Somos livres?

“Sou livre/Para ser qualquer coisa/Qualquer coisa que eu quiser”. Assim começa a canção do Oasis, Whatever (ver vídeo).  Verdadeira e falsa ao mesmo tempo, a afirmação acima levou-me de volta a coisas em que tenho refletido bastante. Somos de fato livres? Podemos ser o que quisermos? Seria isso o famoso “livre arbítrio”?

Vivemos mergulhados em lagoas de regras, ideias, manipulação. Quem sou eu? Sou aquele que quero ser de verdade ou eu só quero aquilo que as pessoas querem que eu queira? (uuh! confuso?). Já dizia Mika em Grace Kelly (ver vídeo): “Say what you want to satisfy yourself/But you only want what everybody else said you should want” (Diga o que quer para ser feliz/Mas você só quer o que as outras pessoas disseram que você deveria querer).

Pare um instante e pense nas coisas que você fez nas últimas 24h, 48h ou até mesmo na última semana. Faça uma lista: quantas coisas você fez por você? Quantas coisas você fez por outros motivos? Quais delas você escolheu porque elas o deixavam contente, feliz? Quais delas você fez porque “tinha” de fazer, sem outra opção? Talvez 24h, 48h ou uma semana não seja tempo suficiente. E se expandirmos isso e considerarmos toda uma vida? Voilà algumas questões: 1-Você escolheu sua profissão ou faculdade porque sentia, lá no fundo, que era isso que você realmente desejava? ou porque, assim, poderia “provar” algo para a família ou amigos, ou porque diziam que, aquilo que você realmente desejava não era uma profissão decente, etc.?; 2-Você já deixou de se apaixonar por alguém porque, no fundo, talvez bem no fundo, tinha medo do que amigos e família pensariam da pessoa escolhida? (talvez ele/ela fosse um pouco fora dos padrões de beleza ou de uma outra classe social/etnia ou tinha uma profissão pouco reconhecida); 3-Você já deixou de usar uma roupa, de ir a um lugar ou de falar com alguém (ou até mesmo de ajudar alguém) com medo do que pensariam, falariam de você?; 4-Já deixou de falar o que pensa, de escrever um pensamento no Facebook (por exemplo), de comentar algo, porque alguém poderia ler e pensar algo de você que não condiz com a imagem que você quer passar para o mundo?; 5-Aliás, você se preocupa com a imagem que você passa para o mundo, todo aquele papo de personnal branding, etc., gasta mais dinheiro do que deveria/poderia para mostrar que tem um carro novo, um celular da moda, um iPad 2 antes da maioria das pessoas, …?; 6-Deixou de fazer algo ou fez algo só porque não queria deixar uma pessoa querida triste, mesmo preferindo agir diferente?; 7-Deixou de ser você mesmo porque ser você mesmo poderia “desagradar” alguém em algum momento?

Acho difícil alguém que se conheça e que seja sincero consigo mesmo não ter respondido “Sim” para pelo menos uma das questões acima. Acredito que muita gente responderia “Sim” a mais de uma das questões. Eu responderia “Sim” para praticamente todas… praticamente.

E isso é livre arbítrio? Isso quer dizer que somos livres? Sim. Somos livres porque tudo o que fazemos é escolha nossa e, portanto, responsabilidade nossa. Mesmo se estivessemos sob um regime ditador, ainda diria que somos livres. Pois mesmo a escolha de “baixar as orelhas” e fazer o que me mandam fazer ainda é nossa. Sou grato por vivermos em uma democracia (mesmo que isso não queira dizer grande coisa) e não ter de fazer esse tipo de escolha. Contudo, sei que cada passo que dou, cada olhar que desvio, cada sorriso que aceito ou recuso, são escolhas minhas. A única prisão que pode de fato nos prender é nossa própria escolha. Somos prisioneiros de nossa própria mente.

Para ser realmente capaz de responder as perguntas que propus acima, preciso, antes, saber se estou respondendo cada uma delas livre da minha própria prisão mental. E isso sim é uma das coisas mais difíceis que existem. O outro dia falei sobre ouvir a voz do coração (ver aqui). A única maneira de entendermos se somos realmente livres é saber se temos feito o que nosso coração manda. Como? Como ouvir a voz do coração? Acredito que só tem um jeito: quando limpamos nossas mentes de tudo e de todos, quando pensamos só naquilo que questionamos e então sentimos… sentimos que está tudo certo… sentimos algo bom. Energia positiva. Se as sensações que tenho ao pensar em algo, sem me preocupar com os “e se…” e “o que vão pensar se…” e ainda “e meus planos iniciais sobre…”, então tenho grandes chances de estar seguindo o Rei do Graal.

346 dias já foram. Faltam 19

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