De Ponta Cabeça

Quem já não pensou em voltar para uma época marcante e não exercitou a imaginação ao pensar no que teria feito se pudesse mudar suas ações, atitudes de então? Uns pensam na infância, outros na época da faculdade… Ontem, assistindo ao filme As Melhores Coisas do Mundo, pensei nos meus high school years. Pensou em quê?, você pergunta. Em quem eu era, em quem me tornei e em quem talvez pudesse ter sido se… (olha o “se” aí de novo, não pode, né, Aslam?).

Sempre fui o tipo de cara “certinho”, o que de cara já incomoda, pois esse tipo de “correção” não existe. Esse tipinho “bom rapaz, direitinho” (lembre a música aqui) está para alguém que esconde uma sombra enorme que o modelo careta de santidade da Igreja. Só de afirmar isso, você imagina o tipo de adolescente que eu era: aquele que parece um adulto, aceita e honra compromissos, é amigo dos professores, fecha todas as matérias no terceiro bimestre, etc., etc., etc. Meu, eu devia ser muito chato! (E será que ainda o sou?)

Claro que dei continuidade a esse tipo de comportamento em absolutamente tudo: com amigos, namoradas/namorados, trabalho, família. O que importava, desde “pequetico”, era agir da forma mais perfeita e correta do mundo para não perder as pessoas que eu amava. Com isso, o Eu Sombrio cresceu e começou a autossabotagem. Um dos resultados foi que perdi praticamente todas essas pessoas por quem eu me importava e não queria perder. De um jeito ou de outro, aos poucos, isso foi acontecendo.

Assim, é muito simples pensar na época em que me transformei de vez em quem sou hoje. E se (olha o “se” aí de novo), se eu fosse mudar algo, seria a forma como encarava o mundo. Abriria minha mente, me despreocuparia, me permitiria errar e errar muito. Eu teria saído mais, teria aproveitado mais os amigos (ao invés de me isolar para estudar – só um exemplo), teria conhecido mais gente, me descoberto.

Entretanto, quem falou que não posso fazer exatamente isso hoje? Chegando ao dobro da idade que tinha na época do ensino médio (ainda era “colegial” então), a vida me traz um paradoxo: quem sou de verdade vs. quem me tornei. Só que, para experimentar quem sou, preciso ser quase o adolescente que não fui. Preciso abrir a mente, despreocupar-me, permitir-me errar e errar mais, sair mais, aproveitar mais os amigos, a família (ao invés de me isolar para trabalhar – só um exemplo), conhecer mais gente, quebrar meus paradigmas, virar tudo de ponta cabeça, de pernas pro ar. Ouse existir, já diziam nas Aldeias de Vida.

O que surpreende é a verdade nisso tudo, o toque suave da possibilidade de isso tudo se tornar real, com a vantagem de que não sou mais adolescente e que posso fazer tudo isso com mais sabedoria. E coragem! Pois é preciso muita coragem para colocar tudo isso em prática, largar tudo. E se você perguntar: Mudar? Mudar pra quê? Então eu respondo: pra que eu seja feliz e seja eu mesmo em plenitude. To boldly go where no man has gone before.

180 dias já foram. Faltam 185

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Uma resposta para De Ponta Cabeça

  1. Lucas Kenji disse:

    Meu, que profundo! Eu acho que nunca é tarde pra se mudar o que se é, mas eu aprendi que a gente só consegue mudar 15% do que somos, mas esses 15% são os que fazem a maior diferença
    Nunca é tarde pra viver novas experiências… te apoio completamente nesse processo!
    =]

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