Anos Perdidos?

Definitivamente o assunto deste post deve se aplicar a pouca gente. Ou talvez eu esteja errado e, de alguma forma, com suas devidas adaptações, muito mais gente do que eu imagine também tenha seus “anos perdidos”, aqueles que, se possível, gostaríamos de mudar, reescrever, fazer um pouco melhor ou bastante diferente.

É como se algo tivesse dado errado e se perdido. É como se, por alguma razão, eu tivesse me isolado e vivido uma realidade própria. Talvez exista alguma relação com a morte de meu pai. Talvez não. Mas existe algo possivelmente perdido em minha época de adolescente. Algo que ainda precisa ser resolvido. Uma questão sem resposta.

Ao ler “João de Ferro – Um livro sobre homens”, de Robert Bly, surgiu uma luz sobre essa questão que sempre me incomodou bastante. A grande verdade é que sempre senti falta desse período iniciático que existe na vida de todo ser humano. Sei que a sociedade em que vivemos não ajuda na iniciação, praticamente abolindo-a. Contudo, quando olho para trás, parece que “pulei” todo o estágio. Um dia, criança. No outro, adulto, sem jamais tê-lo sido – isso se algum dia eu já me senti assim, “adulto”.

O resultado disso tudo? Ter “pulado” toda a experimentação, ter evitado grande parte das tentativas para não “errar”, para fazer bonito para o mundo. A falta de uma figura paterna pode ter contribuído para isso. Talvez eu tenha tentado suprir tal ausência tornando-me exageradamente responsável e esforçando-me para parecer bom em algo. Talvez eu simplesmente tenha tido medo de ser o que meu pai foi e, para tanto, evitado cometer qualquer tipo de erro e, assim, me afastado dos riscos, buscando um caminho aparentemente mais “seguro”. Ou, então, como explicar toda essa coisa de ser mais sério, reservado, tentando parecer “adulto”, afastando-me da maioria das pessoas de mesma idade (à época)?

Tantas questões… O que me remete à característica básica da vida: se ainda estamos vivos, ainda podemos fazer algo, manifestarmo-nos de forma ativa neste mundo. Se algumas coisas que gostariamos de fazer, deixamos para trás no passado, por que não realizá-las agora? Aprender a amar, por exemplo. Precisamos estar abertos para erros e acertos. Mesmo não sendo mais just a boy e não tendo todas as mesmas vantagens (nem as desvantagens, é bom lembrar), ainda há coisas que podem ser feitas, ainda há caminhos que podem ser tentados. Fato é que ando temendo menos e, de certa maneira, até desejando mais os erros. Erros que talvez eu tenho evitado cometer simplesmente por omissão. Erros que ainda serão necessários para o crescimento e aprendizagem. Não é o que dizem, que aprendemos errando?

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