Cortando grades

Uma das coisas que sempre me chamaram a atenção são as habilidades sociais que tenho em situações muito específicas, mas que, em outros momentos, são praticamente nulas. Por trabalhar com pessoas, dar aulas, fazer atendimentos, sempre me surpreendi com isso. A sensação que tenho é de ser possuído por uma outra personalidade: postura, voz, pro-atividade, timidez quase zero… tudo muda.

Entretanto, é só sair desse contexto que viro Clark Kent. Principalmente se o novo contexto for o da vida amorosa. É como se houvesse grades me segurando. Isso andava me deixando sem esperanças, eu não conseguia mudar, tomar iniciativa, me aproximar de alguém novo… era como se uma voz sussurrasse: “Pra quê? Você não é interessante. Você está fora de forma. Você está velho. Você não é um modelo. Você não é atraente. Você não é popular. Você não consegue nada das principais coisas que quer. Você não é nada do que queria ser, então por que chamaria a atenção de alguém?” Grades. Grossas grades de adamantium (se não sabe o que é o adamantium, veja aqui). É preciso dizer que eu não estava nada feliz com isso? E se não estou feliz com as coisas do jeito que estão, assim, minha única opção é arriscar e mudar o que me incomoda.

Joguei fora alguns medos, o preconceito (contra mim mesmo, inclusive) e decidi experimentar, decidi conhecer uma balada da nova cidade em que estou morando e, principalmente, decidi adotar uma postura completamente diferente daquela adotada desde sempre em situações de aproximação a novas pessoas, pessoas que me chamam a atenção.

Entenda: em todos esses anos, eu NUNCA tomei iniciativa em me aproximar de alguém, a não ser pela Internet (mas creio que nesse caso não conta muito). O que me propus fazer foi procurar por alguém potencialmente interessante e me aproximar, utilizando-me das técnicas que já observei milhares de vezes, mas que nunca tive coragem de usar. E foi o que fiz. Fui para a balada, reconheci o terreno, me soltei um pouco e, enquanto dançava, aproveitei para olhar ao redor. Não demorou muito e alguém interessante surgiu… e ele também olhava para mim. Lutei contra a timidez e me obriguei a manter o olhar, sem desviá-lo. Aconteceu o link!

Contudo, mudar anos de autocondicionamento não é tão simples assim. Esperei que ele viesse até mim. E nada. Milhares de coisas borboletearam-me o pensamento. Estaria ele acompanhado? Estaria só olhando porque eu também estava? Como entender que eu poderia me aproximar? E a coragem para tanto? Timidez dos infernos! Quase desisti, quase resolvi me contentar com a coragem de manter o olhar. A noite ia passando…ele e eu haviamos ido cada um para um canto. Um tempo depois, ele reapareceu, e ainda olhava. Pensei: “Se fosse algo do trabalho, se eu precisasse falar com alguém, me apresentar, até mesmo vender uma ideia, eu o faria sem dificuldades. Por que aqui a timidez toma conta? Por que não usar as mesmas habilidades sociais que já tenho em outros contextos aqui? Afinal, eu já as tenho!”

E foi o que fiz, lutando contra a timidez, abrindo as grades com esforço. Assim, por uma primeira vez, conheci alguém legal em uma balada e estamos mantendo contato, nos conhecendo, saindo. Mais importante ainda é eu ter rompido parte dessa grade, é a sensação quase imblogável de liberdade.

Como me senti? Assim:

Entenda: Desafiar um padrão de comportamento e colocar-me muito além do que eu pensava poder, me faz acreditar que sou capaz de muito, muito mais coisas. Traz a esperança de que posso, novamente, depois de 3 anos sem controle ou fé, recuperar meu peso normal e emagrecer os 20kg que engordei nesse tempo; de que sou capaz de atingir meus objetivos, meus projetos de vida, e não preciso “entregar-me” a uma existência que compensa a felicidade principal com outras coisas menores (o que é importante, confesso, mas tem me levado a desistir de meus sonhos); de que eu posso sim fazer filmes e realizar tudo o que sempre quis.

Uma noite. Um pequeno gesto. Uma atitude. Um abrir portas que pode mudar tudo, absolutamente tudo!

PS: Se quiser conhecer um pouco sobre habilidades sociais, veja este vídeo.

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Uma resposta para Cortando grades

  1. Julie disse:

    Amei, querido! Você merece ser FELIZ, muito FELIZ! Inspirador, este post! Você tem tantas qualidades e habilidades e está muito certo de cortar estas grades e ir em frente, sempre! Conte sempre comigo! Muitas saudades!!!

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