Perdoar ou Punir

É aquilo que fiz. Aquilo que deixei de fazer. A oportunidade que me escapou. O comportamento que não tive. A atitude que poderia ter sido diferente. O eterno “e se”, que Aslan, o leão/Jesus de Narnia, afirma não existir. Aos poucos, por mais que afirmemos que não vivemos no passado, esses acontecimentos vão se acumulando e se transformando em nossa Sombra. Julgamos e não sabemos perdoar a nós mesmos.

Eu sou assim. Você é assim. Claro que existem pessoas que legitimamente se perdoam, mas, na sociedade de hoje, isso obviamente é uma excessão. Contudo, esse é o caminho que escolhi.

Ontem, após um momento intenso de reflexão, descobri como me apego ao passado, como atos e acontecimentos (sim, às vezes eles nem são ações diretas nossas) me fazem a pessoa que mostro ao mundo hoje, o que já descobri não ser a pessoa quem realmente sou. Gosto do Superman e, portanto, uma analogia com a mitologia do kryptoniano é sempre bem vinda: Clark Kent está para Kal-el da mesma forma como o Eu que mostro ao mundo está para meu verdadeiro Eu. A diferença é que Kal-el se transforma em Superman quando quer e precisa e, de fato, é o Superman sempre, já eu sinto ter ficado preso no Clark (e não me refiro ao Clark na intimidade, que na verdade é o próprio Kal, mas àquele que aparece em público no Planeta Diário).

Reconheci vários desses pontos que parecem me definir hoje. Coisas como um momento, lá nos meus 10 anos de idade, quando minha tia me disse para não falar alto, que ninguém era surdo, e isso soou como uma crítica imensa, como se eu estivesse cometendo um dos piores erros do mundo. Se lembro disso claramente e se hoje as pessoas costumam dizer que falo (muito) baixo, é de se suspeitar uma relação direta entre os casos, até porque eu passei muito e muito tempo tomando cuidado para não decepcionar minha tia, quem eu sempre quis agradar (assim como minha avó, minha mãe…).

Um exemplo simples, de algo que pode ter mudado toda uma trajetória de vida, mudado situações, oportunidades, enfim… E a lista se estende. São coisas pelas quais me sinto culpado e por que preciso me perdoar. Esse é o verdadeiro perdão dos pecados a que a religião se refere. Nosso pecado só pode ser perdoado por Deus (ou a Deusa) se nos “redimimos”, isto é, se nos perdoamos. Até porque nossos pecados, muitas vezes, só são pecados a nossos olhos. A verdade? Nada disso pelo que nos culpamos é de fato um erro grave. O simples fato de reconhecermos um erro já mostra que somos humanos e capazes de seguir vivendo em plenitude sem que aquilo se repita ou nos incomode. Os erros que repetimos só existem, só se repetem, porque não nos perdoamos e continuamos nos punindo por isso. Escondemos uma verdade sobre nós mesmos lá no fundo de nossa alma e, assim, ela ganha vida própria e aparece quando menos esperamos.

O caminho do perdão é o único caminho possível. Depois que paramos de projetar nos outros, é chegada a hora de nos perdoarmos, é chegada a hora de reconhecermos quem somos e o que nos faz únicos, é chegada a hora de permitir o Amor correr por nossas vidas. A vida só tem sentido se em plenitude. Semana passada, quando entrei em uma crise e me senti deprimido, descobri que estava negando uma verdade fundamental em mim. Mas não mais. Não existe bom ou ruim, certo ou errado. Isso tudo são classificações que damos para as coisas e, acreditar nisso, nos leva à dualidade, ao medo, ao sofrimento, à Sombra. É engraçado, mas o que descubro hoje como verdade universal já era dito por Yoda na série de filmes Star Wars: “Fear is the path to the dark side. Fear leads to anger. Anger leads to hate. Hate leads to suffering.”

Por isso, precisamos aprender o verdadeiro perdão, deixar o que passou no passado, aceitar que estamos em constante mutação e que podemos ser hoje, e sempre hoje, aquilo que mais queremos ser. Mas sem julgamentos, sem punições, sabotagens. Duas frases que li recentemente no twitter de autores/pensadores renomados confirmam: Until we forgive, we will continue to punish ourselves. (Debbie Ford); Don’t judge your life. Every life is a step toward unity with God. (Deepak Chopra)

169 dias já foram. Faltam 196

Anúncios
Esse post foi publicado em Espírito, Mente e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s