Quem sou eu


5 de maio de 2011. Um ano depois de ter iniciado este blog. Um ano depois de ter começado um processo de reflexão sério e com diversas consequências em minha vida. Um ano depois e o caminho que me propus trilhar só começou. Nesse tempo todo, sorri, chorei, amei, briguei, entrei em desespero, acreditei, mudei. E mudei muito. Quem sou eu? Como diria Peter Parker no primeiro Spider-man: “Who am I? Are you sure you wanna know?” Se você tem certeza de que quer saber, então continue lendo, por sua conta e risco.

Há exatamente um ano, sentia-me completamente perdido. Não sabia bem quem era. Não conseguia nem queria mudar. Vivia deprimido, acreditando que a vida não tinha muito mais a entregar. Nada me motivava. Foi então que resolvi aceitar o desafio deste blog. Foi então que topei mergulhar de cabeça em mim mesmo, olhar meu lado mais sombrio, tentar chegar o mais perto possível da resposta para o tão famoso “quem sou eu?” Será que consegui?

Os 365 dias propostos passaram e pude vislumbrar um pouco do verdadeiro Eu. E como é difícil ser eu mesmo! Ainda acho complicado me aceitar plenamente, mas como diz Gaga em sua nova música “I’m beautiful in my way ‘cause God makes no mistakes”. As coisas complicam ainda mais quando tento falar de mim mesmo, pois para tanto é necessário usar rótulos e não gosto deles. Rótulos criam limites, fronteiras. Rótulos dizem que não posso mudar, ou pelo menos que será difícil mudar. Sendo assim, tentarei resumir em palavras não definitivas (nada de rótulos) algumas coisas que aprendi sobre mim mesmo nesse ano de caminhada:

Descobri (ou confirmei) que sou uma pessoa feliz com o que faz, desde que isso envolva criar e que haja partilha no final. O processo criativo e a liberdade de criação são coisas extremamente importantes. Por isso, contar histórias, seja através de filmes ou através de livros, é meu grande sonho. Conto histórias desde que aprendi a escrever (e ainda tenho alguns desses escritos guardados). Contar histórias é me libertar, é tentar o novo. Contar histórias me faz feliz, independente de publicar o livro ou de exibir o filme. Depois que aprendi isso, comecei a escrever um novo livro inspirado nas reflexões deste blog, livro que estou prestes a concluir. Apesar disso, os anos e vários erros de percurso me fizeram perder a fé em mim mesmo e em meu sonho. Fé cujo fogo, após tanto tempo, novamente consigo assoprar de forma a fazê-lo crescer e acender toda a lareira. É difícil, tem de ter muito fôlego, mas aprendi nessa caminhada que desistir de nossos sonhos é desistir de nós mesmos, ou seja, não é uma opção. Por isso mesmo que desisti de um caminho profissional que me levava para longe do que sou. Vim para Paris estudar e ter um tempo para pensar e escrever meu livro. Quando voltar para o Brasil, não quero retomar um trabalho que me leve para longe de mim mesmo. Não quero e não vou, salvo em caso de necessidade verdadeira.

Descobri que ainda preciso me aceitar mais e melhor. Coisas como detalhes na aparência e, sobretudo, orientação sexual ainda precisam de mais atenção e trabalho. Mas quer saber? Por que não começar agora mesmo a me aceitar melhor já aqui? Portanto, sim sim… prefiro me relacionar com homens que com mulheres (fato!), preciso perder uns 10-15kg porque estou sim acima do peso e não adianta negar e odeio ter vergonha do meu físico – de que, alías, tenho de cuidar pois sou muito preguiçoso para esportes (hora de tomar vergonha na cara)… Além disso tudo, odeio ser tímido e introvertido a maior parte do tempo e quisera eu saber como agir diferentemente.
Outra das coisas que aprendi foi que essa timidez toda é apenas medo de ser julgado, avaliado e não passar no teste das pessoas. Dessa forma, melhor aprender logo a, como dizem, “ligar o foda-se e ser feliz”. De verdade… você me conhece, já leu até aqui e se surpreendeu com algo do que falei? Então tem certeza de que está no site certo?

Descobri que posso e preciso acreditar mais em mim mesmo, pois sou capaz de coisas incríveis e preciso valorizar isso. Menos insegurança. Preciso praticar mais essa confiança em mim, sem exagerar na dose para não correr o risco de virar gabola. Aliás, descobri que preciso agir mais – e tenho agido bastante. Reflexão em excesso também é prejudicial à saúde. Coragem! E coragem também para expressar sentimentos, não só pensamentos. Dizer e demonstrar que amo quem amo, que gosto de quem gosto, deixar essas pessoas todas saberem disso.

Descobri também que ainda há fases do processo de iniciação de menino em homem pelas quais preciso passar. E, de fato, todas as decisões que venho tomando fazem a diferença para a conclusão desse processo. Atualmente, ando finalmente roubando de vez a chave em baixo do travesseiro de minha mãe (vide Robert Bly). Entendo, também, que seguir o chamado de quem sou é uma das atitudes mais adultas que posso ter. Quem sabe esteja chegando o momento de compreender de vez minha ânima (ou lado feminino).

Por fim, descobri que tudo o que aprendi nesse 1 ano de blog, que me fez largar o emprego e vir para a França, que me fez entender melhor quem sou, o que quero e quem quero, descobri que tudo isso é apenas mais uma parte de um caminho que começou muito antes destes registros e que ainda há de continuar por muito, muito tempo, se Deus quiser, pois enquanto houver vida e esperança em mim, haverá oportunidades de aprendizagem e crescimento. Este blog não termina aqui. Continua além dos posts, continua no dia a dia, na vida. E eu… eu estou disposto a enfrentar os desafios que forem necessários para que eu possa ser eu mesmo em plenitude. Um dia chego lá? Lá onde? O que importa é fazer do caminho o mais rico, o mais feliz, o mais vivo possível.

Para quem acompanhou o blog por todo esse tempo, um muito obrigado sincero. Espero que em breve vocês possam ler o livro inspirado em toda essa reflexão. Quanto ao “meu próprio caminho particular”, bem… fica claro neste post  que ele só começou. Quem sabe ainda nos encontremos nessa estrada?

365 dias já foram. Não falta mais nenhum. =)

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Uma resposta para Quem sou eu

  1. Julie disse:

    (clap clap clap) Parabéns e muito muito muito muito muito obrigada por compartilhar suas reflexões, pois me fizeram refletir e, consequentemente, tiveram inúmeros desdobramentos na minha vida =) foi tão ‘bão’!!! Eu já te disse isso em algum outro post mas só pra reforçar: Amo quem vc é do jeitinho q vc é =)

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