Tudo é só

“Tudo é só, a montanha é só, o mar é só. /A lua ainda é mais só./Se encontrares alguém / Ele está só também.” (Dante Milano)

Ouvi essa citação, outro dia. Estranho ela ter me chamado tanto a atenção: estou praticamente namorando, passo o dia cercado por pessoas (no trabalho)… Houve um momento no fim da semana passada em que eu queria estar só, queria um tempo para mim. Nada de pessoas por perto. Era um querer estar só e não querer. Ou, talvez, desejo por uma solidão seletiva. Ou, então, sei lá… falta de fé no mundo.

Tal desejo de solidão se mostra bastante incoerente (é só conferir meu post de duas semanas atrás – aqui). Mais ainda: incomoda-me a falta de certa gratidão por tudo estar tão certinho e no lugar: vida boa, cidade perfeita, emprego tudo de bom, início de namoro maravilhoso. E o que falta, então? De onde vem essa vontade constante de sumir, de me isolar, de querer ser outra pessoa, de criar infinitos “e se…”?

Esta semana, li uma história do Superman (parte da série “Grounded“). A seguinte frase me chamou a atenção: “Lois, I – If I think about everything… All that was lost. All that could have been. If I allow myself to dwell on that for even a moment…”
(tradução livre: “Lois, se – se eu pensar em tudo isso… em tudo o que foi perdido. Tudo o que poderia ter sido. Se eu me permitir ter esse pensamento por um momento sequer…”)

A razão me faz concordar. Eu sei. O pior é que eu sei… Porém, “e se’s” pipocam-me a mente. Quero voltar no tempo uns 15 anos, refazer quase todas minhas decisões, tentar tudo novo. Tudo! É, eu sei… isso é idiota, é bastante estúpido. Eu vivi tanta coisa boa, conheci tanta gente especial, amigos, amores, gente que foi, gente que ficou. Tudo isso seria diferente se o “e se” fosse real. Quer saber o que é ainda mais estúpido? Eu gosto do que faço, da vida que tenho. Entretanto, a vida hoje é como se fosse sem razão. Inútil. Faz meses que entendi isso, antes mesmo de voltar para o Brasil. Só não tive tempo de pensar nisso com tanta mudança e a cabeça ocupada como estava. Estava. Entendo hoje que a vida é inútil. No máximo, tenho espasmos de felicidade. No máximo, momentos em que as velhas coisas voltam a fazer sentido. No mais, inútil. Inútil se dedicar a um trabalho efêmero, inútil se apaixonar e viver outro amor com data marcada para morrer, inútil arriscar o sofrimento certo, inútil amar pessoas que vão todas sumir, desaparecer, sejam amigos, família, amores… É tudo inútil. E só. Tudo é só.

Página 11 – Superman #700 – DC Comics

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