passa! Se ele vai atrás do sonho dele, por que não eu? Por mais que um seja especial para o outro, por mais que nos amemos (e muito!), devemos seguir nossos caminhos. Se for para nos encontrarmos de novo no futuro, isso com certeza vai acontecer.

Foi então que comecei a me empolgar. Empolgar com as possibilidades. Questionamentos que pipocaram em minha mente quando estava morando em Paris, retornaram: Será que essa carreira na educação é o que eu quero? E a de engenheiro químico? Hmmm, sei não. A de cinema nem preciso mencionar, mais que provei para mim, recentemente, de que não era bem isso o que eu queria. Vamos para as opções?

Educação: é o que eu sempre fiz. Estudei para ser professor. Trabalhei como professor. Mudei de função, coordenei escolas, trabalhei com treinamento de coordenadores e elaboração de material. Por fim, acabei voltando para a coordenação. Tudo meio que “acidentalmente.” Olha, eu gosto disso, sabe? Gosto de estar nas escolas, gosto do contato com outras pessoas, gosto de alunos, gosto de estar em sala de aula. Sempre tive essa questão com o Cinema, aquele “pé atrás” que nunca me deixou me dedicar ainda mais à educação, com mestrado e tudo o mais. Este ano, quando me resolvi com a questão do cinema, desistindo da faculdade de Rádio e TV que comecei em uma universidade federal e desistindo também de fazer filmes, porque isso, no fim, só estava me estressando, sem prazer algum… quando me resolvi com relação a isso, pensei no mestrado e em Literatura, com toda certeza! Porém, já não sei mais. O estudar para o mestrado garantia mais um ano no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas e, no fim, se eu não me dedicar ou não correr atrás das coisas do mestrado, fica tudo na mesma. Afinal, mudar pra quê, né? Se está tudo bom mesmo? (Volte alguns parágrafos e veja a resposta dessa pergunta). Outra coisa interessante sobre o mestrado é onde fazê-lo. Mas não vou entrar em detalhes sobre isso aqui. E, ainda sobre a Educação: uma coisa que me chateia é que não me sinto útil para a sociedade com esse trabalho. Isso, claro, se levarmos em consideração que trabalho em um curso de idiomas, cuja clientela principal é composta quase exclusivamente pelas classes A e B. Sinto-me apagado, longe de ajudar a sociedade a mudar para melhor. O que me atraía no Cinema era a possibilidade de fazer as pessoas pensarem e, com isso, mudar um pouco a sociedade, essa coisa tão ruim e doentia em que vivemos.

Engenharia Química: Quando em Paris, essa questão me incomodou muito. Pensei e pensei e pensei bastante em voltar para minha cidade natal e me dedicar a passar no vestibular para engenharia química, fazer a faculdade e seguir essa carreira. Estranho, uma vez que desisti de engenharia para fazer Cinema – Rá! Eu fiz Cinema? Fiz sim! Fiz alguns curtas, fui para festivais, tentei webséries, até ganhei dinheiro fazendo vídeo institucional. No fim, você que acompanha este blog, sabe que broxei. Eu curto contar histórias. Curto fazer vídeos. Mas… uma carreira no Cinema? Talvez fosse legal, mas não me vejo nessa carreira. Não me vejo mesmo! Pois é, foi o que eu disse: as pessoas mudam, mudam opiniões, mudam opções de vida, inclusive. E, agora que me resolvi em relação a isso, ficou a pergunta: e a engenharia química? Eu larguei isso para fazer Cinema. Disse que não gostava de engenharia, não queria saber de trabalhar em fábricas, tinha medo do ácido sulfúrico! Contudo, as memórias do colégio técnico e as possibilidades de vida se eu tivesse feito engenharia vivem me atormentando. Será?

