Sob quais verdades estou vivendo a vida?

Perguntas, perguntas e mais perguntas. Às vezes, elas são mais importantes que as respostas. Outras vezes, a resposta é tão somente outra pergunta a preencher um círculo quase infinito que nos lembra que muitas coisas nessa vida não possuem respostas, embora gastemos nossa existência a procurá-las.

Foi, portanto, extremamente interessante quando descobri um livro com o subtítulo “vivendo as questões” (Nesta Jornada que Chamamos Vida, de James Hollis, editora Paulus). Ainda estou no início da leitura, mas, já no primeiro capítulo, encontrei algumas propostas de reflexão interessantes que tentarei responder agora – umas de forma mais completa, outras de maneira um pouco mais vaga, seja porque ainda preciso pensar melhor na questão, seja porque acho as respostas (ou as novas questões) muito pessoais para o blog. Convido você a refletir comigo, respondendo, com suas verdades, as questões em negrito abaixo:

Quais são seus padrões? Onde você se sente preso?

Sei que me sinto preso em regras. Regras minhas, regras dos outros, regras sociais. A grande questão aqui é tentar agradar e corresponder a gregos e troianos de maneira igual. Recentemente, começo a entender isso como algo relacionado à maneira de pensar da criança. A gente cresce e traz conosco uma série de pensamentos, a mesma lógica, da criança, de quando éramos crianças. Conforme começo a identificar tais pensamentos, fica mais fácil entendê-los e transcendê-los. Exemplo? Não quero expressar minhas ideias porque posso ser rejeitado, as pessoas podem não gostar de mim. Sim, é verdade, mas é também verdade que posso crescer com isso e, assim, ganhar meu próprio respeito e o respeito de novas pessoas.

Qual ansiedade surge quando você contempla alternativas?

A ansiedade da perda. Perda, principalmente, de pessoas queridas. A questão da perda é algo muito antigo em mim e, por muitas vezes, é preferível não ter para não correr o risco de perder um dia. Será?

Que medos específicos podem ser extraídos da angústia muito vaga, porém paralisante? Qual desses medos se baseia na sua experiência infantil, com seus poderes limitados e sua consciência limitada de um mundo maior? Qual desses medos realmente podem acontecer? Você pode suportar que eles aconteçam? O que pode acontecer se você não conseguir suportá-los, e ficar preso?

Medo de ficar sozinho. Medo de ser traído. Medo de confiar na pessoa errada. Medo de ser abandonado. Todos esses medos se baseiam em minha experiência infantil. Todos. E todos eles podem realmente acontecer, sempre. A tentação é pensar que não os posso suportar, mas já os suportei tantas vezes que chega a ser difícil entender essa vontade de evitá-los. Todos eles podem acontecer, mas pelo menos tenho a chance de crescer ao enfrentá-los e conquistar minha própria confiança. Porém, se eu não os suportar, posso perder toda a confiança que tenho em mim mesmo.

Você pode arriscar ser uma pessoa maior? Você pode suportar a dor do crescimento acima da dor de ficar com medo, pequeno e perdido?

Eu não sei. Eu não sei.

Você pode aceitar que, no fim da sua vida, você não esteve de verdade aqui? Você pode suportar ter sido um fantasma faminto, uma vítima, um refugiado do destino? Você pode suportar ter sido apenas um convidado problemático neste terra sem fazer com que parte dela seja sua?

Não. Isso eu não posso aceitar ou suportar. Já citei Henry David Thoreau uma vez (veja aqui) e repito: Não quero descobrir, na hora de minha morte, que não vivi.

Você pode encarar essas perguntas? Você pode viver com o fato de não encarar essas perguntas, agora que você sabe que elas existem? Essas perguntas podem recuperar sua jornada por você? Elas podem? Você pode?

Posso? Posso! Preciso!

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Uma resposta para Sob quais verdades estou vivendo a vida?

  1. Olá… Não tenho muito que quê dizer, pois agora sou eu a pensar… Penso que somos ainda tão presos ao nosso meio e a costumes que nem sempre refletem a Verdade do eu, do ser, que este tipo de indagação chega a ser dolorido, de tão arraigado que esses conceitos estão em nós. Mas precisamos superar a dor do medo pela dor de questionar, para poder viver, depois, a bênção da libertação… Admiro este caminho!
    Abraços,
    Camila

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