Cansado

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Há um tempo minha visão pessoal do viver se resume a me esforçar para acordar e suportar o fim das coisas. Sem prazer, sem ânimo, sem motivos. Salvo algumas vezes, quando parece que algo funciona ali no fundinho e as coisas parecem adquirir um pouco mais de sentido. Porém, não é assim na maior parte do tempo.

Culpei um monte de coisas: era o trabalho que não me agradava, era o ex que não me saía da cabeça, era a cidade que estava me cansando, era a tal da solteirice. As desculpas foram resolvidas e, hoje, não acho que possa usar qualquer uma delas. Talvez algumas novas? A nova cidade, a distância de pessoas queridas e de lembranças boas, o fato de estar sozinho. Puff!

Lembro que ano passado saí de um período extremamente down ao voltar a pensar em cinema. De outubro a dezembro, me ocupei com isso, prestei vestibular, passei em primeiro no curso que queria, coloquei o site da minha produtora no ar, gravei um vídeo comercial e então… O nada. De novo. Insistindo em dar as caras. E, de novo, a ideia de seguir meu sonho antigo, de fazer filmes, me parece absurda e olho para tal possibilidade com desdém e a melhor cara de “tô pouco me fudendo.” Aí, de novo, aquela que parecia a única razão de ser – e que, durante anos e anos, foi a única razão de ser – desaparece e não tem mais importância alguma.

“De outubro a dezembro?”, você pergunta. É… Dezembro nem chegou ao fim e eu voltei a não ver muita razão nas coisas. Nem naquela que parecia ser a única. E pior: sem razão, eu entro em um mundo de sonhos, de uma realidade que foi e parece ter acabado. Sinto falta da época em que gravava curtas, em que gravava pelo menos um filme por ano, quando meus olhos brilhavam a cada nova possibilidade, quando me divertia com roteiros, produção, filmagens, edição e lançamento (embora só tenha participado de alguns festivais, mais nada)… quando eu acreditava no mundo, na vida, em mim. Onde foi que isso tudo ficou? Por que foi que acabou de um dia para outro?

Por fim, esse desânimo todo me faz pensar que estou velho… velho para qualquer coisa. Você que me conhece pode rir, pensar “ele ‘só’ tem 30 anos” e pode até ser que as novas pessoas que me conhecem achem que eu tenha uns 25 ou menos – é difícil falar minha idade para pessoas que não me conhecem, a maioria simplesmente não acredita, eu tenho mesmo cara de mais novo. Mas e aí? E daí? Eu sinto como se minha vida tivesse acabado. Sinto-me MUITO mais velho do que sou. Sinto-me desinteressante para qualquer pessoa que eu conheça. Sinto-me pronto pra morte, como se essa fosse minha única opção. Acho que se eu tivesse 17 anos, não me sentiria velho como me sinto hoje. Mais do que 20, eu já seria jurássico. Vai ver foi para ter essa sensação de 17 que resolvi fazer vestibular. Bem apropriado, né? “Old, Alone, Done for!”, gritavam os meninos perdidos para Hook quando ele está prestes a ser derrotado. “Old, Alone, Done for!”

É assim desde 2008. É assim faz 4 anos. Às vezes me animo – muitas vezes por semana até, muitas vezes por dia até – às vezes, talvez a maioria delas, simplesmente encaro a vida como uma longa piscina, em que entramos prendendo a respiração, acreditando que terei oxigênio de novo ao sair do outro lado. E talvez a vida seja isso mesmo. Vamos torcer para que acabe logo de forma indolor.

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2 respostas para Cansado

  1. Camila disse:

    Jesus… as mesmas coisas que eu… Se eu for dar detalhes, escrevo o livro que estou relutando em escrever. Isso. Relutando em fazer o que me move. Relutando em aceitar de uma vez encarar que este brilho no olhar do qual você falou, pode ser para mim, que eu já me desviei o suficiente e que agora, sinto muito, mas preciso ser feliz. Por mais que eu negue! Acredite em você, pare de encontrar desculpas, e viva a felicidade pela qual você instintivamente lutou e, sim, merece!
    Beijão!!!!

  2. Carla Morais disse:

    Meu caro escritor, sinto lhe dizer que morrer não é a opção, vc irá se surpreender do outro lado e acredite, vai desejar ter continuado vivo! Já viu a construção de uma casa? Ela não se ergue em um dia. Enfrenta vários obstáculos como a mudança do clima, algum funcionário que faltou, a falta de material, até, finalmente, estar pronta. E isso pode durar muito, muito tempo! Por que seria diferente com vc e seus projetos? Uma amiga minha, na época da nossa adolescência, prestou vestibular para Educação Física e não passou. Fez outro curso, passou, mas este não era o seu sonho e ela não queria abdicar dele. Continuou fazendo o que não queria até que, depois de quatro anos, conseguiu finalmente passar em EF e hoje, ela tem uma academia. Esse é o segredo, nunca deixar de acreditar que pode ser possível e jamais desistir, apesar de todos os obstáculos. E vc só tem 30 anos (jurava que tinha mais!). Se a morte fosse solucionar todos os problemas, não teria mais ninguém vivo na terra, não é? Então, o que posso lhe dizer que ainda não disse? A vida é muito mais que um dia atrás do outro e vc comanda tudo isso, encontre o seu jeito e não desista disso, apesar de toda grande vontade de desistir. Vou te contar uma outra história: Eu era noiva e o meu noivo era médico do Exército. O seu maior sonho, era clinicar na África e depois de muitas tentativas frustadas, ele conseguiu, mas tinha um pórem… se eu aceitasse o seu pedido de casamento, eu teria de abdicar do meu emprego, da faculdade e porque não dizer, da vida que eu construí aqui. Aceitei! Ele era o parceiro que eu queria ao meu lado. Acontece que nem tudo é como a gente gostaria que fosse e às vezes, a vida nos surpreende e nos faz perguntar; Por que?! Então, ele foi na frente, organizou tudo pra minha chegada e voltou ao Brasil pra gente casar. Tínhamos pouco tempo para resolver tudo e foi aí que aconteceu o acidente… eu estava ao seu lado no carro e foi o seu corpo que salvou a minha vida – seu último gesto foi tentar me proteger! Quando eu acordei, eu havia perdido tudo, principalmente a vontade de viver! E foram meses que passei isolada na minha escuridão, sem querer ver ninguém, sem querer nenhum tipo de ajuda; não tive coragem de pôr fim a minha vida, mas o estado psicológico em que eu me encontrava, era praticamente um suicídio. Até que um dia, abri a porta e deixei o sol entrar. Não me arrependo por ter vivio a minha tristeza, eu precisava disso para perceber que a vida era muito maior e que ele não merecia que eu desistisse de tudo por conta da dor, do desânimo, da falta de coragem, enfim…. não foi por aquela mulher que ele se apaixonou e acreditou que era a certa para estar ao seu lado numa mudança de vida tão radical. E voltei pra vida! E hoje, eu te falo, não importa o quanto seja difícil, nem os nãos que recebo, nem as tragédias que acontecem, nem toda dor que ainda vou sentir nos caminhos da existência, nada me fará desistir de mim; eu quero e vou continuar acreditando que posso mudar tudo e ser feliz. E sou, a minha maneira! Não sei se as minhas palavras vão te ajudar no momento, eu só desejo que vc abra a janela da sua vida e deixe o sol entrar. Tudo passe e isso, também irá passar! Bjs…….

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