A terceira opção: OK. Isto aqui é algo que me zonza há um bom tempo e que ficou bem sério quando eu estava em Paris. Cheguei a cogitar isso com seriedade, mas não, não tinha nada a ver. Pelo menos, não naquele momento. Agora, com os novos questionamentos, volta a me atormentar. Pode parecer estranho, pois é algo que mantenho em segredo só para mim. Algo que já vivenciei de perto através de um amigo, que teve uma experiência bastante negativa com isso. Aliás, é a primeira vez que vou expôr esse pensamento. Verdade, me dá um pouco de vergonha falar nisso, pois sei que, quem me conhece, conhece um perfil bastante diferente. Embora que, se você pensar bem, não tem muito de diferente assim não. Vamos lá: a) sempre fui muito religioso; b) quando me decepcionei com a Igreja católica, fugi para a Wicca e cheguei a passar alguns anos estudando e aprendendo sobre bruxaria, embora eu nunca tenha me iniciado nem nada assim… mas o que me atraía bastante na Wicca era o fato de todos os iniciados serem sacerdotes; c) sempre gostei muito de ler e estudar sobre religiões em geral; d) depois de visitar Fátima em 2010, tive uma segunda experiência mística e isso acabou, aos poucos, me puxando de volta à Igreja católica, embora não sem conflitos grandes; e) tento ser uma boa pessoa, independente de religião; f) gosto de ficar em silêncio, rezar, meditar, sentir a presença de Deus; g) gosto de pessoas e gostaria de estar em uma posição em que ajudar os outros fosse minha primeira opção, bem como quebrar com essa sociedade egoísta, consumista e individualista; h) acredito piamente em Deus e sinto sua presença manifestada em praticamente tudo e todos.
É! Apesar do mistério, acho que você já desconfia qual seja essa terceira opção que vem me atormentar: Entrar para um seminário e ser ordenado padre da Igreja católica. Apesar dos pesares, apesar de eu mesmo discordar de algumas coisas. O motivo principal, no entanto, seria a possibilidade de influenciar positivamente as pessoas e a sociedade, além de poder ser extremamente atuante, seja ajudando os que mais precisam, seja lutando por soluções políticas e conscientizando as pessoas. Não sei se só – “só” – isso seria suficiente para ser padre. E devo me lembrar que essa escolha implicaria em uma série de renuncias e tal – como, por exemplo, o sonho de ser pai, um dia… se bem que “padre” quer dizer “pai”, errr, ahn, enfim… Ou seja, não tenho certeza nenhuma sobre isso.

Aliás, não tenho certeza nenhuma sobre nada! Sei que o caminho mais fácil é deixar tudo como está, tentar o mestrado e ir com o fluir do riacho. Porém, se a mudança vem bater em minha porta, vou ou não aproveitar o momento para tentar algo novo?

Coincidência ou não, meu inconsciente vem me mandando mensagens através de sonhos – que minha querida terapeuta fodona me ajuda a interpretar. Em vários deles, a mensagem de mudança: tenho permissão do inconsciente para tentar o novo. Os sinais de mudança e de que preciso “economizar” minhas energias para esse momento estão sempre presentes.

Assim sendo, creio que ignorar tamanhos sinais e chamados seja tolice. Falta, porém, a resposta à grande pergunta: o que fazer?

Dá vontade de sair para o caminho de Santiago de Compostela, que sonho em fazer há mais de 20 anos. Esse caminho, por conta de seu teor altamente espiritual e de meditação e oração, poderia ser o tempo que preciso para pensar melhor em tudo isso. É! Dá vontade mesmo. Porém, estou muito tranquilo. Diferentemente das outras vezes, isso não me tira o sono, não me deixa mal… só me faz pensar. Confesso, inclusive, que a tendência é eu escolher a opção 1, a educação, o mestrado, mas talvez com um elemento novo, que ainda não imaginei. Só preciso ter cuidado de não ficar nessa lenga-lenga para sempre e perder o trem, ficando para trás na mesma estação, à espera de um segundo trem que talvez nunca passe.

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2 respostas para Mudanças inesperadas

  1. Bronson disse:

    Parece engraçado, mas a gnt tem quase sempre questionamentos parecidos. Quanto a opção educação, acho que já dei a minha parte, foi bom, mas não é isso que quero pra minha vida. A arte, ah, a arte, eu ainda não desisti, mas o meu empenho talvez seja o sinal de que esse meu sonho pelo jeito ficará no sonho, e a vida religiosa foi algo que precisei viver para ter a certeza de muitas coisas. O que gosto mesmo é o que faço hoje, política! Ajudar as pessoas por mais que estas não entendam assim. Mas, estamos aí… vivendo!!! Abração!!!

    • Strider disse:

      Verdade, Bronson. Nossa vibe, em geral, sempre foi bastante parecida.🙂 Vai ver é por isso que somos amigos há tanto tempo.

      Sobre a arte, não desisti não. Talvez tenha desistido do cinema, mas qualquer que seja a opção que eu escolher (as 3 do post ou até outra ainda não imaginada), escrever vaimvir junto no pacote, pode ter certeza.🙂

      É “nóis”!

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