Medo de Amar

Pode parecer estúpido para algumas pessoas, mas a verdade é que tenho medo de amar.

Sempre fiz o tipo romântico, às vezes até de mais. Apaixonei-me muitas vezes, amei (o tipo “eros” de amor) outras tantas. Costumava ver pessoas que tinham medo de se apaixonar e, por isso, nunca tinham relações estáveis, estavam sempre insatisfeitas. Eu não as entendia. Amar, para mim, era simples e tão fácil. Sempre mergulhava de cabeça nas paixões e adorava, apesar de conselhos como o do poeta W.B. Yeats (Never give all the heart).

Por amor, ainda no ensino médio, eu teria dado minha vida pela minha primeira paixão, a versão local da Ana Paula Arósio que estudava na minha sala. Por amor, eu teria me casado com minha primeira namorada. Por amor, considerei o primeiro namorado minha própria alma – e como um corpo poderia viver sem sua alma? Por amor, deixei de morar em Paris e me mudei do interior para a capital.

Não me arrependo de nada disso, foram ótimas pessoas e experiências maravilhosas. Porém, acho que fui me machucando aos poucos nesse tempo todo. Quando percebi, e nisso já morava aqui na capital, eu era exatamente aquilo que criticava. Até que desisti.

Apesar de gente interessada em sair comigo, em manter um relacionamento comigo, eu não queria. O comportamento era exatamente o mesmo: a gente saía uma vez, nada demais. Se ele(a) gostasse e me quisesse, eu me assustava e desaparecia. Acabei cansando e entrei nessa fase “fechado para balanço” (ver aqui).

Entretanto, muita coisa mudou. Comecei essa reflexão constante (motivo deste blog) e tenho aprendido muito. Aprendi, inclusive, que não sou e nem quero ser sozinho, em qualquer tipo de relacionamento. Aprendi que tenho medo de amar, medo de ser feliz. É irônico, mas o maior medo é de que a coisa dê certo. Vai entender…

Aberto para novas possibilidades, deixei-me encantar novamente por alguém especial. Julgava-me livre dessas amarras, sem limites outra vez. Mas as coisas parecem ser diferentes. É exatamente quando estou colocando à prova essa liberdade reconquistada que o medo volta e volta forte. E agora?

Quero e vou enfrentar isso, embora pareça bastante difícil. Sei, contudo, que essa visão não é a Real e nem representa a Realidade. Todo sofrimento é baseado em uma vida irreal, em ilusões. Sei que pode não ser fácil, mas vou devagar, com cuidado. Pois, ainda como diria W.B. Yeats: He that made this knows all the cost,/For he gave all his heart and lost.

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4 respostas para Medo de Amar

  1. alana menk disse:

    Esse medo é tão normal. É estranho. Mas devido a trauma msmo… é aquela famosa coisa: “gato escaldado tem medo de água fria”.
    Pior que eu tbm to nessa… de fuga. Até minha criança interior fica brigando comigo, falando que é besteira, que eu tenho q me permitir a viver algo simples e pleno, e parar de ficar dramatizando tanto e só ficar vivendo nas beiradas. É um processo bem complicado.
    Por isso, muuuuita boa sorte pra vc! Vai sem ser ansioso q as coisas se ajeitam. Acho que nosso erro é também a ansiedade….que gera medo. E talvez por isso mesmo que temos medo da possibilidade do certo. Afinal, isso gera mais ansiedade do que achar que dará errado.

    bjins!

  2. Julie disse:

    Eu tenho M E D O do M E D O que dá 😛
    Eu tenho esse medo, o de amar, e como tenho. O seu texto está cheio de referências que adoro, como por exemplo, W.B. Yeats, irlandês, adoro os textos/poemas dele.
    Tava pensando no medo que eu tenho de me entregar depois de tantos traumas agorinha mesmo, no carro, vindo pra casa =( q chato isso. Tantas perguntas…Será? Será? Será? Tantos serás? Eu odeios os serás? Pra que eles servem mesmo? af! Estou “fechada pra balanço” há anos…acho q tá na hora de reabrir…fazer uma reinauguração bem legal..kkkk…por onde eu começo, hein? beijos e obrigada por compartilhar esse texto q me fez dar mais um passo…

  3. Lelê disse:

    E como vc mesmo já deve ter ouvido, da mesma pessoa que falou pra mim: o desconhecido dá medo!

    Mas é tão gostoso enfrentar e peitar esse medo, né?! da uma sensação de poder!

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