Afogarmo-nos nos braços do ser amado é fuga?

“Nós temos uma tendência de usarmos nossos parceiros como fonte de sursis. Afogarmo-nos nos braços do ser amado é tido como desejável, a totalidade do amor; na realidade, essa é a principal fantasia da cultura popular. Fazemos de nossas instituições mães de aluguel que cuidem de nós, mantenham-nos a salvo, abrigados, ajudem-nos a evitar o crescimento. (…) Quem não desejaria o inocente sono da infância, a suave escravidão do vazio?” (HOLLIS, James. (2004) Nesta Jornada que Chamamos Vida – vivendo as questões. Paulus: São Paulo. )

Foi ao ler isso este fim de semana que uma série de reflexões pareceu se conectar, todas de uma vez. Estive pensando em padrões que venho apresentando em minha vida recente, pois reconhecer tais padrões pode me dar dicas sobre quais são os mitos que vêm dirigindo minha vida a partir do subconsciente. Uma parte nossa que costuma apresentar diversos padrões são os relacionamentos: quem são as pessoas por quem nos apaixonamos? Por que nos apaixonamos por elas? Esses relacionamentos têm sido saudáveis? Ou são somente formas de tentar compensar certas carências ou medos que estão em mim desde muito pequeno, e que têm sido responsáveis por certo padrão de comportamento?

Essa reflexão, na verdade, se soma a outra, diretamente relacionada: por que parece que não sou mais capaz de me entregar, me jogar “nos braços do ser amado”, como fazia antes? O que mudou em mim? Do que tenho medo ao me relacionar com alguém?

Pensando, pude reconhecer alguns padrões nas pessoas com quem me relacionei. Agora, a questão se faz outra: será que, por só reconhecer alguns dos padrões, eu poderei evitá-los? Meu sentimento de querer proteção, de querer o sono da infância, vai me permitir me apaixonar por quem parece que tenho sido apaixonado há mais de 1 ano, mas cujas manifestações de carinho e amor têm sido frequentes?

Essas questões, minhas, mas que também podem ser suas e de qualquer um, são questões que podem me ajudar a finalmente ter um relacionamento maduro, em que só o amor e carinho estejam presentes, não uma série de interesses do Eu-Sombrio. O que sei, hoje, é que é preciso enfrentar diversos medos e arriscar, perder o controle, para poder crescer, para continuar esse caminho que tenho descrito aqui no blog.

212 dias já foram. Faltam 153

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Uma resposta para Afogarmo-nos nos braços do ser amado é fuga?

  1. camilapigato disse:

    Uau… complexo…
    Penso que muitas vezes nos apaixonamos realmente seguindo um padrão e ouvindo o “Eu Sombrio”. É a maioria dos relacionamentos que formam o mundo. Por isso não deveríamos nos chocar com o número de divórcios. O que deveria chocar é, numa sociedade que já tem tanta informação psicológica, que acorda para a importância do “eu” não egoísta, mas indivíduo, ainda se casar por valores tão baixos…
    Não devemos nunca depositar nossa felicidade nas mãos de ninguém. Daí a vermo-nos como indivíduos, e não metades que encontram outra metade. Mas ao mesmo tempo, precisamos nos “jogar”, nos arriscar, quando uma pessoa que desperte amor em nós apareça… Parece contraditório, mas não é… nós é que confundimos os conceitos!
    O importante é viver um relacionamento se a outra pessoa te desperta sentimentos muito íntimos, não impressões fáceis, como “agrados ao ego”, que é o quie tanto fazemos… difícil é diferenciá-las… rs…
    Abraço!

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