Máscaras e vendas

Certezas e mais certezas. É tão bom se achar o dono da razão, acreditar que se sabe tudo sobre si mesmo, crer em sua própria santidade. Como diria o personagem traidor Cypher, em Matrix (ver cena aqui), “Ignorance is bliss.” Essa frase possui sua verdade e muita, mas muita gente mesmo! prefere viver com sua certeza ilusória da santidade, ignorando quem se é realmente, o que é este mundo, tentando ser feliz ou fingindo, muitas vezes até para si mesmo, possuir a tal felicidade. Eu, por exemplo, posso dizer que era assim.

Foi então que comecei o processo de reflexão descrito neste blog. Viajei e descobri como nos vemos nos outros, como projetamos nas pessoas aquilo que realmente somos.

Se o defeito de alguém me incomoda, geralmente é porque esse defeito é meu, mesmo que em proporções ou formas diferentes. Se admiro alguém, aquilo que admiro nessa pessoa já é parte de mim, pois vejo nela o que sou, não exatamente o que ela é.

O que acabo de resumir em um pequeno parágrafo é a grande chave do autoconhecimento. Pois é muito difícil de olharmos diretamente para nós mesmos e enxergarmos tudo o que somos. Isso porque aquele detalhezinho chamado ego acaba atrapalhando. Mas é o próprio ego que adora se ver em tudo quanto é lugar e, por isso, começamos a projetar, tanto nossos defeitos quanto nossas qualidades que tentamos esconder de nós mesmos. Dessa forma, nosso pior inimigo e nosso maior amigo assim o são pois possuem as características que também possuímos, as boas (para o caso do amigo ou de um ídolo quem admiramos) e as ruins (para o caso dos inimigos ou das pessoas de quem não gostamos).

Ao descobrir isso, comecei a refletir sobre as pessoas de quem não gostava e sobre aquelas de que gostava e, então, um mundo inteiramente novo se revelou e pude ter um vislumbre de quem era de verdade. Um punhado de coisas boas, mais um punhado de coisas que eu considerava ruins se revelaram.

Saber algumas dessas características me abriu inúmeras novas possibilidades, mudou meu comportamento, me surpreendeu de forma muito boa. Contudo, outras características demandam mais atenção, demandam ação, escolhas. Elas pedem que eu saia da minha zona de conforto, que eu tire a bunda da cadeira e me mexa. Pedem mais reflexão, para entendê-las, pois só assim poderei alcançar a paz. O que vivo agora é o efeito da máscara, da tal da santidade ilusória, caindo, se despedaçando aos poucos. É a máscara, como se fosse uma entidade, lutando com todas as garras para se manter viva. A benção da ignorância, que um dia tive, já não mais existe. A única escolha possível é seguir em frente.

129 dias já foram. Faltam 236

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