Inspiração

Filmes podem ser inspiradores! E sim… ver o filme certo na hora certa pode fazer uma grande diferença. Foi o que aconteceu sábado passado quando vi A Invenção de Hugo Cabret no cinema.

Se você acompanha este blog, sabe muito bem como o post anterior foi extremamente down, deprê mesmo. Desde que resolvi assumir que me sentia assim, comecei a ir atrás da solução para esse “pequeno problema”. Em tempo: nunca fui de me entregar a esse tipo de sentimento. Por isso mesmo, acredito que, muitas vezes, forço a barra para sentir-me bem ou para parecer sempre bem .

“Ah! Mas o que tem a ver o filme que você viu com isso de estar deprê?” Boa pergunta. Na verdade, não tem nada a ver. Estar meio down – e confesso que ainda estou, embora eu não esteja tão depressivo como estava há 7 dias – é uma soma de fatores. O que o filme fez foi iluminar um desses fatores. Um que anda me incomodando há um tempo: O próprio Cinema. Ou melhor, a vontade/desejo de fazer Cinema.

No filme, a história de Hugo se cruza com a de um dos primeiros cineastas da história – o praticamente inventor dos efeitos especiais: Georges Méliès (clique aqui para ver um de seus filmes mais conhecidos: Le Voyage dans la Lune). Georges, no filme, era um homem que havia desistido de seus sonhos e tinha sido esquecido pelo público – aliás, considerado morto na primeira guerra mundial – e vivia anonimamente como um vendedor de doces e brinquedos em uma loja na estação de Montparnasse, Paris (Isso realmente aconteceu com Méliès). Ele era amargurado e triste. E havia optado por esquecer sua vida anterior, como cineasta.

Foi no recontar da história de Méliès que tive um vislumbre da minha própria história. Mais ainda: como Méliès, eu optei por trancar com chave tudo o que fiz no passado como cineasta: meus curtas, os festivais de que participei, o prêmio de melhor curta que cheguei a ganhar. Confesso que chorei de maneira compulsiva no fim do filme e só saí da sala de cinema porque os créditos haviam acabado e os funcionários do local estavam ali, esperando.

Conclusões? Poucas, para ser honesto. Porém, muitas novas questões. O que de certa maneira é bom, pois o que nos move são muito mais as perguntas que as respostas. É verdade que eu sempre fiz Cinema por prazer, por curtir tudo aquilo, por me divertir com o processo de realização de uma história que nasceu em mim, por ver as coisas que imaginei se tornarem reais, com atores, cenários, etc. Eu sempre curti muito tudo isso. E sempre me diverti. Muito! Quando parei, foi justamente quando passei a tratar o Cinema como fonte de renda, não como fonte de prazer. Eu já me considerava profissional o suficiente para abraçar a carreira… e só o que vi foram “panelinhas”, pessoas interessadas em troca de favores por um namoro, uma noite “caliente”, digamos. Talvez eu tenha encontrado as pessoas erradas, vivenciado uma experiência incorreta. Meu caminho deveria ter sido outro. (?) E, sim, concordo que não fiz muito por minha carreira no Cinema, sempre me dediquei mais à carreira que me sustentava, e que ainda me traz dinheiro.

Será que saber desse pequeno detalhe – que a falta de prazer em fazer filmes me desmotivou -, será que isso é capaz de me trazer de volta a vontade de fazer filmes? Será que, se pelo menos por enquanto, eu decidir que o prazer em contar minhas histórias, em filmar meus curtas, independente de ter de fazer algo que seria “vendável”, independente de procurar agradar outras pessoas no processo e voltar a acreditar em mim e me divertir de novo com isso tudo, será que, assim, sou capaz de retomar a animação, a esperança e a fé iniciais, perdidas há 4 anos? Será…?

Esse post foi publicado em Trabalho e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Inspiração

  1. camilapigato disse:

    Sim!😀 Volte a acreditar em você, faça pelo prazer e nada mais, assim, até o dinheiro pode vir, mas isso é secundário. Foi por acreditar em não acreditatar mais em mim e fazer como o Méliès, que passei a madrugada de domingo para segunda vomitando e até agora só como frutinhas…rs… Bjão!

  2. Você sabe que assim que me chamar, estou pronto para os filmes!!! Tenho muita saudade desse tempo, dos Divinos, da feitura de roteiro, de ficar bravo em ter que fazer a mesma cena duzentas vezes, era, um puro e simples prazer de estar ali e fazer filmes! Saudade, amigo, muita saudade, além disso, também sei que preciso fazer isso, correr atrás do que quero e acredito ser a minha felicidade! =] Abração!!!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s