Pensando – parte final

(este post é continuação direta deste – parte 1 – e deste – parte 2)

O que ele não sabia, porém, era como ele estava errado. Não havia forma alguma de eu deixar meus sonhos para trás, mesmo se ficasse com ele na minha cidade. Ele me inspirava. Eu teria pensado em outra estratégia, sei que teria. Contudo, o que acabou acontecendo foi o inverso. Ao perdê-lo, perdi o chão. O mesmo chão que parece estar perdido ainda hoje. O mesmo chão da questão colocada na primeira parte deste post.

A distância física, que deveria ajudar, fez com que eu buscasse outras formas de aparecer para ele: redes sociais, amigos em comum, etc. Eu, que não era uma pessoa de Internet, que mal ficava on-line, mudei radicalmente. E só me interessava namorar ou ficar com alguém se, de alguma forma, eu pudesse mostrar isso para ele.

Mas não é verdade que tudo, depois, foi inútil. Ele também me impulsionou. Já que eu estava em São Paulo para estudar Cinema, foi o que fiz. Estudei. Escrevi, produzi e dirigi filmes. Fiz um pouco de dinheiro com alguns filmes, porém, na grande maioria dos casos, os filmes serviram “somente” como aprendizagem.

Com o tempo, parece até que eu o esqueci. Sério. Às vezes até parecia que eu tinha conhecido alguém que pudesse me inspirar também, por quem pudesse me apaixonar, mas eu nunca era correspondido nesses casos. Mesmo assim, embora eu tivesse conhecido outras pessoas, até mesmo namorado quase 1 ano depois, nunca consegui me apaixonar de novo. Pode ter sido medo de me machucar outra vez. Só que, na verdade, nunca pude esquecê-lo. Atingi minha melhor forma por causa dele, 2 anos após o término do namoro. Eu fiz meus filmes, participei de festivais, ganhei um deles, melhorei minha forma física, minha aparência, namorei, tudo com o seguinte motto: “Se eu o perdi por causa disso, vou fazer valer a pena.” Sim, eu pensava assim.

Tudo o que fiz, portanto, foi principalmente por ele, não tanto por mim. E quando percebi que isso tudo não lhe chamava a atenção, parecia que atingi o alge “à toa”, quando isso aconteceu, eu perdi o rumo. Isso já tem pouco mais de 3 anos. São Paulo perdeu o atrativo. Minhas paixões ficaram de lado – ainda hoje não tenho mais vontade, motivação, fé para o Cinema, por exemplo. Perdi toda a ótima forma física que eu tinha alcançado. A vida perdeu o sentido. É como se nada disso valesse a pena se ele também não se importava. Será que não mesmo?

Fato, então, é que estou “sem chão” desde 2008 quando me dei conta de que tinha feito tudo por ele. Quando, de uma hora para outra, tudo perdeu o sentido. Até resolvi me dedicar à única carreira que eu realmente tinha, a de Letras. Resolvi que deveria ou abrir uma escola ou ir trabalhar na Sede Nacional da rede em que trabalhava como coordenador. E, 3 meses depois dessa decisão, eu estava lá na Sede. Foi uma época maravilhosa, mas, se considerarmos o lado pessoal, nunca fui tão pouco eu mesmo: desanimado com Cinema ou livros (o contar histórias), apesar de algum esforço sem alma; desisti de amar; mudei minha personalidade. É estranho, mas, desde então, sinto falta de uma pessoa mais leve, mais solta, mais brincalhona, mais extrovertido, muito menos séria – antes, me diziam que eu não conseguia falar sério por mais de 5 minutos, por exemplo.

É pensando, agora, que chego nessas conclusões. Isso nem sempre esteve claro pra mim. Nesses 3 anos, consegui desviar minha atenção do que acontecia por várias vezes (e espero não estar fazendo isso outra vez). É pensando, então, que aprendi: Mais que meu ex, sinto falta, hoje, de mim mesmo. Sinto falta da pessoa que fui, da personalidade mais jovem que, quase de uma hora para outra, morreu. Sinto falta da forma física, da esperança e energia para fazer filmes, escrever. Sinto falta de ter fé na vida e não somente viver esperando que um dia acabe, e que acabe logo de preferência. É como se um lado meu acreditasse que, ao encontrar alguém especial, tudo isso voltaria magicamente. E esse lado acredita mesmo nisso. Acredita e coloca o nome disso no ex. Não, não vai voltar. Sei disso agora. Também pensei que eu pudesse conseguir tudo de volta se tornasse a ser coordenador e estar nas escolas. E não voltou. Não faz diferença. Como somos capazes de nos iludir tanto assim, principalmente se sempre tivemos as respostas? Hein?

Sinto falta de mim. Sinto falta da esperança na vida. Sinto falta dos sorrisos, do ser feliz. Quero isso tudo de volta. Eu até amaria ter meu ex de novo, mas ele não também não é garantia de nada disso. Até porque, hoje, ele é uma pessoa bem diferente daquela que namorei. E mesmo se fosse igual, seria ele capaz de inspirar tudo isso em mim novamente? Seria?

Só sei que não quero mais a condição atual. Não quero mais achar que a vida é inútil, que estamos aqui esperando que ela acabe… e tomara que acabe logo, porque viver dói. Não quero pensar assim. Sinto falta de mim. Sinto falta de acreditar na vida. É… eu sei o que quero. Todavia, não sei como chegar lá.  Estou em mar aberto sem dar pé. Estou sem chão.

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