O relacionamento ideal

Comecei a escrever o post e, então, lembrei que eu tenho um texto que expressa tudinho o que eu queria escrever aqui, só que de uma forma ainda melhor. Por isso, vou colocar o texto aqui. É como me sinto… desde quando o escrevi, em 2006, logo após terminar um namoro muito especial:

Que Bom Será

Como será bom acordar em um domingo de manhã, sentindo o cheiro de café pronto tiritando o ar que exala da cozinha. Olhar para fora, perceber um certo desânimo na vida, um bufar esbranquiçado de clima gélido, e sentir-se protegido, ali: a cama, extremamente convidativa, o cobertor, cheiroso, atrativo, competindo piamente contra o odor imaculado do café.

– Vem comer – dirá ele, doce, servindo um selinho de desjejum.

E espreguiçar-se. Bom-dia à vida. A mesa da copa decorada: frutas, sucos, iogurte, pães. Mãos dadas. O telefone quieto. A agenda vazia. O relógio em slow motion, contrariando a percepção temporal da felicidade.

– O que é de hoje? – e fazer planos enquanto a manteiga escorre derretida no pão quentinho. Cinema? Ibirapuera? Shopping? Feirinha? Ao sentir a fria garoa sabotar o ânimo – ou esquentá-lo ainda mais –, repor energias ao sabor de um bate-papo sorridente e sentir a cama nos dedinhos chamando: “Vêm”.

Então, repetirmos um café da manhã muito mais caloroso, na cumplicidade das cobertas, e decidirmos que aquela é a única vida que poderíamos querer. O calor dos braços, o lullaby do coração, a hipnose da respiração.

– Almoçamos fora?

– Que tal um vídeo?

– Passamos no supermercado para a pipoca.

– Eu dirijo.

Beijo.

Ele tomará as decisões. Que caminho percorrer. A que restaurante ir. Que filme escolher. Saber que, pelo menos aos domingos, eu não terei de fazer escolhas ou liderar um grande número de pessoas. Isso é que é dia santo.

E vermos o sol, ao sair, atingindo gentil o cardápio na mesa. O garçon, atencioso, o vinho, caro, e, a música ao vivo, clássica, ao violino. Pedir frutos do mar à italiana, abusar da sobremesa, e, após ignorarmos o restante do mundo na locadora, viajando em filmes que teremos visto ou quereremos ver, voltar para nossa casa, quentinha, pedindo música e um copo de Perrier, e dançar esquecidos, com o DVD desligado e a pipoca longe do microondas.

Decidir assistir ao filme, abraçadinhos, em um afago para lá de deslumbrante, que pode fazer qualquer cinema bom. Lá pelas 19, ele sugerir uma pizzaria, embrulharmo-nos novamente em casacos pesados, e sairmos de mãos dadas pelas ruas, sorrindo ao notar a inveja dos passantes.

Por fim, caminharmos na pracinha toda iluminada, fingindo preocuparmo-nos com a digestão. A lua dar as caras para nós, e, apaixonado, ele me beijar despindo um “eu amo você” mais sincero que a própria alma, nua, ao luar.

Quando voltarmos para casa, no fim do dia, dormiremos juntos, sem pensar que o dia seguinte é segunda-feira. Pois no instante em que eu acordar, ele estará ali, dormindo, lembrando-me que as segundas-feiras também são dias bons para degustar as memórias do domingo anterior e sonhar em planos com domingos e dias em que ele estará sempre ao meu lado. Que bom será!

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