Libera me

Preso. Preso em uma falsa realidade,  sem sentido, non sense, inútil! Um mundo de ilusão corrompe-nos a mente, os sorrisos, as possibilidades de felicidade. Uma prisão. Como conseguimos o alvará de soltura?

Descobrir-se, surpreendendo-se com maneiras novas ou pouco lembradas de ser feliz, de ter prazer com a vida, pode trazer consequências. Mais que um tempo de diversão, de descompromisso, minhas férias foram um tempo de autoconhecimento intenso. Como disse o poeta Henry David Thoreau, I went to the woods because I wanted to live deliberately. I wanted to live deep and suck out all the marrow of life. To put to rout all that was not life; and not, when I had come to die, discover that I had not lived. (Uma das possíveis traduções para essa citação seria: “Fui à floresta porque queria viver deliberadamente. Queria viver profundamente e sorver toda a essência da vida. Eliminar tudo que não é vida; para não descobrir, na hora da minha morte, que não vivi.”)

Woods, florestas, bosques… são sempre metáforas para a mente, o inconsciente, a psiquê. E foi adentrando minha própria floresta particular que comecei a descobrir coisas com que nem sonhava. Novas espécies de plantas, flores das cores mais improváveis e variadas, riachos, diferentes estações: uma Terra do Nunca só minha.

Todavia, na hora de sair da floresta e voltar para a civilização, sinto-me perdido, vivendo uma vida que não mais enxergo como a minha, sendo alguém que não mais vejo como eu mesmo, fazendo coisas que não mais entendo como as minhas. O próprio “avatar” do filme de James Cameron. Tentei “me adaptar”, retomar práticas antigas, mas sinto que não dá. Não tem mais jeito. Até mesmo porque, ser quem eu agora sei que não sou, me deprime, me deixa triste.

Ao mesmo tempo, sinto medo. Medo, o grande criador de nossas sombras, de nosso Eu Sombrio. Medo do que seria se eu realmente ligasse o foda-se e fosse eu mesmo. Já sinto isso acontecendo em várias áreas, porém, uma libertação completa implicaria em muito mais. E não dá para ser outro alguém sem mudar tudo, mudar de vida por completo em todos os aspectos. Todos!

Assim, fico trabalhando esse medo, murmurando o Libera me (veja aqui). Pois viver preso à essa falsa realidade é a morte eterna, é o próprio julgamento, dia a dia, empurrando-nos cada vez mais fundo no inferno.

140 dias já foram. Faltam 225

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