Quem Sou?

Parece óbvio: Olhamos no espelho e ali estamos, é seguro, sabemos quem somos. Sabemos que gostamos disso, daquilo. Sabemos que já fizemos isso e aquilo, o que nos levou para lá ou para cá. Assim, nos definimos. Se um pensamento ou desejo escuso resolve aparecer, revelando verdades não esperadas, tomamos o cuidado de trancar aquilo bem lá no fundo para que ninguém, principalmente nós mesmos, veja isso, criando, então, nosso Eu Sombrio.

Contudo, se é assim que as coisas são, engana-se se pensar que esse é você. Eu me enganei. Criei uma identidade secreta, de forma a agradar todos que me rodeavam. Criei uma couraça, uma armadura, me protegi, e enfiei meu verdadeiro eu lá no fundo do fundo. Há uns 2 anos, comecei a desistir de meu grande objetivo de vida, que é algo relativamente difícil de se alcançar, principalmente por não ser convencional e destinado a um grupo de poucos: dirigir filmes. E mesmo já tendo trabalhado na área com curtas e outras produções, resolvi ficar com o mais fácil e me convencer de que isso não era eu, era tudo menos eu.

Foi então que entrei em crise, o que culminou, só este ano, com a decisão de seguir até o fim esse caminho de autoconhecimento, crescimento pessoal. Nesse caminho, descobri diversos aspectos de mim mesmo, descobri que nenhum deles é errado ou certo, simplesmente é, e assim funciona para todas as pessoas. Descobri com quem prefiro me relacionar, que tipo de hábitos são meus de verdade, o que me faz sentir feliz. Ah! A grande questão, a felicidade. O que me faz feliz é ser eu mesmo, simples assim.

Contudo, ser eu mesmo não é assumir o ego, esse que finge ser eu. Falo de ser quem sou em plenitude, por completo. Virtudes e falhas simplesmente não existem, todas as coisas são. E ponto. Ser, por si só, as fazem Divinas, Corretas, Humanas. Saber que elas existem e aceitá-las assim como são, eliminam o conflito, a dualidade, a guerra interna, a autossabotagem.

Isso também me faz enxergar quem não sou (afinal, que melhor maneira de nos definir que começar por aquilo que não somos): eu não sou o cara certinho que se dedica plenamente ao trabalho, tentando ser o melhor. Não, esse não sou eu. Não sou uma pessoa “intelectual” (vai entre aspas mesmo), estudioso, interessado em cada texto acadêmico que aparece, interessado no mestrado na área em que trabalha atualmente, ou mesmo que ama o que faz hoje. Também não sou esse não. Não sou aquele que fez de tudo com medo de perder o amor daqueles que mais importavam: deixou de ir morar no exterior por causa do ex-namorado, deixou de ser escoteiro quando tinha 10 anos com receio de honerar a mãe com a taxa de anualidade, deixou de ir atrás do Cinema quando aos 17 porque não queria dar despesas à mãe com mais cursinho, faculdade, vida na capital. Não sou esse, certeza.

Tudo isso aconteceu e fiz e ainda faço (de certa forma, até aprender a me libertar de vez desse sentimento). Porém, apesar de não me arrepender de nada disso nem guardar mágoas, não sou eu. Era meu ego. Era o pensamento que nasceu em mim lá no passado, quando criança, e perdurou até os dias atuais. Eu mesmo teria feito as coisas de maneira bastante diferente.

Resta, contudo, a grande questão: Quem sou? Será que sei responder? Honestamente, ainda não em plenitude. Mas o caminho que trilhei até aqui me desconstruiu e, agora, abre meus olhos para quem sou verdadeiramente. Uma das coisas que (re)descobri é a mesma certeza que tinha desde os 16 anos, que eu queria contar histórias, de preferência através do Cinema. O dia em que eu desistir de fazer filmes, de contar histórias, eu desisti de mim mesmo. Desistir de mim mesmo não é uma opção.

Sei também que, além de contador de histórias, sou muito, muito mais. Entretanto, para me definir basta “Eu sou”. Eu Sou é o bastante, qualquer outro rótulo é limitador.

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Uma resposta para Quem Sou?

  1. Camila disse:

    Meu Deus, quase liguei para o 190… roubaram minha vida! Rs… Vivo exatamente o mesmo, só que no meu caso é em relação a escrever, à literatura. Eu também fiz tanto errado pensando no dinheiro que ia fazer meu pai gastar, ou alguém que sempre agrada aos outros às custas de fazer o que não quer, as pessoas que quero e não quero (eu também não quero, não sou perfeita!) por perto, enfim, o direito de SER EU!
    Amei o post. Parabéns. Que Deus Ilumine seu caminho!
    Abraços,
    Camila

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