Em Busca da Felicidade ou Como ouvir a Voz do Coração?

A mente em branco. Sento-me aqui à espera de algum tipo de inspiração. Penso em os quase 12 meses que escrevo neste blog. Um tempo em busca… do que mesmo? Em busca de mim mesmo. Em busca do que sou em plenitude, do que gosto ou não gosto, do que me faria feliz. Um tempo em busca da felicidade. Ah, a felicidade!

Parece-me, ainda, que a grande questão é a felicidade, algo que todo ser humano em nossa civilização deseja e, por isso, estabelece como meta, como foco central de sua vida. O mito do Graal cita essa obsessão que temos pela felicidade. Parcival, o grande cavaleiro arthuriano, ainda quando adolescente, encontra o castelo do Graal e, impressionado pelas coisas fantásticas que ali presencia, não sabe como reagir e acaba perdendo o castelo e o Graal. Essa experiência, mais tarde, coloca-o em uma jornada de muitos anos atrás do misterioso castelo, o qual se mostra quase impossível de ser novamente encontrado.

Quem leu o best-seller sobre a alma masculina “He”, de Robert A. Johnson, sabe que a maior parte dos homens encontra o castelo do Graal ainda quando meninos, sobretudo na época da adolescência. Contudo, não sabe o que fazer. Alguns se sentem assustados, outros ignoram esse fato e passam a vida negando que algum dia tiveram tal experiência. Sabemos, porém, que experimentamos algo ímpar e, por isso, lançamo-nos atrás do Graal em uma busca que pode jamais ter fim. Até porque o Graal só é verdadeiramente alcançado quando o homem deixa de ser menino, tendo passado e vencido todas as fases de sua iniciação, coisa que, atualmente, é cada vez mais rara. Apesar de o autor dizer que essa busca é quase que exclusiva dos homens, prefiro concordar com Robert Bly e James Hollis e acreditar que, após a liberação feminina da segunda metade do século XX, as mulheres também passam a ter a mesma necessidade de encontrar o castelo do Graal.

Não sei identificar como exatamente tive minha primeira experiência no castelo do Graal, mas sei dizer quando foi: entre meus 16 e 17 anos de idade, quando decidi que faria cinema e dedicaria minha vida a contar histórias. Arrisco-me a dizer que foi o contato com o Graal (ou com a felicidade suprema) que me fez decidir que fazer filmes e escrever livros me colocaria novamente em contato com tal felicidade. E essa tem sido basicamente a reflexão que tenho tido nesse quase 1 ano de blog. Tenho refletido sobre quem sou e quem eu poderia ser para ser feliz. Tenho pensado sobre cinema e escrita e como fazer isso me faria feliz. Tenho pensado se a companhia (romântica) de outro ser humano me ajudaria também a ser feliz.

Contudo, mesmo tendo descoberto e aprendido muito sobre mim, são as perguntas que se fazem cada vez mais presentes. Fazer filmes, escrever livros, contar histórias são coisas que me fazem mais feliz? Ou seria o resultado extremamente bem sucedido disso tudo que, talvez, me deixaria mais contente? (A “fama”, a “reputação”, os ganhos financeiros.) Quem sou eu de verdade? A felicidade é algo que vem a partir de uma escolha minha? Cinema e literatura foram uma escolha minha? E, se não, por que me parecem tão distantes, irreais, fora de foco? Ou ser feliz é aceitar a decisão do próprio “Rei do Graal” (como sugere o mito do Graal)? Assim, o reencontro com o Graal estaria em aceitar que eu sempre fiz o que eu amava, afinal trabalhar com educação sempre me fez bem e me trouxe muitos dias inesquecíveis e contentes? Ou estaria em outro lugar, outra atividade? Ou, ainda, todas essas questões profissionais são, na verdade, distrações para que eu não encare o que verdadeiramente me incomoda: o outro, o amor eros, minha própria sexualidade?

Uma das coisas que pareço ter descoberto neste “meu próprio caminho particular” é que não é possível correr atrás da felicidade. Ela vem somente para aquele que escuta a voz do “Rei do Graal” (Deus) e faz o que ela diz. A felicidade plena não é uma escolha. Não é ter o que eu decido ter, não é estar onde escolho estar nem com quem estar. É fazer aquilo que aquela voz que nos fala direto ao coração ordena. Porém, como ouvir o coração em uma época em que tudo e todos fazem-nos ouvir somente a mente ou o desejo dos outros? E se aquela voz que acredito ser a voz do coração vier de outro lugar? Como aprender a ouvir verdadeiramente o coração?

Questões, questões… duvido que 1 mês e meio seja o suficiente para resolvê-las.

324 dias já foram. Faltam 41

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2 respostas para Em Busca da Felicidade ou Como ouvir a Voz do Coração?

  1. Camila disse:

    Senhor… novamente digo: vou procesas você por roubar minha mente…rs… Contar histórias também é a minha felicidade, e as questões de todas as possíveis distrações, enfim, não vou reproduzir tudo o que já está escrito, mas tenho tudo isso também dentro de mim. A felicidade realmente está em seguir esta voz, e não fazer o que queremos ou pensamos querer, pois por sermos seres ainda em evolução, não temos consciência, sempre, do que realmente nos é bom. Podemos nos confundir, com todos esses estímulos, com o costume atual, com a opinião alheia. Só mesmo a voz interna para dar a exata direção. O difícil é saber quando esta voz é ela mesma ou é fruto da sua imaginação, destes desejos errados, ou mesmo do medo de errar… Opa, raio, vou desligar tudo aqui! Bjos!

  2. Kelen disse:

    Muito bom! Realmente…como discernir essa voz? Eu tb queria saber ouvir e saber o que fazer com o que ouço. Bjos

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