Pensando – parte 1

Assim como eu, você deve ter sentido, nestes posts mais recentes do blog, isto é, nos posts depois da volta do blog, que pareço ter perdido o chão, estar mais desmontado que em qualquer outra época. Sabe, retomei a terapia hoje, com a mesma terapeuta de antes, apesar da distância – o que seria da gente sem essa tecnologia toda, né? -, e ela me disse o mesmo: que sente, nos posts mais recentes que estou sem chão, que antes parecia haver uma linha, uma lógica… o que aconteceu?

Responder isso pode ser complicado. Afinal, coisas que antes faziam sentido, hoje não fazem mais… e outras que, antes, não faziam, hoje fazem. Paris foi maravilhoso. Adorei ter ido para lá. Adorei ter morado lá, mesmo que por um tempo bem curto. Porém, eu não via a hora de voltar, pois, apesar das maravilhas, tinha a sensação de que minha vida estava congelada, em stand by, que eu precisava esperar para recomeçar, que ali era um momento fora da realidade, com prazo de validade (o visto). Sem falar que eu odiava não ter meu próprio espaço, minhas coisas, minha casa. Esse foi o contexto dos últimos meses do desafio do meu blog.

Nesse contexto, pude entender que eu queria voltar para o Brasil e acreditar em mim mesmo, tentar coisas que nunca tentei de verdade, em que nunca tive foco. Eu estava preparado para deixar minha carreira de pouco mais de uma década e tentar algo novo. Mas o quê? Eu sempre quis contar histórias. Fosse escrevendo, fosse dirigindo filmes. Porém, há muito tempo que não consigo acreditar direito nisso, a ponto de duvidar que essas sejam mesmo minhas paixões, embora eu já tenha feito muita coisa por isso, tenha deixado minha cidade natal, me aventurado no novo, gasto bastante dinheiro, dado toda prioridade para isso – ou seria mais correto dizer “toda ‘secundaridade'”, uma vez que a prioridade nunca saiu da carreira que eu queria trocar, por medo?

Vou fazer, aqui, um link com um dos posts mais recentes (veja aqui), em que falo sobre influências de paixões anteriores em minhas escolhas. Vamos lá?: Por que escolhi fazer Letras? Porque eu queria fazer Cinema, mas não tinha estrutura psicológica à época para um vestibular tão concorrido como o da Fuvest – a ponto de somatizar toda a ansiedade e falta de fé em mim mesmo e ficar doente, passar mal, etc. Não foi uma experiência boa. Muito pelo contrário. Para me livrar de mais um ano estudando só para passar mal nos dias das provas e literalmente não conseguir fazê-las, pensei na saída mais próxima: vou fazer Letras na faculdade local, através desse curso vou aprimorar minha escrita, estudar Literatura, e escrever roteiros e entrar no Cinema pela lateral. Juro que eu acreditava nisso. Juro!

E assim foi, pelos primeiros anos de faculdade. Comecei a escrever, tinha coluna em jornal, escrevia crônicas super elogiadas. Ainda era muito amador sob alguns aspectos, mas tinha tudo para conseguir realizar meus planos. Até que me apaixonei de verdade pela primeira vez. Minhas ex, se algum dia lerem isto, que me perdoem, mas minha primeira paixão honesta que de fato foi correspondida foi por um homem, ou um garoto de 17 anos, uns 3 anos mais novo que eu, que estudava para Letras, dava aulas de idiomas no mesmo lugar que eu começava a trabalhar (só que em outra cidade) e todas as outras semelhanças possíveis. Foi intenso. Foi avassalador. Por alguns meses, senti-me completo. E tomei os gostos dele pelos meus. Deixei de escrever, abandonei as crônicas, a coluna no jornal, recusei uma oferta de emprego como jornalista e disse que “meu negócio é ser professor”. Aham, Cláudia…

Sério… ainda não sei se fiz isso por mim ou por ele, porque, talvez, acentuar as semelhanças, fosse a melhor maneira de mantê-lo perto, principalmente depois que terminamos (ou eu fui “terminado”).

(OK, este post vai ser longo, vou dividí-lo em partes para facilitar, se alguém se interessar pela leitura. Ou seja: To be continued…)

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