Você é feliz?

Há uma reflexão que tenho feito (ou retomado) muito recentemente. Começa com perguntinha famosa: “Você é feliz?”

Se eu sou feliz, eu não quero nada mais pra minha vida, pois tudo o que tenho/faço hoje me completa, me faz feliz. Concorda? Isto é, não preciso de um carro novo, pois sou feliz com o meu, não preciso de um emprego novo, pois sou feliz com o meu, não preciso de ambições, pois sou feliz com minha vida. E, assim, deixo ela tomar seu rumo, fazendo minha parte, não por ambição, por metas, mas pelo prazer de viver. Se evoluo assim, é uma evolução natural, sem pressão e que, se não fosse acontecer, não me faria diferença.

De verdade, deve ser a melhor sensação do mundo. Mesmo! Isso me leva a pensar que eu não sou feliz, tenho meus momentos de alegria, mas são momentos, eles passam. Nunca estou satisfeito, sempre preciso de um objetivo, de uma ambição. Quando tenho uma ambição e estou me dirigindo a ela, me sinto bem. Como foi o caso agora do Cinema (veja o post). Acho legal e importante eu identificar que gosto e quero isso. Acho também que somos criados em uma sociedade que nos ensina, dentre várias outras coisas, que:
1 – somos felizes se e somente se atingimos um padrão X de vida;
2 – somos felizes se e somente se podemos consumir e consumir bem;
3 – somos felizes se e somente se trabalhamos e temos a tal da vida “digna” (claro que precisamos do trabalho, mas penso em casos de pessoas que ganham muito dinheiro, são executivos, e, mesmo podendo parar e aproveitar a vida com quem amam, porque possuem dinheiro para si e os filhos viverem muito bem toda a vida… mesmo assim esse povo não tem tempo, é cheio de trabalho, nada faz sentido se não trabalhar…)

Quando a gente começa abrir os olhos, começa a ver que nada disso faz muito sentido. Vendo o making of de “Cidade de Deus”, ouvi um dos diretores comentando sobre algumas pessoas que moram na favela: “essa gente não tem muito dinheiro, cada dia é um dia, e, no entando, eles são muito mais felizes que a gente, cada dia é vivido como se fosse o único, eles aproveitam, sentem, curtem, vivem, dão energia e valor para tudo o que fazem, não ficam chorando, não ficam reclamando da vida, vivem intensamente, celebrando a alegria de estar vivo…”.

Eu não sei as respostas, não sei onde chegar com essa reflexão, mas algumas perguntas são pertinentes e valem a pena serem feitas:

A) Essas coisas que “tenho de fazer”, eu preciso delas feitas e conquistadas para ser feliz? Por que isso, se a felicidade é um estado permanente e constante de agradecimento, de satisfação?

B) Quem disse que eu só posso ser feliz se for independente? Se tiver minhas coisas? Se poder gastar e consumir? Se ganhar no mínimo 12mil reais por mês? Se estiver trabalhando e em um trabalho considerado de “elite”, dito “digno”? Por que viver a vida, ser feliz ou triste, por causa de um moralismo hipócrita que não é nem nunca foi seguido por aqueles que de fato impuseram tal maneira de pensar (a Igreja, há quase 2 mil anos, por exemplo)?

C) Por que sermos nós mesmo e simplesmente sermos nós mesmos em plenitude, sempre, não nos basta, se, na verdade, é a única coisa que nos traria a felicidade, se a felicidade nunca virá de conquistas, posses, bens, pessoas? Dessas coisas pode vir alegria, que vem e vai, dura um tempo e sempre acaba?

Resumindo…  Acho que vale a pena fazer um exercício:

– se libertar, viver a felicidade, ser eu de verdade. Isso é fácil de falar, mas complexo de alcançar. (É?) Mas pode-se começar com um exercício básico, que é ótimo e serve para libertar a mente: Mudar as coisas do lugar. Usou um xampu? Não coloca de volta na prateleira do xampu, coloca na outra. Muda a gaveta das colheres na cozinha de vez em quando (por exemplo)…. Sair, fazer algo inesperado. Estava voltando pra casa? Muda o caminho. Passa em outro lugar. Você sempre toma café? Muda para um chá hoje. Você sempre almoça às 12h? Sai às 13h hoje.

É um exercício e ajuda a se libertar. É sempre difícil mudar as coisas que estão fossilizadas na gente. Mas sempre possível também.

198 dias já foram. Faltam 167

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Uma resposta para Você é feliz?

  1. camilapigato disse:

    Olá… muito bom tudo o que li aqui… Sabe, esses dias eu conversava com uma amiga que falava de ser sugada no trabalho e precisar recarregar no final de semana. Ela me perguntou como era para quem não tinha dinheiro para passear, sair um pouco da realidade… Eu respondi que, apesar de contraditório, se eles não forem apegados ao dinheiro (se forem, estarão revoltados por não o terem e assim, infelizes), conseguem fazer o que realmente dá prazer à alma: os relcionamentos. Não podem pagar cinema, boliche, pedágio, gasolina? Eles continuam na vizinhança, cada dia churrasco na casa de um. Mas riem, conversam e, assim, também espairecem.
    Acho que o problema está nisso que você fala: ouvirmos nosso próprio eu, nos libertarmos dos padrões. Para isso, não é preciso deixar os bens. Mas saber que eles não são tudo aquilo que nos dizem que são, que muitas vezes pensamos que são. É necessário voltarmo-nos para o que realmente importa: o amor. Não somente pela pessoas em volta, que também vem e vão, mas o amor que existe em nós. Com isso, veremos felicidade em tudo, e saberemos passar pelos obstáculos com calma e equilíbrio.
    Abraço!

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