Inatingível

Observe bem a foto acima. É assim que me sinto ao olhar dentro de mim mesmo e pensar nas coisas que gostaria de alcançar. Olho para a fonte, mas só posso tentar imaginar como é lá em cima. Não tem trilha, não tem cordas para escalar, nada. Só eu e a terrível distância. Só eu e a promessa efêmera de algo que existe, mas que só pertence aos Deuses. Sou o povo grego que olhava para o pico cheio de nuvens do monte Olimpo. Sou o povo irlandês que buscava o fim do arco-íris.

Hoje, pouco mais de 2 anos após iniciar este blog – e após mudar milhares de coisas – ainda me sinto ali, olhando o pico invisível do Olimpo, procurando Athena, Zeus e Apolo. Uma pergunta ecoa em um looping infinito: Foi o caminho certo? Caminhei em direção àquilo que poderia ser chamado de meu Eu Verdadeiro? Ou simplesmente dei vazão a um monte de coisas que acreditava ser Eu, só para me distanciar de outras coisas que me incomodavam, que me deixavam triste, mas acabei criando um outro fake de mim mesmo? E, se caminhei mesmo na direção de mim mesmo, por que continuo triste? Triste.

Publiquei no Facebook: “Não era minha cidade natal. Não era São Paulo. Não era Paris. Não é João Pessoa. Não era nenhum detalhe sobre mim. Não era porque eu estava acima do peso ou porque estava magro demais. Nem é quantos anos tenho. Não era eu estar solteiro ou estar namorando. Não era nada, mas eu. É, sempre foi e sempre será eu. Eu, eu, eu. É esse o problema. Morrerei sentindo-me só e sem ninguém só porque sou eu.”

Então, olho novamente para o alto da montanha. É essa a montanha certa? Ou, após escalá-la, caso isso seja mesmo possível, encontrarei mais do mesmo, mais de nada? E, se estou mesmo no caminho certo, por que essa constante “deprê”, que vem e vai, vai e vem? E quando vem, vem com tudo. E quando vai, não vai, só fica de lado, fica ali, escondida por excesso de atividades, por outras preocupações. Eu já culpei a cidade em que morava, já culpei a carreira que escolhi, já culpei o ex, já culpei a falta de uma pessoa especial, já culpei estar fora de forma… e hoje vejo que não é nada disso. A constante está ali. Tenho tudo para ser feliz, tudo. Eu gosto do que faço, gosto de trabalhar com o que trabalho – embora certas coisas me desanimem às vezes. Gosto do meu atual namorado. Gosto da cidade onde moro – mesmo morrendo de saudades de pessoas, memórias e lugares de minha antiga cidade – acho difícil algum lugar ser melhor que São Paulo. Eu não precisava de mais nada. Não precisava de outra faculdade – talvez seguir adiante com mestrado e doutorado, apenas. Não precisava querer mudar mais ainda fisicamente. Não precisava desejar São Paulo ou sonhar, às vezes, com o passado. Nada. Absolutamente nada.

Contudo, são as amarras que não consigo ver, as cordas invisíveis que costuram minha própria personalidade e que me fazem descrer em mim mesmo, me fazem questionar a possibilidade de mudança. O que eu queria era ser outro. O que eu queria era saber agir de outra forma. Era saber sorrir. Era saber me abrir e impor minha personalidade. Era saber desligar e curtir o momento, seja lá qual fosse este. Creio que para tanto, eu deveria ver o mundo de outra forma, acreditar em outras coisas, ter outras lembranças, ser um outro alguém. E assim, olho para o alto do monte Olimpo, inatingível. Nem consigo imaginar como seria ser outro. Nem ao menos consigo visualizar o que seria esse outro Eu, com essa mente tão diferente, produzindo resultados tão mais interessantes, fazendo com que eu fosse não somente alguém melhor para o mundo, mas me trazendo oportunidades de carreira, de vida… e vida.

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4 respostas para Inatingível

  1. camilapigato disse:

    Faz tempo que não escrevo aqui… sabe, na minha escalada eu também percebi vários questionamentos como os seus. Se você ainda não encontrou a essência, parar de procurar é que não vai ajudar, pois o caminho é este!🙂 Compreendo a angústia… paramos de nos importar com coisas artificiais e passamos a cultivar tudo o que é relacionado a nós, como o trabalho, o corpo, o amor, etc. Estes são mecanismos ligados diretamente ao Ser, que ajudam neste autoconhecimento. Quando nem isso resolve, fica-se sem saber como prosseguir. Continue exercitando cada um deles, continue perguntando: “por que?”. A mentalidade de pergunta, no tempo certo, irá atrair as respostas.
    Abraço!

  2. ca disse:

    Que tal nao olhar pro topo da montanha e aproveitar toda a vista que se tem na escalada? Defina sua meta, trace seus caminhos, mas nao se importe apenas com o final, afinal, o final nao existe. Se vc ficar esperando felicidade plena apos conseguir algumas coisas nunca vai achar felicidade nenhuma. A felicidade esta na vontade de viver, de descobrir, se aventurar e escalar a montanha todo dia.🙂

  3. Du disse:

    Fiquei surpreendido pelo que você escreveu , pois me identifiquei muito com você e seus pensamentos…Ao menos para min , isso traz um certo conforto, de saber que existem pessoas que assim como eu também mergulham no seu eu em buscas de respostas .

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