Enquanto não encontra a pessoa certa, continue saindo com a errada

Sempre achei essa frase um atraso de vida. De verdade, quem é que consegue se dedicar a alguém errado e, ao mesmo tempo, continuar procurando a pessoa certa? Além de que quando estamos com alguém corremos o risco de a pessoa “certa” não olhar para nós justamente por estarmos comprometidos. Ah! E ainda tem o fato de que estamos claramente enganando alguém. Ou melhor, enganando a pessoa “errada” e a nós mesmos. Sabe o que mais? Essa frasse não serve só para relacionamentos: serve para o trabalho, para amigos, para carreiras, para lugares, etc., enfim… quase todo tipo de situação. Contudo, gostaria de ter o foco em somente dois aspectos dessa frase: relacionamentos amorosos e carreira.

Tive a oportunidade de passar o feriado ao lado de um alguém muito especial. Um alguém que se conhece, que demonstra saber quem é e o que quer. Esse tipo de interação me faz bem, mas também me faz questionar o motivo de eu ainda me sentir um adolescente em época pré-vestibular tentando decidir o que quer da vida, tentando descobrir quem sou, com quem me relacionar.

Uma das coisas que ouvi nesse feriado foi: “Você precisa crescer e assumir quem é, quem quer e o que quer.” Também nesse fim de semana do feriado, comentaram aqui no blog: “Você parece não ter saído do lugar desde quando começou a escrever. As questões parecem ser as mesmas e você se sente tão confuso quando começou.”

Feriado proveitoso. Tanta coisa aconteceu. Tanto motivo para reflexão. E é verdade. Eu preciso concordar com as pessoas que proferiram as frases citadas acima. É verdade! Eu ando perdido, de cima pra baixo, sem saber quem sou, o que quero, quem quero. E enquanto não encontro a pessoa certa, a carreira certa, a vida certa, vou saindo e me dedicando à errada mesmo.

O curioso é que eu sei as respostas e sempre soube. Eu não preciso nem nunca precisei estar tão confuso em relação a tudo. Da mesma maneira como sei exatamente quem sou, também tenho plena consciência de que sou um covarde. É sim, um covarde, medroso, amarelão. Chicken! Cocócócócó!

Então vamos lá, é jogo limpo. Não sou mais criancinha para ficar adoçando palavras amargas. Lembra deste post aqui? Pois é! Já não é de hoje que sei as respostas de que preciso. Porém, eu continuo querendo agradar todas as deusas (reveja o post do link para entender), com medo de me dar mal se trocar “o certo pelo duvidoso.” O tempo passa. Eu disfarço a vida. Crio questões que nem precisavam existir (como a tal do meu “ex” de 7 anos). E o que importa mesmo fica “pra depois”. Depois quando?

Isso tudo me deixa indignado comigo mesmo. Na boa… Eu já saí com a pessoa errada enquanto a certa não aparecia. Fiz isso algumas vezes. E, muito recentemente, eu notei que tenho segurado uma das pessoas erradas (que eu sei que é a errada), porque sei que daria para viver algo legal com ele, mas sem sentimento. Isso enquanto a certa não aparece (e, como escrevi no primeiro parágrafo, talvez nunca apareça por causa disso mesmo). Estive com esse “estepe” no fim de semana e entendi que eu estava fazendo isso, que tanto me desagrada, com ele. Não, não sou e não quero ser assim. Foi só entender isso que apareceu outra pessoa com quem me conectei de uma forma surreal. E acho que isso só teria acontecido se eu tivesse entendido isso, que é melhor estar sozinho do que com a pessoa errada, e, claro, porque finalmente terminei com meu ex (ver post anterior).

OK. Talvez eu não siga (mais) essa frase nos relacionamentos. Mas e na carreira? Na carreira eu continuo saindo com a errada enquanto a certa não aparece. E, nesse caso, a certa nunca vai aparecer porque eu preciso me dedicar a ela.

Nesse post em que falei sobre as escolhas (primeiro link acima), eu tinha escolhido e sabia que precisava sofrer a fúria da deusa traída. Eu escolhi ser eu mesmo, seguir meu coração. Durou um tempo. Tive coragem de largar tudo e passar um tempo em Paris. Mas lá, a dúvida veio e, de última hora, em uma armadilha que armei para mim mesmo (de forma a não ter como voltar na decisão), escolhi de novo a primeira deusa e traí a deusa que me traria o amor, a felicidade, o ser eu mesmo.

E é por isso que estou nessa questão ainda. Eu sei quem sou? Mas claro que sim (olha só este outro post que comprova isso e que eu deveria reler todos os dias para não me esquecer). A questão agora não é se eu sei. É se eu tenho coragem de ser quem realmente sou. Ou se, ao contrário, vou ficar inventando histórias para a cabeça por tempo indefinido. As grandes questões deste blog – minha carreira e minha sexualidade – são coisas para as quais eu sempre tive a resposta, só nunca tive a coragem. Coragem de enfrentar a família, a sociedade, a opinião de amigos e das pessoas em geral. Recentemente, incluí outra questão nesse grupo: se estou feliz na nova cidade em que vim morar. E, como sempre, inventei um monte de hipóteses para tal questão. Disse que me sinto só, que sinto falta dos amigos, etc. Tudo é verdade, mas não é isso. Este feriado aproveitei o tempo e me perguntei: “se eu estivesse sendo eu mesmo lá, eu estaria em dúvida?”. E a resposta foi ‘não’. A resposta foi: “o que mais me desagrada lá é que não sou eu mesmo, nem um pouco.”

