Dependente de Amor

Existem vários tipos de vício: há os viciados em bebida, os viciados em fumo, viciados em drogas leves, drogas pesadas, antidepressivos… Há os viciados em chocolate, açúcar, comida em geral… Há os viciados em adrenalina, em esportes radicais, em arriscar a própria vida… Há os viciados em sofrer, em ficar na fossa, em autopiedade… e há aqueles que precisam de um amor, de alguém, estar apaixonados e colocar um certo alguém dito “especial” no trono de seu Olimpo.

Na verdade, vários desses vícios supracitados (uuuh, vou gastar o vocabulário hoje!) costumam se correlacionar. Ou seja, tem gente que fica na fossa e se acaba na bebida, por exemplo.

Vou falar de mim, para efeitos ilustrativos. Ultimamente (e cada vez mais), venho descobrindo que sou dependente de amor. Quando não tenho amor, acabo substituindo o vício por chocolate, doces, comida. Esses são, acredito, meus grandes vícios. O problema do primeiro, “vício em amor”, é a conotação que “amor” tem nesse contexto. Talvez tal vício fosse melhor retratado se eu o tivesse chamado de “vício em alguém”. Veja bem, o fato de estar apaixonado, precisar daquela certeza de possuir um ser amado, não necessariamente classifica tal relação como amor, embora muitas vezes o amor esteja envolvido. Ou talvez eu devesse classificar tal vício como “dependência em sentir-se amado”, melhor?

Todavia, às vezes ainda duvido se meu vício é mesmo em amor. Quando aparece uma nova possibilidade, passo os dias animado, acreditando em tudo, em mim. Aí, ao sair pela primeira vez, ao conhecer melhor a pessoa, rapidamente chego à conclusão de que ela não combina comigo, com meus gostos, que eu não suportaria nem mais um segundo ao lado dela. Então sumo, termino, digo que não vai rolar… E novamente, deixo de acreditar na vida. Então, aparecem as vontades: vontade de mudar, de jogar tudo pro alto, de ser outro alguém. Vai ver, eu sou viciado mesmo em ficar na fossa, quem sabe eu goste daquele suspiro deprê, daquele sorriso ao contrário, do vazio. Sei não…

Além disso tudo, existe um outro questionamento: ser dependente de amor (ou de alguém, ou de sentir-se amado) é coisa boa ou ruim? Há quem diga que ruim, que a gente tem de se bastar, aquele papo todo de amor próprio que se confunde com individualismo, sabe? Porém, não seriamos nós, seres-humanos, uma espécie social, que não se basta sozinha, por mais que tente ou queira acreditar nisso?

Ah! (suspiros)! Questões… posso estar no meio dos 12 meses previstos para este blog, mas creio que o caminho não saiu do começo ainda… (isso se a ideia for mesmo que ele tenha um fim, de fato, espero que não).

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Uma resposta para Dependente de Amor

  1. camilapigato disse:

    Clama, calma… com certeza pode parecer que o caminho ainda não seguiu, mas talvez sejam somente seus olhos que não tenham visto. Às vezes os ensinamentos ainda não viraram conclusões ou fatos, estão como escondidos, prontos para eclodir no momento certo. Não desanime! Se você está querendo mudar, crescer, isso fatalmente está sendo levado em conta!
    Penso que uma coisa é sermos seres que não nasceram para ficar sozinhos, são interdependentes. O problema é como interpretamos isso! Realmente, precisamos de amor, de companhia, de carinho. Mas o problema é que esperamos isso pronto, e não é assim. Até podemos, e é o que vemos acontecer em larga escala, ter alguém sem antes termos este amor e esta auto-suficiência. Talvez estejam os dois aprendendo, e talvez os dois possam descobrir juntos como é o auto-amor e passarem toda uma vida ao lado do outro. Mas normalmente o que acontece são relacionamentos “aprendizado”, que terminam quando aprendemos o que precisávamos. Somente seremos capazes de ter um mais pleno quando encontrarmos esta plenitude em nós.
    Não se veja como viciado em amor, ou em estar apaixonado. Precisamos disso. O problema é de que forma. Vivendo nossa vida com alegria, mas sentindo falta, rezando sempre para que aconteça, é uma coisa. Mas ser feliz somente quando temos este sentimento, aí, sim, é uma dependência. Veja qual é o seu caso…
    Mas, vamos combinar? Não existe nada melhor que amar… 😀
    Beijos,
    Camila

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