Pensando – parte 2

(este post é continuação direta do anterior)

Nunca que havia me apaixonado tanto por alguém. Com a perda, parecia que havia perdido minha própria identidade. Aos poucos, de diversas maneiras, tentei – ou assim me parece hoje – me apropriar da identidade dele. Dediquei-me à carreira de professor de idiomas e comecei a pensar seguí-la de forma definitiva. Comecei a criar vínculos com os amigos dele (que nem da minha cidade eram). Comecei a sair longe da minha cidade, com tais amigos. Sério… eu virei um pouquinho dele.

Foi assim por quase um ano depois de terminarmos, até eu notar que isso não era bom, não ajudava. Até eu descobrir que conhecer outras pessoas, sair com elas só para que ele ficasse sabendo, estava me machucando mais que ajudando. Parei. E me isolei. Aproveitei toda essa energia e escrevi meu primeiro livro. É engraçado pensar que, na hora em que decidi ser eu mesmo, a primeira coisa que me veio à mente foi contar uma história. No caso, a história de um primeiro amor, igualzinho ao meu. Passei quase um ano escrevendo, entre faculdade e trabalho. Um ano em que revisitei meu “primeiro” relacionamento em detalhes, através de um personagem. Um ano em que fui ao fundo do poço, mas em que exorcisei cada demônio que podia existir. O fim da história do livro? Simples: descobrimos que toda a narração era uma carta de suicídio do personagem principal, decepcionado com o fim do relacionamento.

Mas foi acabar o livro e senti-me livre. Voltei a estar disponível para o amor. Voltei a ser eu mesmo. Voltei a escrever. Criei um site de Literatura em que publicava vários textos sob diversos pseudônimos, um site super bem visitado, aliás (havia pelo menos 500 assinantes das atualizações, fora as visitas normais de quem não assinava). E não demorou muito para eu começar a trabalhar no segundo livro. Eu continuava a dar aulas. Na verdade, eu começava a coordenar a escola. Era um meio de vida e eu pensava assim “É minha escada, assim que eu publicar algo e seguir nesta outra carreira, largo tudo”.

E foi nessa época de liberdade que conheci aquele por quem ainda parece que sinto algo, aquele por quem fui apaixonado, mais ainda que pelo primeiro. Namoramos 3 anos. E havia algo nele que me ajudava a ser eu mesmo. Era exatamente como um poema que estudei nos anos de faculdade: I love you,/Not only for what you are,/but for what I am/When I’m with you (leia poema completo aqui – um dos que mais fizeram sentido em minha vida). E era verdade. Eu o amei, não só por causa de quem ele era, mas por quem eu era quando estava com ele. E talvez, hoje, eu sinta mais saudades de quem eu era, do que dele. Talvez todo esse desejo e saudades… não seja por ele, mas por mim, ou por quem eu era quando estava com ele.

Quando eu estava com ele, eu sabia exatamente quem era, o que queria e acreditava nisso. Eu acreditava em mim. Escrevi meu segundo livro, histórias em quadrinhos, crônicas (todos publicados no tal site)… eu voltei a acreditar que poderia fazer Cinema. Eu tomei a decisão de me mudar para São Paulo e acreditar no meu sonho. Mais importante: acreditar em mim. O que é isso que ele tinha que me fazia ser eu mesmo, acreditar tanto em mim?

Quando fui para São Paulo – e eu só fui porque ele iria comigo -, ele me disse que não queria ir para lá, que não se sentia bem lá, que só não me disse isso antes porque ele me seguraria, ele sabia – e era verdade – que eu ficaria na minha cidade por ele e deixaria todos meus sonhos para trás. Por isso e por não acreditar que nossa relação daria certo com essa distância, muito menos com uma mentira dessas entre a gente, ele preferia terminar. E acabou. Muito mal acabado, diga-se de passagem.

(De novo, para não ficar muito longo, to be concluded…)

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2 respostas para Pensando – parte 2

  1. Roberto disse:

    O erro está em você deixar a sua felicidade nas mãos de uma outra pessoa – você deve ser feliz sozinho e, se tiver alguém, que essa pessoa seja a cereja do bolo apenas…

  2. Strider disse:

    Sim… A razão concorda contigo. E veja bem… talvez a questão não seja ele… talvez eu sinta mesmo falta de ser quem eu era quando estava com ele. Espere a parte 3 do post😉

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