Concluindo… eu fiz a jornada a que me propus neste blog. Descobri as respostas que sempre soube para as duas grandes questões, consegui quebrar com tudo e me refugiei em Paris, onde deixei as minhocas de sempre tomarem conta de tudo. E quando voltei, voltei para não ser eu mesmo. Quem sou hoje? Um cara que vive a vida de outra pessoa. Citando Cazuza: “Disparo contra o sol/sou forte sou por acaso/minha metralhadora cheia de mágoas/eu sou um cara/cansado de correr na direção contrária/sem podium de chegada ou beijo de namorada/eu sou mais um cara”

Podemos ser felizes em milhares de situações, desde que estejamos sendo nós mesmos. Eu não sou eu mesmo. E não sou porque tenho medo, principalmente porque tenho medo do que as pessoas vão pensar de mim. Hoje, sou algo indefinido, um nada, um ser em vão. O que falta para eu assumir minha deusa favorita e ser leal a ela, mesmo tendo de sofrer a fúria da outra? O que falta? Quanto tempo mais vou viver no stand by?

Essa reflexão toda lembra uma música da Cássia Eller. Não achei no Youtube a versão que a própria Cássia cantava, mas achei uma versão cover só para vocês sentirem a letra. É claro que quando Cássia Eller canta que “quem eu queria mesmo ser é a Cássia Eller” isso significa algo muito poderoso. E isso serve para mim…….. Eu poderia ser um professor, um coordenador, um engenheiro químico, um empresário, um psicanalista, um sacerdote, um músico, um jornalista (é, eu poderia ser qualquer um desses mesmo!)… E não há nenhuma outra hipótese que eu não considere, mas… o que eu queria mesmo ser é o…………. (eu mesmo, sem nomes aqui, por favor ;) ). Ouça a música original:

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2 respostas para Enquanto não encontra a pessoa certa, continue saindo com a errada

  1. Bronson Heleno disse:

    Forte, sincero, amei! =]

  2. Carla Morais disse:

    Meu nobre cavalheiro… Um dia, eu ouvi alguém falar que não adianta mudar de cenário, se vc não resolver os problemas (sejam eles quais forem), eles irão com vc para onde quer que vc vá. E isso é verdade! Desde que comecei a ler este blog, eu não tive dúvidas quanto a sua força e do quanto vc sabe muito bem o que quer, mas ainda não se decidiu quando vai transformar as palavras em atitudes. Não atitudes de momentos, mas de transformação real. Não acho vc covarde, todo ser humano por mais forte que seja, também tem seus medos e isso não é nenhuma vergonha. Se eu posso te sugerir alguma coisa, eu te falo: nada de sair com a pessoa errada, enquanto a certa não aparece! Por que vc não pode ficar só? Por que tem que ter alguém do lado? Por que precisa estar apaixonado? Como eu te falei antes, se convide para um passeio, se baste; se vc tem que buscar alguém, esse alguém deve ser VOCÊ em primeiro lugar e só assim, tudo vai acontecer. A opinião de alguém a nosso respeito só deve importar se for para nos acrescentar algo, lembrando que vc é o que acredita ser, então… Por isso eu falei para vc assistir ao filme Sob o sol da Toscana e foi o que fiz ontem! Às vezes, paramos numa encruzilhada sem saber para que lado seguir e essa busca por nós mesmo, não tem tempo para acontecer… para uns é rápido, para outros, pode durar uma vida inteira, o importante é vc não deisitir de continuar prosseguindo sempre, pois ninguém fará isso por vc. Só vc pode viver a sua vida! Dê um descanso pra vc mesmo e apenas viva, sem tantas cobranças, tantos questionamentos, tantos “e se”… Vc escreveu: “Quanto tempo mais vou viver no stand by?”… o que me responde?! Olha só, se a tua profissão ainda não é aquela que vc deseja, aproveite esta para fazer suas reservas e assim, investir no futuro; e o futuro, pode ser daqui há um pouco! Se vc é bissexual, mas percebeu que quer se relacionar apenas com homens, ótimo, viva cada história de uma vez e se isso não agradar quem quer que seja, dane-se todos!!! Ninguém tem o direito de querer governar a vida de ninguém, quantos que vivem apontando o dedo, não vivem uma vida de mentira? Relaxa, apenas VIVA a vida que vc quer pra vc, sem tantos “nãos” e “Por ques!” E mais uma vez te falo, não adianta mudar de cenário, se vc continua sendo o mesmo que não deseja mais, então… Um grande e sincero abraço!

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